Norte do PR fica fora de novos projetos do Minha Casa Minha Vida



O Ministério das Cidades anunciou nesta sexta-feira (2) as novas contratações para a faixa 1 do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que contempla famílias com renda mensal bruta limitada a R$ 1,8 mil. O investimento previsto é de R$ 2,1 bilhões para projetos em 77 municípios. No Paraná, são 11 projetos selecionados em sete cidades.
Londrina ficou de fora. O município está com restrição em função da suspensão das obras do Residencial Flores do Campo, na zona norte. Foram escolhidos projetos na modalidade FAR (Fundo de Arrendamento Residencial). A região Sudeste (49) somou o maior número de propostas selecionadas, seguida pelo Nordeste (40), Sul (18) e Norte (15).
De acordo com o ministério, desde 2014 nenhuma contratação foi feita para a faixa 1 do programa e o FAR passa a privilegiar critérios de urbanização, infraestrutura prévia e proximidade de serviços públicos e centros urbanos. Foram contempladas 25.664 novas unidades, que correspondem a 122 propostas selecionadas pelo ministério.
A meta, para 2017, é que sejam contratadas 170 mil novas unidades habitacionais para esta faixa do programa. Desse total, 100 mil unidades por meio do Fundo de Arrendamento Residencial. Para as novas contratações, o governo estabeleceu como pré-requisito que o município a ser beneficiado não pode ter empreendimentos paralisados no FAR. Os critérios priorizam os municípios com alto deficit habitacional e com propostas próximas a centros urbanos.



PRAZO CURTO 
Os municípios do Norte Central do Estado também ficaram de fora da seleção do governo federal. Apenas Siqueira Campos (Norte Pioneiro) teve projetos aprovados. O presidente da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema, Luiz Nicácio, prefeito de Centenário do Sul, afirmou que o prazo para inscrição dos projetos foi muito curto. "Não houve tempo hábil para cadastrar as propostas. Era preciso ter terreno e as empresas interessadas", comentou. Os municípios tiveram 30 dias para indicar os projetos.
Segundo ele, a região tem um deficit elevado de habitação na faixa 1, mas disse que não há uma estatística consolidada, e que a região só conta com empreendimentos na modalidade FGTS. De acordo com o prefeito, na primeira fase do Minha Casa, Minha Vida, o único empreendimento selecionado pelo FAR foi em Prado Ferreira (Região Metropolitana de Londrina).
Nicácio afirmou que os municípios estão elaborando projetos para captação de recursos com a Caixa Econômica. "A Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná) tem nos auxiliado na prospecção de área", disse. Em Centenário do Sul, foram entregues 98 unidades para a faixa 1, 138 estão em obras e já está aprovada a construção de mais 90. E ainda está esperando a liberação para construção de 30 casas para famílias de baixa renda pelo programa Família Paranaense.

LONDRINA 
O presidente da Cohab-LD (Companhia de Habitação de Londrina), Marcelo Cortez, afirmou que a autarquia vem incentivando as construtoras particulares a investirem em empreendimentos que atendam as famílias de baixa renda e possam utilizar o FGTS para financiar o imóvel.
"Temos tido sucesso com empreendimentos na faixa de zero a três salários-mínimos. Com essa restrição, temos que trabalhar com soluções, até porque mesmo com a reintegração de posse do Flores do Campo, sabemos que há uma escassez de recursos do governo federal", disse o presidente. Há 67 mil inscritos na Cohab e cerca de 80% se enquadram na faixa 1.
O Residencial Flores do Campo tem 1.218 unidades entre casas e apartamentos e foi ocupado em setembro do ano passado, após quase um ano das obras terem sido paralisadas. A Justiça Federal já determinou a reintegração de posse, que ainda não foi executada. A FOLHA procurou a Caixa Econômica para comentar sobre a situação do Residencial, mas a assessoria de imprensa informou que só poderia responder os questionamentos na segunda-feira (5).
As obras no Residencial Alegro Village, no Conjunto Jamile Dequech (zona sul de Londrina), estão em andamento. O residencial, com 144 apartamentos, também faz parte do Minha Casa, Minha Vida e deve ser entregue no final deste ano.
Aline Machado Parodi
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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