O BRÓCOLIS - Queridinho, saudável (e rentável)




Ele se tornou o "queridinho" da alimentação saudável nos últimos anos no Brasil. Basta dar uma passada de olho pelo Instagram e outras redes sociais, para notar facilmente como o brócolis já é parte essencial do cardápio de atletas, recomendado por nutricionistas, blogueiras fitness, sem dizer que é apontado pela literatura e pesquisas médicas há anos como um grande aliando na prevenção de doenças, principalmente alguns tipos de câncer. 

Se o consumo da hortaliça da família das brássicas (ou crucíferas) – parente da rúcula, couve-flor, repolho e rabanete – cresceu substancialmente, na outra ponta da cadeia, os produtores paranaenses aproveitam para apostar na cultura e, claro, faturar com ela. E com um detalhe importante: com a evolução da tecnologia de sementes, associado ao clima ameno em diversas regiões do Estado, é possível produzir brócolis quase o ano todo no Paraná. Um produto que na agricultura é considerado de alto valor agregado.

Os números mostram a evolução do plantio paranaense nos últimos anos. Em 2012, a área era de 1.166 hectares (ha) e a produção de 19,9 mil toneladas, com uma Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 28 milhões. Três anos depois, a área saltou para 1.987 ha, produção de 41,7 mil toneladas e VBP de R$ 68,1 milhões. Dados, que segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), devem fechar em ainda melhores em 2017. Sim, os chamados consumidores "brocolovers" têm movimentado a olericultura estadual.

No Paraná, os principais municípios produtores são São José dos Pinhais (41%), Colombo (11%), ambos no Cinturão Verde da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), seguido de Tamarana (9%), onde a reportagem da FOLHA encontrou produtores empolgados. O maior produtor do Brasil é São Paulo, seguido pelo Sul de Minas Gerais, que teve um crescimento significativo na produção recentemente. Em território nacional, a cultura movimenta anualmente R$ 1,2 bilhão no varejo, com uma produção de 290 mil toneladas e um crescimento médio de mercado de 4% a 5% ao ano. Os números são da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM).

O professor do departamento de ciências agronômicas de olericultura e nutrição de plantas da UEM (Universidade Estadual de Maringá), Rerison Catarino da Hora, atua por mais de 20 anos com a hortaliça e explica a movimentação atual no sistema produtivo. "Existem duas variedades de brócolis: o de cabeça-única e o ramoso. O consumo no Brasil era maior do ramoso, porque antes existia mais forte a figura das feiras livres. Ele precisava ser colhido no dia. Agora, com advento dos alimentos pré-processados, embalados e congelados, o brócolis de cabeça-única ganhou o maior espaço, já que ele dura mais tempo".

E aí entra o "pulo do gato" do Paraná, já que o brócolis de cabeça-única precisa de frio para ter qualidade. "Temos muitas regiões com clima ameno e com facilidade de produzir em comparação a outros estados, que acabam focando apenas no inverno. Isso nos torna diferenciados". "Outro ponto importante é que o brócolis de cabeça-única tem um manejo mais fácil e necessita de bem menos mão de obra, diminuindo os custos do produtor", complementa Rerison.
Victor Lopes
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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