Acusados pelo Gaeco negam crimes




O advogado e contador Jair Ancioto disse à FOLHA que o cliente foi a Nova Petrópolis (RS) para informar à cozinheira que ela tinha sido vítima de golpe


O empresário Antonio Donizete de Sá, dono de uma empresa de autopeças, o advogado e contador da empresa, Jair Ancioto, e o advogado Adolfo Góis, réus no processo da oitava fase da Operação Publicano por tentativa de embaraço à ação relativa à quarte fase, negaram os crimes que lhes são atribuídos. Também são réus na denúncia, protocolada há uma semana e já recebida pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, a filha e sobrinha de Sá, "laranjas" na empresa, além de outra "sócia laranja" e de Odair, que acompanhou Sá até o Rio Grande do Sul para o encontro com a cozinheira. 

De acordo com a investigação do MP (Ministério Público), Sá constituiu empresa em nome de "laranjas" - sua filha e sobrinha e a admitiu em interrogatório que a empresa era dele. Posteriormente, as parentes foram substituídas no contrato social pela cozinheira gaúcha, que não foi localizada em qualquer endereço para ser citada. Então, falsamente Góis teria protocolado petição nos autos, dando a suposta cliente por citada e, inclusive, segundo o promotor, apresentou defesa em nome dela. Quando a Justiça expediu intimação para que ela fosse interrogada, novamente houve uma fraude, em que Ancioto falsamente teria informado que a "cliente" pedia dispensa do interrogatório. Em entrevista à FOLHA, o promotor Jorge Barreto da Costa, coordenador do Gaeco, disse que se tratava de "uma manobra para impedir que ela fosse localizada e ouvida".

O advogado Adolfo Góis negou as acusações do MP. Disse que era advogado de Sá desde a Publicano 2 (na qual o empresário era réu) e que quem apresentou a procuração falsa em nome cozinheira foi o empresário, quando foi deflagrada a Publicano 4, no final de 2015. "Eu apresentei a defesa prévia dela e das outras sócias, mas não fiz a alegação quanto ao mérito da denúncia." Góis informou que não é mais advogado do empresário desde fevereiro deste ano. "Eu sou vítima dessa história porque fui eu quem informou à Justiça que essa procuração estava sob suspeita e o juiz invalidou este documento", rebateu Góis.

O contador e advogado Jair Ancioto – que defende Sá e seus familiares – também negou quaisquer acusações. Sobre a ida de Odair e Sá para Nova Petrópolis, ele disse que não foram para coagir a cozinheira, mas para informá-la de que ela tinha sido vítima de uma pessoa que havia clonado seus documentos para assinar contrato como acionista da empresa. "Meus clientes foram vítimas porque uma pessoa que se apresentou como uma falsa sócia e utilizou os documentos desta mulher (a cozinheira gaúcha) para entrar como acionista da empresa e ficou registrada apenas por oito dias registrada na junta comercial."

Sobre o pedido de dispensa do interrogatório feito por Ancioto em nome da cozinheira, o advogado admite que usou o recurso. "Foi feito o pedido porque os meus clientes não estavam encontrando a mulher que se apresentou como acionista da empresa à época e nós tínhamos a procuração subscrita pelo antigo advogado."

Aos três, Nanuncio impôs medida cautelar de uso de tornozeleira, que ainda não foi comprida. (Colaborou Loriane Comeli)
Guilherme Marconi
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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