Setor de defensivos não acompanha pujança dos grãos



As novidades do mercado estão mudando o tipo de defensivos usados pelo produtor rural e o nível de consumo


Os números exuberantes para a safra brasileira 2016/2017, que pode chegar a 222,9 milhões de toneladas segundo as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), não encontram correspondência no mercado interno de defensivo agrícolas. O desempenho deste setor nos últimos dois anos registrou queda superior a dois dígitos (-1%, no ano passado, e 22%, em 2015).
As razões do fraco desempenho das empresas que produzem e comercializam defensivos agrícolas estão pulverizadas. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) considera que os fatores que mais contribuíram para esse resultado foram a desvalorização do real, a presença significativa de produtos ilegais no mercado, queda de preços, redução nível de incidência de pragas nas lavouras dada à seca, novas tecnologias de controle e o clima que impacta as áreas agrícolas em todo o País. "As previsões para 2017 são cautelosas com tendência de queda por conta dos produtos ilegais, dos estoques e do risco de crédito da indústria", observa a diretora executiva do Sindiveg, Silvia Fagnani.
Para o analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas Fernando Muraro Júnior, os números do setor não surpreendem. "Há cinco anos foram lançadas variedades mais resistentes de plantas, o que já indicava essa ameaça ao consumo de inseticidas. Além disso, ao contrário do que estamos tendo neste ano, a safra anterior teve uma seca rigorosa, com o Mato Grosso registrando uma quebra histórica, o que afetou sobremaneira na compra de defensivos", recorda.
Ele aposta que, neste ano, um panorama climático bastante diferente seja um fator favorável ao setor, embora, como mesmo defenda, as novidades do mercado estão mudando o tipo de produtos usados pelo produtor rural e o nível de consumo.



NA CONTRAMÃO
Nem todo mundo encolheu no setor de defensivos. A Adama Brasil – que possui uma unidade em Londrina e outra na cidade gaúcha de Taquari – cresceu 8% em 2016, registrando um faturamento líquido de R$ 1,5 bilhão. "Há cerca de cinco anos mudamos nossa estratégia de produtos no Brasil para termos um portfólio mais completo para o agricultor, desde produtos genéricos até produtos diferenciados. A gente vem estruturando essa estratégia e oferecendo novas soluções todos os anos. Somos a empresa que tem o portfólio mais amplo do mercado", aponta o presidente da Adama Brasil, Rodrigo Gutierrez.
Ele acredita que essa diversificação de produtos incrementada pela diferenciação de oferecer tecnologias de Israel, que é uma referência no desenvolvimento do agronegócio e em tecnologias digitais para suporte ao trabalho do agricultor, estão conferindo a performance positiva à unidade brasileira. "Isso tem nos ajudado a construir melhores relações com agricultores, cooperativas e distribuidores, assim ganhando a confiança e participação no negócio do cliente".
Sobre os fatores que prejudicam o mercado de defensivos agrícolas no Brasil, Gutierrez reforça a reclamação do Sindiveg no que tange à presença de um comércio ilegal. "É significativa a entrada de defensivos ilegais contrabandeados, entrando principalmente pelas fronteiras secas e, assim, tomando espaço do mercado local e regulamentado", constata. "Na verdade, não existe apenas uma resposta. Podemos citar como fatores principais a falta de liquidez financeira do agricultor e da rede de distribuição, principalmente nos Cerrados."
Segundo ele, antes de o Brasil perder crédito, os agricultores investiram fortemente em novas terras, abertura para plantio e maquinário. "Quando perdemos o ‘Investment Grade’, os bancos sumiram e o setor se viu descapitalizado. Agricultor com menor liquidez investe menos na lavoura, minimizando uso de defensivos até em situações abaixo do limite de segurança", admite.
Magaléa Mazziotti
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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