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EDUCAÇÃO - Dura rotina



"Gosto bastante da escola, é bom trabalhar no distrito mas o que pesa é a distância", afirma Elizabete Aparecida Alves Lopes


Acordar todos os dias por volta das cinco horas. Pegar um transporte até o centro da cidade. Depois pegar um ônibus que irá rodar por pelo menos mais uma hora até o local de trabalho. Trabalhar o dia todo, e fazer todo o percurso contrário até chegar em casa por volta das 19 horas. Essa é a rotina de muitos trabalhadores nos grandes centros, mas também de muitos professores que trabalham nas escolas rurais nos distritos de Londrina. Eles contam com ônibus oferecidos pelo município para chegar ao local de trabalho, mas isso não atenua a dura rotina. Como consequência, muitos acabam pedindo remoção para escolas mais próximas de casa, causando alta rotatividade nas escolas rurais.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 292 professores atuam nas 11 escolas dos distritos e nas duas nos assentamentos Eli Vive I e Eli Vive II. Destes, 162 moram em Londrina e usam o transporte oferecido pelo município para chegar ao local de trabalho.

Entre os professores que se deslocam todos os dias até o local de trabalho, o cansaço e o tempo que gastam são reclamações frequentes. "É bastante desgastante. Acordo por volta das cinco horas e retorno para casa por volta das 18h30. Quando chove preciso levar uma roupa reserva, já que ando 15 minutos até o ponto do ônibus. Chegando em casa, a vida continua. Como minha esposa trabalha até a noite, quando volto para Londrina busco meu filho na casa da cuidadora, dou banho, dou comida", conta o professor da Educação Infantil Edivaldo Pereira da Silva, que há oito anos percorre diariamente os 56 quilômetros que separam Londrina do Distrito de Lerroville, onde leciona na Escola Municipal Professor Bento Munhoz da Rocha Netto.

Ele conta que já pensou em pedir remoção para uma escola mais próxima de sua residência, mas como trabalha durante as manhãs em um colégio de Tamarana, distante três quilômetros de Lerroville, não voltaria para Londrina a tempo do turno da tarde.

Rotina semelhante tem a professora do Ensino Fundamental Elizabete Aparecida Alves Lopes, que mora em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). Há três anos, diariamente, ela vem de ônibus até Londrina, onde pega o transporte oferecido pela Secretaria de Educação até o Distrito de São Luiz, distante 32 quilômetros de Londrina, onde dá aulas na Escola Municipal Francisco Aquino Toledo.

"Venho de manhã e fico durante todo o dia. Chego em casa depois das 19 horas. Tenho dois filhos de 13 e 14 anos e conto com a ajuda da minha mãe para cuidar deles. Gosto bastante da escola, é bom trabalhar no distrito mas o que pesa é a distância. Entendo que a mudança de professores atrapalha os alunos, mas só fica quem precisa. Passo quase quatro horas no trânsito, se esse deslocamento fosse remunerado acredito que seria um incentivo", afirma.
Érika Gonçalves
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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