Como iniciativa pessoal de imigrante russa ajudou Dinamarca a reduzir desperdício de comida em 25% em 5 anos.



Selina Juul vê desperdício de alimentos como ‘falta de respeito com a natureza, com a sociedade, com as pessoas que produzem e com os animais’ (Foto: BBC)
A incrível redução de 25% em cinco anos no desperdício de comida na Dinamarca se deve, em parte, à iniciativa de uma ativista.
A designer gráfica russa Selina Juul, de 36 anos, se mudou para o país na década de 1990, aos 13 anos, e lembra-se de sua primeira reação ao chegar.
“Eu vim de um país onde havia escassez de alimento”, conta Juul. “Quando o comunismo entrou em colapso, houve também o colapso da infraestrutura. Não tínhamos certeza de que teríamos comida na mesa.”
“Então cheguei à Dinamarca e vi esta abundância de alimentos, vi os supermercados cheios de comida…”, diz.
 No mundo, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçado a cada ano  (Foto: BBC) No mundo, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçado a cada ano  (Foto: BBC)
No mundo, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçado a cada ano (Foto: BBC)
Anos depois, após trabalhar na padaria de um supermercado, Selina percebeu o quanto era desperdiçado diariamente.
“Fiquei chocada de ver tanta comida sendo jogada fora”, afirma.

Campanha nas redes

Em 2008, então, Selina iniciou uma campanha para incentivar dinamarqueses a pararem de desperdiçar alimentos.
Ela inaugurou a página no Facebook Stop Spild Af Mad (Pare de desperdiçar comida), que se tornou tão popular que em menos de duas semanas o assunto ganhou o noticiário nacional.
 Redes de supermercado, como o REMA 1000, aderiram à campanha contra o desperdício  (Foto: BBC) Redes de supermercado, como o REMA 1000, aderiram à campanha contra o desperdício  (Foto: BBC)
Redes de supermercado, como o REMA 1000, aderiram à campanha contra o desperdício (Foto: BBC)
“Ela era uma russa esquisita que apareceu com uma ideia maluca sobre parar de desperdiçar comida”, comenta Maria Noel, relações públicas da Dagrofa, empresa de varejo que controla três marcas de supermercados no país.
“E ela foi muito longe desde então. Ela basicamente mudou toda a mentalidade da Dinamarca.”
Após a campanha nas redes, ela foi contratada pela REMA 1000, a maior cadeia de supermercados com descontos massivos do país, para ajudar a encontar formas de impedir o desperdício de alimentos em suas 283 lojas.
Os supermercados pararam de oferecer descontos do tipo “leve 2 ou 3 e pague menos” para alimentos e começaram a focar em descontos para itens unitários.
“Nós desperdiçávamos cerca de 80 ou 100 bananas por dia. Depois que colocamos o desconto em bananas unitárias, com a placa ‘Me leve, estou sozinho’, conseguimos reduzir o desperdício em 90%”, conta Max Skov Hansen, de uma das lojas REMA 1000.
Outros supermercados seguiram esse e outros exemplos – como a ideia de reduzir a produção própria de pães e produtos de confeitaria, que eram desperdiçados às milhares de toneladas no país a cada ano.
Mas para Juul, “os maiores desperdiçadores de comida na Dinamarca são os consumidores”, que precisariam ser reeducados.
A ativista lançou um livro de culinária com sobras de comida, criou um programa de educação sobre o assunto em escolas e presta consultoria a três governos regionais.

Vanguarda

No mundo, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçado a cada ano. A Dinamarca está na vanguarda da luta contra o problema, e vem reduzindo seus índices, embora ainda destine 700 mil toneladas de comida ao lixo por ano.
Além de ajudar na campanha de Juul, o governo federal tem investido em medidas que tiveram sucesso, como a criação de uma iniciativa voluntária juntando o setor público e o privado.
Redes de supermercados reduziram a oferta de descontos que animavam pessoas a comprar mais do que precisavam.
Restaurantes passaram a vender, em aplicativos, comida que sobrou. E empresas como a Unilever cedem embalagens para que as sobras de restaurantes e supermercados sejam “recicladas”.
“O desperdício é algo desrespeitoso”, comenta Juul. “É a falta de respeito com a natureza, com a sociedade, com as pessoas que produzem, com os animais”.
“É ainda uma falta de respeito com seu tempo e dinheiro porque você está jogando fora a comida que você comprou”, finaliza.
Em outras palavras, Juul está bastante ocupada. “Eu não tenho vida”, ela ri. “Não tenho mais finais de semana”.
Fonte: G1
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