Produtores premiados dão dicas sobre conservação



Para Wilson Massambani, primeiro lugar na categoria acima de 50ha, a sustentabilidade está na garantia de sobrevivência do sistema produtivo e na redução de custos


O Paraná já foi referência nacional em conservação de solo, mas a preocupação com a erosão aumentou nos últimos anos, principalmente depois da forte incidência de chuvas causadas pelo El Niño entre o fim de 2015 e o ano passado. Para promover a conscientização entre produtores e tornar conhecidos exemplos de eficiência na questão, o núcleo de Apucarana da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) premiou em 6 de junho, na cidade, os produtores rurais com melhores critérios de conservação do meio ambiente rural, em parceria com o Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) e com as prefeituras dos 13 municípios da região administrativa.

A láurea foi simbólica, com medalhas de ouro, prata e bronze, mas visa dar visibilidade às boas práticas. Wilson Massambani, na categoria acima de 50 hectares, José Romão Moreira, com área entre dez e 50 hectares, além de Jean Rafael Crespo, em propriedade de até dez hectares, estão entre os que ficaram em primeiro lugar.

No caso de Massambani, proprietário da Fazenda São José no distrito apucaranense de São Pedro, é a rotação e a diversidade de culturas que garantem o resultado. Ele planta café, soja, trigo e aveia branca em 240 hectares, além de ter um aviário que fornece adubo verde. Cada talhão de terra recebe uma cultura de inverno diferente a cada ano, o que permite a menor compactação, o melhor uso de palhada e uma permeabilidade maior. "O pessoal vem rebaixando as curvas de nível, deixando sem terraço e pulverizando tudo, mas eu mantenho e venho obtendo uma produtividade sempre de ponta", conta.

Desde 1973 o pai dele plantava café em pequenas áreas, principalmente, até a geada negra de 1975. Foi então que a família resolveu ampliar o uso de outros tipos de grãos e começou a conviver com a erosão. "Começamos então a trabalhar com curva de nível e foi evoluindo com o plantio direto, sempre com o objetivo de garantir a conservação do solo", diz Massambani.



O tipo de curva de nível também mudou com o tempo. Da murundu, ou de base estreita, passou para a embutida e hoje usa a de terraço de base larga. Aliado à rotação de cultura, principalmente pelo plantio de aveia para garantir a palhada, ele diz evitar a erosão. "Meu pai já fazia. Assumi em 1980 e intensifiquei o trabalho", conta.

O agricultor chegou a colher 4,3 mil quilos de soja por hectare em 2015 e 3,8 mil neste ano. Massambani lembra que a sustentabilidade está na garantia de sobrevivência do sistema produtivo e na redução de custos. Por isso, destaca também a proteção de minas com vegetação, cercas e árvores, para sombrear e evitar problemas com água de enxurrada. "É com tudo isso que conseguimos reduzir o uso de herbicidas, de adubos químicos, o que faz com que diminua o custo e a incidência de pragas", completa.

PROSOLO
A premiação é uma extensão do Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná (Prosolo), lançado pelo governo estadual em agosto de 2016. A proposta visa dar suporte e treinamento a agricultores que aderirem até o próximo 28 de agosto, por meio do site www.soloeagua.pr.gov.br.

Com participação voluntária, o produtor terá o benefício de contar com toda a assessoria técnica para a implantação de planos de recuperação. Para tanto, terá de se comprometer com o Emater a apresentar um projeto em até um ano, elaborado por um profissional habilitado, com prazo de três anos para implantação.

Convencer vizinhos é parte do trabalho
O agricultor José Romão Moreira teve até de convencer o vizinho a cuidar melhor de uma mina para garantir a sustentabilidade da propriedade de 12 hectares em Marumbi, Norte do Estado. Também premiado pelo trabalho de conservação do solo e da água, ele diz que nem sempre a informação chega a todos.

"A mina fica em cima da divisa e, do meu lado, plantei bananeiras em volta, por recomendação do técnico, para aumentar a retenção de água, mas do lado dele não havia nada", conta Moreira. "Deu trabalho para convencer, mas é da minha consciência que temos de preservar, ou nossos filhos e netos não conseguirão trabalhar futuramente", completa o dono do Sítio São Sebastião.

Com poucos recursos financeiros e em uma área pequena, Moreira diz que é preciso ser eficiente e correto no trabalho no campo. Curva de nível, represa com proteção e pulverização de agroquímicos somente em nível contribuem para a manutenção das melhores condições.

Ele assumiu a propriedade em 1986, mas diz que o cuidado é de família. "Meu pai já plantava soja e foi premiado em 1982 por ser um agricultor modelo em produtividade", conta, orgulhoso.

Apesar da vigilância, o produtor não escapou de sofrer com a erosão há 15 anos. "O plantio direto veio para ajudar, porque antes eu mexia muito na terra", diz.
Hoje, porém, mudou a cultura de rotação e colheu resultados que o deixaram surpreso. "Nessa safra, que foi a primeira em que plantei aveia, tive uma produtividade superior a 192 sacas por alqueire", cita, sobre o equivalente a 4,5 mil kg por hectare.

SEMPRE ALERTA
Mesmo com todas essas ações, Moreira diz que a mina d'água perdeu força. "Há uns 20 anos dava para abastecer cinco propriedades e hoje ainda garante três, mais dois lagos. Não é muito forte, mas ainda é boa", conta. "É importante para que as pessoas saibam que preservar a mata, o rio, a mina, é o que vai garantir que a próxima geração tenha comida e água", completa o agricultor. (F.G.)
Fábio Galiotto
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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