CLIMA - Primavera quente e seca



Paranaenses vão deixar de reclamar do frio que foi mais intenso neste ano para começar a sentir os impactos do calor


A primavera chega com previsão de menos chuva e mais calor ao Norte do Paraná. Ao contrário das condições observadas no ano passado, quando o fenômeno El Niño motivou chuvas intensas que deixaram estragos ainda não totalmente recuperados na região de Londrina, a expectativa dos meteorologistas é que as próximas estações sejam influenciadas pela La Niña, que provoca o resfriamento nas águas do Oceano Pacífico. No Brasil, tal fenômeno pode causar estiagem nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e, principalmente, Sul. Já na região da Amazônia e no Nordeste, há chances de intensificação das precipitações.
Diante da previsão, a meteorologista Ângela Beatriz Costa, do Simepar, acredita que os paranaenses vão deixar de reclamar do frio que foi mais intenso neste ano para começar a sentir os impactos do calor. "Estamos em um período de estabilidade, sem nenhum fenômeno influenciando o clima, mas diante do inverno mais rigoroso, a tendência é que teremos uma configuração de La Niña. Com isso, pode haver chuvas abaixo da média e mais calor, principalmente a partir de outubro", explica.
Norte e Nordeste do Paraná, que enfrentaram chuvas acima da média no ano passado, podem sofrer com estiagem e calor intenso no verão. O risco de enchentes e alagamentos observados na região de Londrina no início do ano será menor, mas continua o risco de tempestades intensas, principalmente na primavera, quando há mais massas de ar frio circulando na região.
Ângela explica que a sensação de que "o tempo está louco" vai ser cada vez mais intensa nos próximos anos, principalmente diante do quadro consolidado de aquecimento global. Há alguns dias, a agência espacial americana (Nasa) anunciou que o mês de agosto passado foi o mais quente dos últimos 136 anos. O planeta registou também o 11º recorde consecutivo de calor desde outubro de 2015. A Nasa atribui o fenômeno às emissões de gases de efeito estufa.
Outra notícia publicada esta semana na revista Science Advances indica que a camada de gelo altamente instável da Groenlândia está derretendo 7,6% mais rápido do que se pensava. O fenômeno pode impactar ainda mais a subida do nível do mar.
"Diversas pesquisas mostram que o clima do mundo realmente está mudando. O inverno demora mais para chegar e está cada vez mais curto. As temperaturas mínimas registradas são cada vez mais elevadas. Além disso, a primavera e o verão são mais quentes, com temperaturas extremas", alerta.
As mudanças climáticas são consequência da ação do homem. A meteorologista afirma que a prática da agricultura com revolvimento da terra, o desmatamento e as altas emissões de gás carbônico por atividades poluentes são alguns dos vilões do clima. "O produtor rural deve realizar o plantio direto sobre a palha, ao invés de revolver a terra. Também é preciso incentivar o reflorestamento e reduzir o uso de carros", avisa.
Para Ângela, cada ser humano precisa fazer sua parte para evitar que o planeta seja cada vez mais quente e inviável para a vida. "Temos que garantir que haja um planeta para os nossos descendentes", pede.

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Agricultura
Produtores rurais começaram o plantio da soja no dia 21 de setembro mas, por enquanto, não há grandes riscos de sofrer as consequências do clima mais seco na produtividade da safra de verão. Isso porque a soja é bastante resistente à escassez de chuva, conforme explica Flávio Turra, gerente técnico da Ocepar.
Ele lembra que o produtor paranaense gosta de plantar cedo a safra de verão principalmente nas regiões onde o milho safrinha é viável no inverno, como Oeste, Norte e Sudoeste. "A preocupação com o veranico – que são as estiagens – existe, mas nesta fase não há grandes riscos para a produtividade", diz.
A preocupação maior é no período de floração, entre dezembro e janeiro, quando a falta de água pode causar impactos. "Como o veranico não tem data certa para ocorrer, uma possibilidade para o produtor é escalonar o plantio para reduzir o risco de toda a floração da lavoura ocorrer na mesma semana", avisa.
Ele esclarece também que a La Niña aumenta o risco de estiagem, mas lembra que no Paraná a seca ocorrer por períodos curtos. "O problema maior é falta de chuva por mais de 15 dias, mas o Estado não tem registrado perdas significativas com veranico", afirma.
Carolina Avansini
Reportagem Local/FONTE - GLOBO.COM
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