O POTENCIAL DO ABACAXI NO PARANÁ



"Como não estamos organizados, cada um tem de se virar para vender", lamenta Edmilson Marcoff


Quem resiste quando o feirante chega com aquele belo pedaço de abacaxi doce para provar? Quase uma unanimidade, esta fruta tropical está presente em mais de 200 municípios do Paraná, mas a falta de organização dos produtores e algumas dificuldades no manejo fez com que a produção estagnasse há mais de uma década. Agora, um projeto coordenado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) – encabeçada pela Emater e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) – promete alavancar a cultura, principalmente no Noroeste do Estado.
Hoje, a produção paranaense é concentrada na região de Paranavaí (60%) e Umuarama (13%), além de alguns focos em Maringá (8%) e Jacarezinho (6%).
A principal variedade plantada é o Havaí, correspondendo em quase toda totalidade. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, a fruta ocupou 428 hectares no Estado no ano passado, com um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 13,6 milhões e pouco mais de 400 produtores. Entretanto, o que se vê é uma produção irregular e sem escala, o que faz com que os compradores busquem produtos de outras regiões do País, como de Minas Gerais e Paraíba.
O pesquisador do Iapar, Pedro Antônio Auler, é o gerente do Projeto de Apoio aos Polos de Citrus, Abacaxi e Maracujá do Noroeste do Paraná, e conta quais estratégias serão utilizadas para melhorar a condição da cultura nas regiões mais quentes do Estado, onde o zoneamento agrícola, o solo arenoso e o calor permitem o cultivo. "Nós temos o maior polo do Estado em Santa Isabel do Ivaí e a cultura não avança. A nossas preocupação não está em gargalos tecnológicos, mas sim na falta de organização da produção e problemas na comercialização. É isso que precisamos enfrentar para dar um fôlego para cultura no Estado".
Hoje, Auler explica, os produtores de abacaxi trabalham de forma individual, o que não viabiliza uma assistência técnica, comercialização constante, compra de insumos, e muito menos padrão de qualidade e escalonamento de produção. "Vamos definir inclusive uma época de trabalho mais interessante para o produtor".
Para que o cenário se transforme, o Iapar também promoverá um levantamento econômico detalhado em propriedades de referência, com acompanhamento forte, por exemplo, de custos de produção, tecnologias utilizadas, qualidade do produto, entre outros fatores para que outros produtores tenham métodos de base, gerando a melhoria do sistema do abacaxi como um todo.
O pesquisador da Área de Socioeconomia (ASE) do Iapar, Dimas Soares Junior, comenta que o grupo de trabalho irá fazer a viagem para a região daqui aproximadamente um mês para escolher as propriedades de referência no polo de Santa Isabel do Ivaí e Santa Mônica. "Já estamos também levantando dados básicos, como área média de cada produtor, número de pés da fruta, produtividade e assim selecionaremos agricultores representativos para o acompanhamento técnico e econômico completo. Posteriormente, vamos disseminar as informações para toda a região".
No que diz respeito ao trabalho junto a cadeia produtiva, de comercialização, Dimas explica que está previsto para o final deste ano e início de 2017 visitas aos polos de produção de Corumbataí do Sul, que tem um case de sucesso com a cadeia do maracujá, e também num polo de produção de abacaxi em Minas Gerais.
"Desta forma, teremos condições de fomentar um grupo que irá assumir a condição de liderança no que se trata de organização da cadeia", complementa o pesquisador.
Assim, num futuro próximo, será possível a organização de associações e cooperativas, já que é certo que a fruticultura paranaense funciona de forma mais eficiente nesse sistema. Para finalizar, vale dizer que o mercado do abacaxi é promissor com a fruta in natura, mas o projeto também prevê um estudo para avaliar as possibilidades de processamento.
Victor Lopes
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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