Norte Pioneiro registra 144% de aumento em ataques a bancos



Em Andirá, explosões dos caixas, além de bomba deixada na agência pelos assaltantes forçou interdição da rua por várias horas prejudicando moradores


Quem vive no Norte Pioneiro tem tido a impressão de que, nos últimos tempos, a região se tornou o alvo preferido das quadrilhas de roubo a bancos. Só na semana passada, duas cidades foram alvo, Andirá e Siqueira Campos. Não é só impressão. Segundo dados do Sindicato dos Vigilantes do Paraná, enquanto o número de ocorrências no Estado caiu pela metade em 2016, nos municípios do Norte Pioneiro ele quase triplicou. Para a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), a proximidade com o estado de São Paulo pode explicar esse cenário.
Os registros feitos pelos vigilantes apontam que o total de ataques a bancos, caixas eletrônicos e lotéricas em todo o Paraná caiu de 403 em 2015 para 206 no ano passado, uma redução de 48,8%. No mesmo período, o Norte Pioneiro testemunhou um salto de 9 para 22 ocorrências, um aumento de 144,4%. Pelo que se viu nestes primeiros meses de 2017, este também não deve ser um ano fácil para as redes bancárias na região: até 13 de março, quatro cidades foram alvos de roubos a bancos no Norte Pioneiro: Curiúva, Arapoti, Andirá e Siqueira Campos. No ano passado, no mesmo período, apenas duas ocorrências foram contabilizadas na região.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Vigilantes, João Soares, a redução de roubos a bancos no Paraná se deu por causa de algumas medidas de implementadas pelos próprios bancos. "Como em 2015 o número de ocorrências foi bastante alto, os bancos retiraram muitos dos caixas eletrônicos que ficavam fora das agências. Além disso, a retirada de dinheiro à noite e nos fins de semana ficou mais restrita, o que permitiu reduzir o volume de dinheiro nos caixas", exemplifica Soares.
Já para o aumento desses crimes no Norte Pioneiro ninguém tem explicação. Para a Sesp, a posição geográfica da região pode estar entre as causas. "As quadrilhas agem em diversos estados do país e não há razões que expliquem o aumento dos casos nesta região. Talvez a proximidade com o estado de São Paulo, local em que as quadrilhas têm forte atuação, possa ser um dos motivos", afirmou, por e-mail, a assessoria de imprensa do órgão.
A Sesp afirmou ainda que os casos de explosão de caixas eletrônicos são ações do crime organizado. E muito organizado. Agindo, quase sempre, em grupos grandes, os criminosos têm colocado em prática planos audaciosos e aterrorizantes, como o que se viu em Andirá no último dia 8. Cerca de 20 bandidos se dividiram numa ação orquestrada: enquanto um grupo invadia a agência para explodir os caixas eletrônicos e o cofre central, outro permaneceu próximo ao comando da Polícia Militar para impedir que os policiais saíssem e outro bloqueava os dois principais acessos à cidade com caminhões roubados e incendiados, também para evitar a ação da polícia. Dois dias depois, parte da quadrilha foi desmantelada pela PM em Londrina. Dois suspeitos morreram no confronto e um foi preso.

POLÍCIA
Armar cercos nas unidades policiais, trancar portões para impedir a saída de viaturas, jogar pregos nas ruas para furar os pneus são algumas das estratégias que esses criminosos têm utilizado para impedir a ação da polícia no momento dos ataques. Outro aspecto que tem se repetido nessas ocorrências é o fato de ocorrerem em pequenas localidades. Das quatro cidades do Norte Pioneiro atacados por essas quadrilhas neste ano, nenhuma tem mais de 25 mil habitantes.
A assessoria de imprensa da Sesp explica que nas pequenas cidades o efetivo da Polícia Militar é menor porque a atividade criminal também costuma ter menor potencial. Mas as quadrilhas de roubo a bancos têm mudado essa lógica. "Para combater estas quadrilhas, é preciso um eficiente trabalho de inteligência. Por conta disso, foi criada uma força-tarefa para investigar e prender estes criminosos", diz o órgão.
Essa força-tarefa, de acordo com a Sesp, deflagrou diversas operações ao longo dos últimos meses. Em 2016, mais de 100 suspeitos de envolvimento em explosões de caixas eletrônicos foram presos.

Arquivo FOLHA
Arquivo FOLHA - Destruição causada por bombas chegam a deixar agências fechadas aos clientes por meses, como em Sengés no final de 2014
Destruição causada por bombas chegam a deixar agências fechadas aos clientes por meses, como em Sengés no final de 2014


Prejuízos afetam a todos
Os ataques aos bancos causam grandes prejuízos a essas instituições, já que, além de muitas vezes levaram altas quantias em dinheiro, esses criminosos deixam as agências totalmente destruídas. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os danos das explosões forçam os bancos a reformar o local e a repor os equipamentos danificados, sem reaproveitamento de peças ou maquinário. "Nesses assaltos e arrombamentos os criminosos usam força desproporcional, com armamentos pesados, de elevado poder de destruição", ressaltou a entidade em nota enviada à reportagem.
Mas o prejuízo não é só da rede bancária. A população que, em alguns municípios conta apenas com uma ou duas agências bancárias, fica sem acesso aos serviços financeiros, muitas vezes, por tempo indefinido. "Nós já vimos alguns casos na região em que agências que apresentavam pouca rentabilidade foram assaltadas e o banco optou por não reabri-las, sem se preocupar com a comunidade", conta o presidente do sindicato de Cornélio Procópio, Elizeu Marcos Galvão.
Segundo ele, normalmente, os funcionários dessas agências são realocados em outras agências, muitas vezes, em outros municípios, prejudicando também os bancários. Mas o maior prejuízo para esses profissionais costuma ser psicológico. "Mesmo quando não há violência contra as pessoas ou quando o crime ocorre fora do horário de expediente, essas situações podem causar graves traumas psicológicos, não só para os bancários, mas para os vizinhos e a população em geral", afirma Galvão.
Para ele, as medidas tomadas pelas redes bancárias contra esses crimes visam apenas reduzir os prejuízos financeiros. "Por isso, nós cobramos sempre nas negociações mais segurança para usuários e funcionários dos bancos", disse.
Em nota, a Febraban disse que os esforços aplicados contra esse tipo de crime são resultado de uma preocupação constante com a segurança de clientes e funcionários. "Os bancos brasileiros conciliam duas importantes frentes de atuação para impedir o avanço da criminalidade, da qual são igualmente vítimas: investimento relevante no aprimoramento da segurança bancária, da ordem de R$ 9 bilhões, o triplo do que era gasto dez anos atrás, e cooperação intensa com as autoridades encarregadas da segurança pública." (J.G.)
Juliana Gonçalves
Especial para a FOLHA DE LONDRINA
 

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