Saúde pública ‘adoece’ no Norte Pioneiro



Falta de médicos nas Unidades Básicas de Saúde aumenta a demanda de atendimentos no Pronto Socorro Municipal de Santo Antônio da Platina

Santo Antônio da Platina - É grave o estado da saúde pública no Norte Pioneiro por conta da falta de profissionais do setor. Conforme apurou a FOLHA, a grande maioria dos municípios enfrenta o problema, aparentemente, difícil de solucionar. Segundo os secretários da pasta na região ouvidos pela reportagem, a baixa remuneração dificulta a contratação dos médicos, que optam por plantões por meio de prestação de serviço. Por outro lado, a avaliação é de que parte dos profissionais está sendo dispensada pelos municípios por falta de dinheiro em caixa para o pagamento da folha.

Em Cornélio Procópio, o secretário municipal de Saúde, Anderson Cristiano de Araújo, disse que o problema ocorre não só na cidade, mas em praticamente todos os municípios que compõem o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte do Paraná (Cisnop). Segundo ele, faltam reumatologista, geriatra, ortopedista, neurologista, pediatra e neuropediatra.

O secretário explica que para suprir o deficit no município, a prefeitura contratou uma empresa particular para prestar atendimento médico por meio de plantões. "Para trabalhar 8 horas por dia o profissional recebe R$ 7,2 mil mensal, enquanto com a prestação de serviços a remuneração é de R$ 1,4 mil por cada 12 horas de plantão. Se não há interesse dos médicos pelo concurso público, a alternativa é contratar prestadores de serviço, o que deve ocorrer via Cisnop para tornar o processo legal", explica Araújo.

De acordo com o secretário, as 12 Unidades Básicas de Saúde de Cornélio Procópio contam cada uma com um clínico geral, e parte delas com pediatras e ginecologistas, porém, faltam psicólogos e fonoaudiólogos. Segundo avalia, o programa Mais Médicos (do governo federal), que deveria minimizar o problema, também não surtiu o efeito esperado. "O principal problema nas contratações está na remuneração oferecida aos candidatos que pretendem prestar o concurso público. Além disso, dos três médicos cubanos credenciados pelo governo federal no município, dois não se adaptaram e foram embora comprometendo ainda mais a situação", avalia.

Além da falta de médicos, a Secretaria Municipal de Saúde de Cornélio Procópio enfrenta outro grave problema, segundo o secretário da pasta, o atendimento a pacientes de outras cidades da região. "Durante os plantões médicos extras de 12 horas contratados para atender nossa população, nós flagramos veículos de outros municípios trazendo pacientes para serem consultados em Cornélio Procópio por falta de médicos em suas respectivas cidades. Eles apresentam comprovantes de endereço falso, e acabam sendo atendidos aqui", denuncia.

Em Santa Amélia, cidade com aproximadamente quatro mil habitantes que integra a 18ª Regional de Saúde de Cornélio Procópio, não há médicos para atender a população segundo o secretário Anderson Cristiano de Araújo. A prefeitura tenta contratar os profissionais de saúde por meio de prestação de serviços via Cisnop.

Já em Santo Antônio da Platina, somente este ano, seis médicos foram desligados do quadro de atendimento à rede pública. Dois profissionais pediram exoneração dos cargos, e quatro não tiveram os contratos pelos programas de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab) e do Mais Médicos renovados.

A secretária municipal de Saúde, Ana Micó da Costa, informou que o processo de cadastramento para solicitar novos profissionais foi feito pela prefeitura, que tem cobrado agilidade nas contratações aos responsáveis. O município também enfrenta o mesmo problema que ocorre em Cornélio Procópio, em relação ao atendimento prestado nas unidades a pacientes de cidades vizinhas.

Conforme os gestores ouvidos pela FOLHA, a contratação dos médicos ocorre por meio de concurso público de responsabilidade dos municípios. A contratação da prestação de serviços, no entanto, deve ocorrer por intermédio dos consórcios municipais de saúde.

OUTRO LADO

Ouvido pela reportagem, um médico que pediu para não ser identificado reconhece os baixos salários oferecidos pelas prefeituras, porém contesta a versão de que seria a única razão para a falta de profissionais interessados em trabalhar na rede pública de saúde no Norte Pioneiro. Segundo o profissional, muitos médicos tiveram seus contratos de prestação de serviço rescindidos pelas prefeituras, principalmente nos municípios que integram a 19ª Regional de Saúde de Jacarezinho, por falta de índice para o pagamento das folhas. Os desligamentos ocorreram ao longo de 2016 e continuam acontecendo este ano. "As prefeituras alegam falta de dinheiro por conta da crise econômica para pagar os profissionais, e os dispensam justificando que os atendimentos serão realizados por médicos concursados", explica.

O médico, no entanto, avalia que o problema é momentâneo e que mesmo diante dos baixos salários oferecidos há profissionais recém-formados em busca de oportunidades no mercado, porém salienta que a população também precisa dar a sua contribuição. "A medicina praticada nos postos de saúde infelizmente é muito frustrante. Muita cobrança, e pouca resolução. Mas a grande maioria dos profissionais recém-formados busca por trabalho, e estão dispostos a enfrentar os desafios. Por outro lado, há um desrespeito muito grande por parte da população em relação a esses profissionais, o que torna a oportunidade de emprego nos postos de saúde pouco atrativa", pondera.

A reportagem tentou ouvir a 19ª Regional de Saúde sobre o assunto, mas foi informada que a responsável pelo setor não e se encontrava no momento, mas retornaria o contato, o que não ocorreu até o fechamento desta edição.
Luiz Guilherme Bannwart Especial para a FOLHA DE LONDRINA
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