Reunião com secretários marca primeiro dia de Marcelo Belinati



Mal o dia havia clareado e já era grande a movimentação no gabinete do prefeito Marcelo Belinati (PP) nesta segunda-feira (2). No primeiro dia de trabalho à frente da Prefeitura de Londrina, ele se reuniu com o secretariado para discutir os rumos de sua administração e pedir o apoio de cada pasta na economia de recursos públicos, necessidade mencionada pelo novo prefeito diversas vezes durante o encontro. Apenas dois representantes do primeiro escalão do governo já anunciados não compareceram, o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Moacir Sgarioni, e a secretária de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes.

A reunião com o secretariado começou com uma prece conduzida pelo Pastor Góes, que até recentemente atuava como assessor de Marcelo Belinati em Brasília (DF), onde o atual prefeito exercia o cargo de deputado federal - prática comum de seu tio Antônio Belinati, durante as três gestões que comandou a prefeitura de Londrina. Também estiveram presentes dois nomes que não compõem o secretariado, mas foram convidados pelo prefeito a juntar-se ao grupo: o ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná Luiz Neme e o membro do diretório do PMDB em Londrina Elzo Carreri.

No encontro, o prefeito utilizou repetidas vezes expressões como "sangue no olho" e "cortar na própria carne", dando o tom do que pretende ser sua administração. "Nossa equipe está com ânimo, entusiasmo e disposição para efetivamente implementar as transformações que a nossa cidade tanto precisa e tanto merece. A gente tem de cuidar da nossa cidade, da nossa prefeitura, como a gente cuida da nossa casa."

Belinati também fez questão de reforçar a todo momento os R$ 141 milhões de deficit projetados para 2017 pela comissão de transição escalada por ele. "(A prefeitura vive) uma situação extremamente delicada. Nós vamos ter que ter muita responsabilidade nos serviços públicos. Estamos construindo a análise dos dados para aí sim divulgar as medidas que nós podemos tomar para passar este momento difícil, tanto de crise nacional quanto de crise das finanças do município." Segundo o prefeito, o município tinha, até 31 de agosto de 2016, uma dívida de R$ 550 milhões, mas o valor deve ser atualizado agora e deve subir um pouco mais.

Algumas ações já adiantadas por Belinati serão o corte no pagamento de aluguéis considerados desnecessários e a extinção de funções gratificadas, que hoje custam cerca de R$ 30 milhões ao ano aos cofres municipais. O pagamento de horas extras, que somam R$ 40 milhões ao ano, conforme o prefeito, também deve ser revisto. "Tem secretaria que aluga quatro salas e só usa uma. Você faria isso com o seu dinheiro? Certamente não faria. São essas questões que temos que readequar. São vários gargalos de perda de recursos público que vamos corrigir. Estamos concluindo todo esse estudo e amanhã (terça-feira) estaremos divulgando esses dados." O prefeito garantiu, porém, que programas, projetos e serviços públicos que atendem a população de modo eficaz não serão cortados.

O acúmulo de funções por alguns dos novos secretários, destacou Belinati, é uma das medidas de contenção de custos já adotadas por ele. "Londrina tem uma estrutura administrativa grande, são 29 órgãos e secretarias, é quase um ministério da Dilma (Rousseff), e isso precisa ser corrigido. Vamos equacionar essa questão. Alguns secretários estarão, neste primeiro momento, acumulando funções até para que possamos ter um tempo adequado para formatar juridicamente a reforma administrativa que desejamos." Além de cortar custos, outra meta para superar o momento de crise é aumentar a arrecadação do município, atraindo empresas e estimulando o comércio e todos os outros setores da economia, disse o prefeito.

O secretário de Fazenda e Planejamento, Edson Antônio de Souza, espera arrecadar entre R$ 150 milhões e R$ 160 milhões com a cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que neste ano sofreu reajuste de 6,85%. A estimativa já considera o índice histórico de inadimplência de 20%. O cadastramento de imóveis novos deve render R$ 23 milhões aos cofres municipais. "Vai ser um ano extremamente difícil", prevê o secretário.

"As pessoas estão insatisfeitas com o atual modelo de gestão e tem que envolver toda a sociedade nesse processo. O papel da nossa gestão é criar um canal de participação com a comunidade", defendeu o secretário de Assuntos Estratégicos, Luiz Figueira de Mello. "Eu acredito muito na integração do trabalho de toda a equipe. Às vezes não temos dinheiro, mas temos ações. Essa questão é fundamental", acrescentou a secretária de Assistência Social, Nádia Moura.

A ausência do presidente da CMTU, Moacir Sgarioni, e da secretária de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes na reunião da manhã foi justificada pela assessoria da prefeitura como uma "falha de comunicação". No período da tarde eles trabalharam normalmente.

SERVIDORES 
Após a reunião com os secretários, Marcelo Belinati recebeu em seu gabinete representantes dos servidores públicos municipais. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), Marcelo Urbaneja, o objetivo era inteirar o prefeito da pauta de reivindicação da categoria para este ano, protocolada na prefeitura em dezembro. "Vamos deixar o prefeito informado sobre a nossa pauta e os assuntos emergenciais em saúde e o que pode ser melhorado, como questões ligadas à segurança do trabalho e auxílio alimentação. São coisas antigas que a gente não conseguiu vencer nos últimos quatro anos."

Encerrados os compromissos em seu gabinete pela manhã, a agenda do prefeito incluía, à tarde, reuniões e visitas a entidades e associações da cidade.
Simoni Saris
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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