Operação Publicano - Maioria das empresas foi autuada em mais de R$ 1 milhão




A FOLHA obteve relatórios parciais da Receita Estadual, que demonstram multas milionárias a 55 das 80 empresas fiscalizadas até agora pelas três forças-tarefas

Marcos Zanutto/06-06-2016
Para o coordenador do Gaeco, Jorge Barreto da Costa, autuações demonstram que efetivamente havia acordos de corrupção, prevendo sonegação fiscal e exigência de propina

Dez das 80 empresas autuadas até agora pelas três forças-tarefas da Corregedoria da Receita Estadual do Paraná, cujo montante atualizado até 23 de junho é de
R$ 1.162.919.031,70, respondem por mais de 70% do valor das autuações –
R$ 849.747.306,26, número que inclui o imposto sonegado, multas pela sonegação e juros.
As forças-tarefas foram instaladas após a deflagração da Operação Publicano pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público (MP), em março de 2015, para investigar esquema de corrupção e sonegação fiscal na delegacia de Londrina.
Levantamento feito pela FOLHA com base em relatórios das três forças-tarefas (juntados pelo MP ao processo criminal relativo à primeira fase da Operação Publicano) revela das 80 empresas, 15 foram multadas em valores até R$ 100 mil; para dez, as autuações ficaram entre R$ 101 mil e R$ 999 mil; 32 empresas tiveram multas entre R$ 1 milhão e R$ 20 milhões; e para R$ 13 empresas o montante foi acima de R$ 20 milhões.
As duas maiores autuações – de R$ 245 milhões e R$ 215 milhões – já são conhecidas publicamente. No primeiro caso, a autuação recai sobre uma empresa do setor de abate de suínos, conforme apurou a quinta fase da Publicano, deflagrada em maio deste ano. Nesta data, o MP informou que este setor tinha um esquema antigo de sonegação e movimentava valores milionários. De fato, no caso desta empresa, o imposto sonegado seria de R$ 64,6 milhões; as multas, de R$ 170,4 milhões; e o juros de R$ 10,2 milhões, somando R$ 245 milhões.
O segundo caso foi divulgado em outubro do ano passado pela Promotoria de Defesa do Consumidor e se refere a uma distribuidora de combustíveis, que é acusada de integrar o esquema criminoso na primeira fase da Publicano. Neste caso, a sonegação atingiria R$ 120 milhões e o restante é cobrado a título de multa e juros.
A terceira maior autuação é contra uma transportadora de carnes com endereço em São Sebastião da Amoreira. O montante é de R$ 85,4 milhões. Em seguida estão uma fábrica de móveis, em Arapongas (R$ 73 milhões); uma empresa de baterias, de Londrina (R$ 47 milhões); uma indústria de confecções de Londrina (R$ 46 milhões); e indústria de alumínios, também de Londrina (R$ 40 milhões).
A oitava maior autuação é para a empresa Tarfil, que segundo admitiram réus colaboradores do processo, se trata de empresa de fachada, aberta em nome de "laranja", para auxiliar na sonegação fiscal. Seu principal operador seria o dono da indústria de alumínios que figura na sétima posição. A Tarfil foi multada em R$ 39 milhões. Outra empresa de fachada também usada no esquema, segundo o MP, é a Leandro Capelanes, também alvo das forças-tarefas da Receita: foi atuada em R$ 10,5 milhões.
O nono lugar é de uma fabricante e revendedora de arames, com sede em Londrina, atuada em R$ 33 milhões.
Loriane Comeli
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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