Em meio a ocupações, funcionalismo entra em greve



Escolas continuam ocupadas, última atualização dá conta de que são 470 em todo Estado


Professores da rede estadual de ensino, docentes e funcionários das universidades paranaenses e policiais civis deflagram hoje greve contra a proposta do governador Beto Richa (PSDB) de revogar a data-base do funcionalismo estadual. O movimento chega ao mesmo tempo em que avançam as ocupações de escolas por todo o Estado, em protesto contra ações do governo federal e ao sucateamento do ensino público.
A paralisação do funcionalismo é uma reação à emenda à Lei Orçamentária Anual (LOA), enviada pelo governador à Assembleia Legislativa na véspera da eleição municipal, na qual suspende, por tempo indeterminado, a data-base do funcionalismo. Diante da iminência da greve, o secretário da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB), pediu a suspensão da tramitação do texto, mas as categorias exigem a retirada da proposta em definitivo. Uma reunião com representantes dos sindicatos foi marcada para a quarta-feira com Rossoni.
Pelo menos metade dos professores da rede estadual de ensino deve cruzar os braços a partir de hoje, segundo a secretária de finanças da APP-Sindicato e coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais (FES). "É greve por tempo indeterminado, mas esperamos que acabe o mais rápido possível, assim que o governador nos atender", afirma.
Além do arquivamento da emenda à LOA, os servidores exigem o pagamento do salário mínimo regional para merendeiras e auxiliares de serviços gerais, o pagamento de promoções em atraso e o reajuste do auxílio-transporte para professores contratados em processos seletivos simplificados.
Os servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) iniciam o movimento com um ato no Restaurante Universitário (RU), às 8h. "Vamos iniciar dali e passar por todos os setores, convidando quem não aderiu à greve que se una a nós", afirma Marcelo Alves Seabra, da Assuel, que representa a categoria.
No caso do Hospital Universitário, a paralisação vai avançar paulatinamente e a categoria pede à população que só procure a unidade em casos de urgência ou emergência. No Hospital das Clínicas (HC), os servidores decidiram manter o atendimento esta semana para trabalho de orientação, mas a paralisação está marcada para o dia 24.
Os docentes da UEL paralisam por três dias e um cronograma de atividades será montado hoje, segundo o presidente do Sindiprol/Aduel, Renato Lima Barbosa. Além da reunião na quarta-feira, o governo marcou reunião para a tarde de hoje somente com as categorias vinculadas ao ensino superior.
Para Lima, é uma tentativa de simular um diálogo, mas ele não acredita que haja avanços. "O governo inverteu a ordem das coisas. Sem diálogo, enviou as emendas para a Assembleia Legislativa (AL) porque pensou que iria aprovar passando por cima de todos. E não temos expectativa de que vá abrir as contas públicas para mostrar o que ele elege como prioridade para revogar a data-base", diz.
A greve dos policiais civis também é por tempo indeterminado, segundo o presidente do Sindipol (Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região). De acordo com ele, a entidade passou pelas cidades para angariar apoio e em apenas um município não houve adesão. "Apesar de contarmos com praticamente 100% de apoio, vamos manter o efetivo mínimo de 30% para atendimentos de casos de extrema urgência, flagrantes e locais de morte", explica.
A assessoria de imprensa do Palácio do Iguaçu afirma que a suspensão da tramitação das emendas e a convocação de reunião para depois de amanhã são mostras de que o governo tem a intenção de dialogar para buscar um consenso e, por isso, espera que as paralisações não ocorram.
Luís Fernando Wiltemburg
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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