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FUTSAL - Pé-vermelho na amarelinha



"Precisamos agregar formas de captação de recursos com gestão esportiva. A cidade merece uma equipe permanente e competitiva", afirmou o londrinense


Londrina sempre teve muita tradição no futsal brasileiro, com grandes times e revelação de ótimos jogadores e volta ao cenário nacional com o convite ao técnico Wilton Santana para integrar a nova comissão técnica da seleção.
Em processo de reformulação, após o fracasso no Campeonato Mundial, a Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS) desfez a antiga comissão técnica e trouxe novos profissionais para dirigir a seleção principal até o fim do ano e também comandar a equipe sub-20 no Campeonato Sul-Americano, em dezembro, no Uruguai. Wilton Santana é o auxiliar do técnico André Bié, do Corinthians. O primeiro compromisso da nova comissão foi a vitória sobre o Paraguai por 6 a 3, em amistoso disputado em 30 de outubro, na cidade de Sorocaba (SP).
Ponto alto na carreira de qualquer profissional, o convite para trabalhar na seleção brasileira surgiu em um momento único nos mais de 30 anos do treinador no futsal: o inédito título da Taça Brasil sub-20 com o Iate Clube. "Recebi o convite com alegria e surpresa, por não estar no universo dos grandes clubes de futsal do país. Há outros tantos bons treinadores que poderiam ser chamados, mas não tenho dúvida que o meu nome apareceu em razão de ter vencido o Brasileiro", afirmou o londrinense.
O título em questão foi conquistado de forma invicta com seis vitórias em seis partidas, em Campina Grande, na Paraíba, em agosto. O Iate reconduziu o Estado do Paraná a divisão especial do futsal brasileiro na categoria sub-20. Esta mesma equipe, em 2015, também sem derrotas, havia conquistado o título paranaense. "Se quiser parar já posso com dois títulos invictos", brincou Santana.
O futsal sempre esteve presente na vida de Wilton. Começou a jogar aos 11 anos no tradicional time do Bussadori. Fez parte de grandes equipes dos tempos áureos da bola pesada londrinense, que o levaram até a disputar um campeonato mundial juvenil de futebol de campo com a seleção brasileira, em 1985, na China, e a um período de três anos no time juvenil do Flamengo.
Trocou de lado há 27 anos, quando começou a dirigir equipes de base e desde então foram vários títulos estaduais com as categorias menores e também no adulto. Professor do departamento de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ele fez mestrado e doutorado tendo como tema o futsal e publicou três livros de metodologias de treinamentos da modalidade.
"O mais interessante desta minha ida para a seleção é que chama atenção para o potencial de Londrina. Temos um time campeão, um treinador na seleção, além da tradição e da paixão que a cidade tem pela modalidade", ressalta.
O treinador só lamenta que este potencial não seja explorado da melhor maneira possível e que a cidade não consiga ter uma equipe adulta permanente e com vaga na Liga Nacional. "O futsal hoje é negócio e precisa ser administrado como. Se você pegar a maioria das equipes que disputam a Liga são em parceria com empresas", frisou. "Londrina tem hoje mais de dois mil garotos disputando competições oficiais de futsal. Precisamos agregar formas de captação de recursos com gestão esportiva. A cidade merece uma equipe permanente e competitiva".
Lucio Flávio Cruz
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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