Câmara fria de IML nunca funcionou



Equipamento avaliado em mais de R$ 100 mil permaneceu encaixotado ao relento durante meses e agora ocupa um espaço anexo à sala de necropsia


Jacarezinho - Uma câmara fria entregue pelo governo estadual em julho do ano passado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Jacarezinho para a conservação de corpos que aguardam por identificação e necropsias nunca funcionou. Durante meses, o equipamento avaliado em mais de R$ 100 mil permaneceu encaixotado ao relento e agora ocupa um espaço construído anexo à sala de necropsia com a promessa de ser colocado em atividade no prazo máximo de 30 dias.
Em abril de 2014, nove corpos de vítimas de um grave acidente envolvendo um ônibus de turismo na BR-369, em Bandeirantes, ficaram expostos na garagem e no jardim do IML de Jacarezinho à espera do reconhecimento por parentes. Não bastasse a dor pela perda dos entes, as famílias ainda foram obrigadas a passarem pelo constrangimento em razão da falta de estrutura da unidade para receber os cadáveres.
A ocorrência na BR-369, apesar de trágica, contribuiu para que as reivindicações dos responsáveis pelo órgão no Norte Pioneiro fossem tratadas como prioridade pelo governo estadual. Uma das medidas anunciadas à época para minimizar os graves problemas que a unidade enfrentava foi o anúncio de uma câmara fria para conservar os cadáveres.
No início de julho do ano passado, o então chefe do IML de Jacarezinho, Rafael Brito de Oliveira, anunciou o recebimento do aparelho com a promessa de que em poucos dias ele estaria funcionando. Porém, segundo Brito, problemas administrativos impediram a instalação do equipamento, que permaneceu encaixotado no mesmo local em que foi descarregado, na garagem da unidade.
Brito deixou a chefia do órgão em agosto de 2015, e seu cargo foi ocupado pelo policial civil aposentado Luiz Alberto Paschoal, que tão logo deu início ao processo de instalação do equipamento. Um cômodo foi construído junto à sala de necropsia para receber a câmara fria, porém, novamente por questões administrativas, o aparelho mais uma vez não funcionou.
A falta de médicos legistas e auxiliares somada a uma série de problemas estruturais fez com que a unidade interrompesse temporariamente os serviços prestados à população na gestão de Pascoal. As perícias passaram a ser realizadas no IML de Londrina, e em alguns casos, em razão à falta da câmara fria, o DNA das vítimas foi extraído para possíveis confrontos genéticos e os corpos (sem identificação) sepultados por falta de um espaço adequado para conservá-los.
Pascoal deixou o comando do órgão em janeiro deste ano sem conseguir colocar em funcionamento o equipamento, que é tão almejado em todo o Estado. O novo chefe, João Garbelini Neto, ao assumir a unidade disse que a reestruturação do IML de Jacarezinho era uma questão de tempo e que a instalação da câmara fria era prioridade. No entanto, mais uma vez as promessas se esbarraram nos problemas administrativos.
Na última segunda-feira, Garbelini Neto informou que as obras foram retomadas e que dentro do prazo máximo de 30 dias o equipamento estará à disposição dos profissionais do IML. "Assumi a chefia no início deste ano, e aos poucos tomei ciência dos problemas da unidade. Além das deficiências estruturais tínhamos também o fator humano, mas felizmente tudo está sendo solucionado. A câmara fria finalmente irá funcionar dentro de um mês, e novos servidores serão contratados em breve por meio do PSS (Processo Seletivo Simplificado) anunciado esta semana pelo governo estadual", garante.
Luiz Guilherme Bannwart
Especial para a FOLHA DE LONDRINA
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