Gaeco deflagra nova etapa da Operação Publicano



"A denúncia é sobre coação de testemunha, embaraço à investigação, falsidade ideológica", resumiu o promotor e coordenador do Gaeco, Jorge Barreto da Costa


Promotores e policiais do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) cumpriram na manhã dessa quarta-feira (13) mandados de busca e apreensão nas residências e escritórios de um contador, de um empresário e de um advogado que teriam praticado crimes de falsidade ideológica e tentativa de impedir a apuração de fatos narrados na quarta fase da Operação Publicano, cujas audiências de instrução foram realizadas em fevereiro deste ano. 

Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, titular dos processos da Publicano, que deferiu, contra os sete réus, medidas cautelares como o monitoramento eletrônico. O promotor Jorge Barreto da Costa, coordenador do Gaeco, disse que a denúncia já foi protocolada, há pouco mais de uma semana, mas o processo ainda está sob sigilo e, por isso, nos nomes dos réus não podem ser revelados.

Ele explicou que, na Publicano 4, um empresário do setor de autopeças havia constituído uma empresa em nome de "laranjas" - sua filha e sobrinha. "Ele admitiu em interrogatório que a empresa era dele", lembrou o promotor. Posteriormente, as parentes foram substituídas no contrato social por outra "sócia". Tanto ela, quanto o empresário, o contador e as parentes "laranjas" foram denunciados na Publicano 4.

Esta "sócia", no entanto, não foi localizada em qualquer endereço para ser citada. Então, falsamente o advogado teria protocolado petição nos autos, dando a suposta cliente por citada e, inclusive, segundo o promotor, apresentou defesa em nome dela. Quando a Justiça expediu intimação para que ela fosse interrogada, novamente houve uma fraude, em que o advogado falsamente informava que a "cliente" pedia dispensa do interrogatório. "Era uma manobra para impedir que ela fosse localizada e ouvida", explicou o promotor.

Porém, a "sócia laranja" acabou sendo localizada no Rio Grande do Sul e ouvida pela Justiça – seu depoimento, em vídeo, foi enviado para Londrina. "Ela afirma que jamais esteve em Londrina, que não conhece qualquer dessas pessoas e que não sabe como seus documentos serviram para integrar a empresa", relatou Costa. Porém, depois de tudo isso, "o grupo denunciado ainda ofereceu vantagem indevida para que ela alterasse a sua versão dos fatos". "A denúncia é sobre coação de testemunha, embaraço à investigação, falsidade ideológica", resumiu o promotor.

Na Publicano 4, o empresário é acusado de ter aderido a acordo de corrupção e entregado R$ 500 mil, por meio de outro empresário, para Márcio de Albuquerque Lima, então delegado da Receita de Londrina. Com isso, a empresa não foi autuada em auditoria da Receita, segundo a denúncia. Lima seria o líder da organização criminosa incrustada na Receita Estadual, desbaratada pela Publicano, que foi deflagrada em março de 2015. Ao todo, 73 auditores foram acusados. Em sentença de dezembro do ano passado, relativo à Publicano 1, Lima foi condenado a 96 anos de prisão, assim como outros 41 réus daquela ação.
Loriane Comeli
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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