Uenp ajuda produtor a obter certificação orgânica



Maria de Loures e o marido José Avilar Rissá trabalham juntos na produção de orgânicos há seis anos; com a certificação, passaram a vender toda a produção para uma rede de supermercados


Bandeirantes - Há quase 20 anos, José Avilar Rissá cuida de um pequeno sítio na zona rural de Ribeirão Claro, onde vive com a esposa. Ali eles passam o dia cultivando frutas, verduras e legumes. Tudo orgânico, sem nenhum tipo de agrotóxico. Mas nem sempre foi assim. "Nós começamos a plantar orgânicos em 2010. Na época isso ainda era novidade aqui na região. Os outros produtores olhavam meio desconfiados. Não achavam que pudesse dar certo. Mesmo assim investimos", conta seo Avilar, como é conhecido.
A produção na propriedade é acompanhada pelo Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCPO). No Norte Pioneiro, o PPCPO é coordenado pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), através do Núcleo de Estudos de Agroecologia e Territórios (NEAT) do campus Luiz Meneghel, em Bandeirantes. "O objetivo do programa é ajudar a fortalecer a produção de alimentos orgânicos no Paraná, por meio do apoio técnico e orientação à adequação da propriedade ao que exige a legislação brasileira sobre este tipo de produção", explica o professor-doutor Rogério Macedo, coordenador do NEAT. "Cada núcleo de certificação conta com profissionais e estudantes de Agronomia e de outras áreas. Os profissionais também são formados em Auditoria da Produção Orgânica pelo Tecpar", complementa.
Para participar do programa, o interessado tem que ser agricultor familiar e possuir a Declaração de Aptidão (DAP) do Pronaf.
O processo de certificação é gratuito. Segundo Maria Eliza Galiardi, engenheira agrônoma do PPCPO na Uenp, esse é o diferencial do programa. "Geralmente, esses produtores não têm condições de arcar com os custos de uma certificação. Nós fazemos todo esse acompanhamento de graça. O que ganhamos com isso é o conhecimento que adquirimos como universidade e a satisfação de vê-los certificados", conta.
Depois que conseguiu a certificação orgânica, a produção do seo Avilar começou a ganhar mercado. Tudo o que é produzido na propriedade é encaixotado e segue para Ourinhos (SP), onde os produtos são entregues a uma rede de supermercados. "Sem a certificação não teríamos como vender para supermercados, por exemplo. A certificação é o que nos dá o respaldo para a entrega. E hoje temos percebido que o orgânico tem conseguido cada vez mais espaço no mercado. Estamos felizes", comemora Avilar.

COMO FUNCIONA
A visita ao produtor é o primeiro passo para o processo de Certificação Orgânica. Os técnicos do PPCPO conferem se a propriedade tem (ou teve recentemente) algum plantio com uso de agrotóxico e analisam se o uso desses produtos nas propriedades vizinhas não inviabilizam a produção de orgânicos. "Às vezes, o produtor vizinho faz uso de agrotóxicos e, sem perceber, acaba contaminando a área destinada para o plantio. E nós precisamos ter certeza de que não haverá nenhum tipo de contaminação. Para isso o produtor precisa tomar algumas precauções como construir uma cerca vegetal que proteja sua área de plantio, por exemplo", explica Diego Contiero, biólogo e auditor do PPCPO.
O programa também orienta nas adaptações necessárias, caso a área escolhida para o plantio não esteja de acordo com o que exige a legislação. "Nós sempre reforçamos aos produtores que existem formas de melhorar a qualidade da terra e combater pragas sem usar agrotóxicos. Esse é o caminho que mostramos a eles. O caminho do manejo orgânico", comenta Maria Eliza. "Hoje, eles mesmos começam a perceber a importância disso. Nós já tivemos produtores que foram intoxicados com agrotóxicos e que resolveram partir para o orgânico", afirma. Somente depois que o produtor toma todas as medidas necessárias e passa por uma auditoria, é que ele recebe a certificação.
Inês Sasaki é uma produtora de Carlópolis, cidade vizinha a Ribeirão Claro. Há 18 anos, ela planta frutas e verduras no sítio da família para vender na feira da cidade. O plantio ainda é convencional, mas Inês está disposta a trabalhar com orgânicos. "Eu sempre tive vontade. Principalmente por ser um produto mais saudável, sem veneno. Eu já comprei tomate que dava até pra sentir o gosto do agrotóxico e tive que jogar fora", lembra.
A coragem para começar a plantar orgânicos veio depois que Inês soube da existência do projeto. Ela acredita que uma assistência técnica é fundamental para que nada saia errado. "Esse projeto é uma ajuda e tanto. Aqui na nossa propriedade, nós só usamos agrotóxicos quando não tem jeito. Mas eu não gosto. O que a gente não quer pra gente, não devemos desejar para os outros, né?", conclui.
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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