ASSAÍ - Voluntariado que resgata crianças e jovens



O policial militar José Roberto Negri (de camisa azul com a bola na mão) se apoia no esporte para dar novo rumo ao futuro de muitos jovens em Assaí

Assaí - Há quase dez anos, o soldado José Roberto Negri, do 18º Batalhão de Polícia Militar do Paraná, começou um trabalho que, mal sabia ele, mudaria a vida de muitas crianças e jovens de Assaí. Por meio do esporte, ele conseguiu melhorar a socialização, a disciplina, o comportamento e até influenciar na escolha da futura profissão de muitos alunos. Pelo projeto Cultura e Esporte Formando Cidadão (Ceforc) já passaram mais de 500 atletas entre 8 e 21 anos. Hoje, cerca de 80 participam ativamente dos treinos de futsal e futebol de campo na cidade.

Negri conta que quando começou a atuar como permissionário do Colégio Estadual Conselheiro Carrão e se mudou para a sede da escola para garantir a preservação do patrimônio público, percebeu que crianças e jovens costumavam pular os muros do local para usar a quadra esportiva. "Fizemos um acordo com a direção do colégio e achamos por bem abrir os portões, o que fez crescer o interesse das crianças e também dos pais", conta. No fim do dia, durante a semana, a quadra fica disponível para os treinos de futsal. Por meio de parcerias e ajuda da comunidade, o projeto conseguiu materiais esportivos para manter os alunos.

"O idealismo do projeto não era formar atletas profissionais, mas garantir que as crianças tivessem disciplina na escola e em casa", afirma Negri. Para isso, o soldado da PM envolveu pais e professores. "Tínhamos atletas nas drogas e no crime. E com a ajuda de parceiros, conseguimos mudar o pensamento e o comportamento deles em casa e na escola", diz. Além dos treinos diários, os alunos também participavam de jogos amistosos e campeonatos com equipes de cidades vizinhas. Voluntários da área da Educação Física e até psicólogos começaram a atuar no projeto. "Sempre buscávamos um pastor ou padre para falar uma palavra aos jovens", comenta.

Segundo Negri, muitas das crianças que participavam do Ceforc mal tinham o que comer em casa. Mesmo assim, aprendiam que o pouco que tinham devia ser compartilhado. Isso era ensinado por meio de campanhas realizadas pelo projeto, como a arrecadação de alimentos feita para ajudar a Apae local. "A entidade estava com dificuldades. Organizamos um campeonato regional e a inscrição era um quilo de alimento por atleta. Arrecadamos e doamos tudo para a Apae", conta. Para o PM, o trabalho desenvolvido com as crianças é gratificante. "Se cada um assentar um tijolinho, em pouco tempo temos um grande castelo construído", ilustra.

BOA ACEITAÇÃO
Não é exagero afirmar que o projeto social conduzido voluntariamente pelo policial militar com a ajuda de parceiros e da comunidade local transformou a vida de muitos jovens. O bombeiro comunitário, professor de uma escolinha de futsal em Assaí e um dos apoiadores do Ceforc, Genival de Paula, diz que o projeto ajudou a resgatar muitas crianças da rua. "Somos de uma cidade pequena e a bandidagem fica na cola da molecada. Graças ao trabalho do Negri, muitos jovens estão na faculdade hoje", afirma.

Na avaliação do educador físico, conselheiro do Conselho Regional de Educação Física (Crefi) e também apoiador do Ceforc, José Luís Silva, o projeto é muito importante, pois atende crianças que até então eram desassistidas. Ele lembra que muitas vêm de famílias de baixa renda e de regiões pobres da cidade. Além de colaborar na organização de campeonatos, arrecadação de materiais para premiações – como medalhas e troféus – e patrocínio para as equipes, Silva também contribui com orientação. Ele lembra que Negri foi registrado pelo Crefi e, para isso, participou de um curso de capacitação de duas semanas em Curitiba.
Amanda de Santa
Especial para a FOLHA DE LONDRINA
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