Cooperativa de reciclagem comemora 8 anos de conquistas



O presidente Zaqueo Vieira: "Hoje, com meu trabalho, ajudo muitas pessoas a ganharem dignidade"


Café da manhã especial, dia de beleza, palestras e massoterapia marcaram a semana de comemorações do aniversário de oito anos da Cooper Região, a primeira cooperativa de reciclagem de Londrina. A entidade reúne 151 trabalhadores que realizam desde a coleta seletiva nas casas dos londrinenses até a venda e correta destinação dos produtos. O presidente Zaqueo Vieira garante que há muitos motivos para comemorar. Antes dos "catadores" se organizarem, eles trabalhavam sem muita estrutura nos fundos de vale da cidade, vivendo do que ganhavam no dia, sem benefícios trabalhistas e segurança no trabalho. Em 2009, quando a prefeitura promulgou um decreto determinando que a coleta seletiva fosse feita por cooperativas, 12 associações que atuavam no município se uniram e criaram a Cooper Região. 

"Na informalidade não tinha segurança para os trabalhadores e nem garantia de que a reciclagem seria recolhida. Hoje somos contratados para a coleta", comemora Vieira, presidente da cooperativa que tem uma estrutura que inclui uma chácara, sete caminhões, prensas, esteiras e elevadores.

O antigo "carrinheiro" teve que aprender a administrar e conta que está muito satisfeito com o resultado do trabalho. "Quando trabalhava em firmas, eu ajudava a mim mesmo e ao patrão. Hoje, com meu trabalho, ajudo muitas pessoas a ganharem dignidade", diz. Quem trabalha na cooperativa recolhe INSS, tem auxílio para transporte e alimentação e uma renda média de R$ 1.300,00, dependendo da produtividade. "Muitos foram rejeitados pela sociedade e hoje conseguem ter uma vida digna", afirma. "A minha vida também mudou. Hoje consigo ter coisas que jamais imaginei e tenho condições de ajudar os meus filhos", comemora.

Uma das pessoas que teve a vida transformada pelo trabalho da Cooper Região é Rita de Cássia Souza, 46, moradora da Vila Marísia desde a infância e que, no bairro, casou-se e teve seis filhos. Ex-usuária de drogas, ela e o marido recolhiam materiais recicláveis empurrando um carrinho pelas ruas de Londrina, muitas vezes com os filhos pequenos junto. A família chegou a pedir esmola para ter o que comer, em uma época que traz memórias tristes para a trabalhadora. "Eu me sentia humilhada. Posso dizer que a reciclagem me reciclou", analisa.

Orgulhosa de ver os filhos encaminhados na vida, ela hoje tem um carro e uma casa "bem arrumada". "Recebo qualquer pessoa com orgulho", garante. "Tive uma história triste, mas consegui superar. Agora procuro ser um exemplo para incentivar outras pessoas que precisam de ajuda."

Outra trabalhadora da cooperativa é Priscila Alves, 30, mãe de duas filhas e que, trabalhando na reciclagem, descobriu outro talento: a fotografia. "Sempre gostei de me fotografar, mas trabalhando aqui passei a fotografar também os colegas, principalmente quando não estão vendo", diz. Com esforço, ela comprou recentemente a primeira câmera fotográfica e se tornou a fotógrafa oficial da turma, seja nos eventos ou no dia a dia. "Os momentos da nossa vida são únicos e a fotografia registra isso", considera.

Fim dos lixões é principal bandeira dos catadores
Um dos convidados para as comemorações dos oito anos da Cooper Região foi o coordenador do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Carlos Alencastro Cavalcanti. A organização, que começou a se articular no final da década de 1980 e foi oficializada em 2001, tem como principal bandeira o fim dos lixões.

A estimativa da entidade é que mais de um milhão de pessoas trabalhem com reciclagem no Brasil. O problema é que, nos municípios onde a coleta não é organizada, essas pessoas ganham a vida recolhendo materiais nos lixões. "O que leva alguém a trabalhar no lixão é a necessidade de sobrevivência", diz.

Por isso, uma das principais bandeiras do movimento é a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê o fechamento dos lixões e destinação ambientalmente correta dos resíduos, o que inclui a reciclagem. "Os municípios serão obrigados a ter coleta seletiva", espera ele, que defende o associativismo como a melhor maneira de proteger os catadores. "Em grupo, temos mais visibilidade e ficamos menos vulneráveis", defende. (C.A.)
Carolina Avansini
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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