Mercado sorri para os protéticos



Silviane de Souza é aluna do curso oferecido pela UTFPR e faz estágio em um laboratório: "É o que eu sempre gostei e quero fazer pelo resto da minha vida"

TPD. Para 20 mil profissionais em atividade no Brasil, segundo o registro do Conselho Federal de odontologia (CFO), e outros milhares que estão se preparando em um dos mais de 60 cursos existentes, essas letras significam o passaporte para a realização profissional e financeira, por meio do ingresso na carreira de Técnico em Prótese Dentária, uma profissão em franca expansão no País e no mundo.

O fato de escolher um caminho em direção contrária ao de várias profissões que estão desaparecendo ou em transição por conta das transformações tecnológicas no mundo já é um aspecto extremamente positivo da carreira de TPD, que acompanha esse contexto de inovação. Mas a possibilidade de evolução nos ganhos ao longo da carreira é uma realidade bem comum a quem se dedica a essa atividade seguindo as regras inerentes às demais profissões: ter talento e permanentemente buscar atualização.
"Esta é uma profissão muito gratificante e traz boas recompensas para o bom TPD, porém, ela exige que o profissional tenha muita atenção, concentração e dedicação. Em conta de ser um trabalho manual, o técnico pode levar horas para fazer uma prótese próxima da perfeição e do que o paciente pede", ressalta o presidente da APDESP-BR (Associação de Técnicos em Prótese Dentária do Brasil), Evandro Souza.
"O aperfeiçoamento técnico contínuo por meio de cursos de especialização e a participação em congressos nacionais, como a 15ª edição do Congresso Internacional de Técnicos em Prótese Dentária, que realizaremos entre os dias 26 e 28 de outubro, devem integrar a rotina do profissional que quer ficar atualizado sobre as novas tecnologias e tendências do mercado", indica.

FORMAÇÃO
Em geral, a formação em TPD é feita em dois anos, pelos quais os futuros profissionais encontram um campo de opções para ingressar no mercado de trabalho. "Desde confecção de aparelhos de ortodontia, aparelhos de prótese removível – conhecidos popularmente como "ponte"-, implantes, facetas de porcelana e os trabalhos voltados ao setor de estética, como as famosas lentes de contato", descreve Souza. Para exercer legalmente a profissão, o profissional deve fazer o seu registro no Conselho Regional de Odontologia (CRO).

LONGEVIDADE
Um ponto que chama atenção no mercado de trabalho para o TPD é a longevidade, acompanhada da equidade na oferta de oportunidades de trabalho, independentemente da faixa etária do profissional. Tanto que é comum observar pessoas acima dos 40 anos ingressando nos mais de 60 cursos de formação existentes pelo Brasil e no mercado de trabalho.
É o caso da estagiária do Laboratório ILS, localizado no município de Bela Vista do Paraíso (Região Metropolitana de Londrina), Silviane Carvalho de Souza, 44 anos. Aluna do segundo ano do curso ofertado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no campus de Londrina, a futura TPD desde os 13 anos nutre um apreço pela futura profissão. "Meu primeiro emprego, como ajudante, foi neste mesmo laboratório e me encantei por gostar muito de atividades manuais. Só que após concluir os estudos, eu passei 20 anos morando em São Paulo. Por contratempos e a necessidade de sobrevivência, acabei desviando desse caminho, mesmo tendo iniciado o curso duas vezes. Ano passado, quando voltei para Bela Vista do Paraíso para cuidar da minha mãe, tudo se encaixou com a agenda da UTFPR e, finalmente, estou fazendo o que sempre quis", resume Silviane.
O mais curioso é que a oportunidade do primeiro emprego de ajudante, aos 13 anos, veio por intermédio do fundador do Laboratório ILS, Pedro Roberto da Silva. A vaga de estagiária, com ela cursando o TPD, veio sob a gerência do filho do fundador e também profissional do ramo, o empresário Ingrid List da Silva, mais conhecido por Guido e cujas iniciais dão nome ao laboratório. "É o que eu sempre gostei e quero fazer pelo resto da minha vida, seguindo o exemplo do Guido de se atualizar sempre", assegura ela.
Além do estágio em Bela Vista, Silviane dedica um dia na semana a outro estágio em Londrina, em uma empresa que fabrica aparelho ortodôntico, outra área de atuação do TPD. "Faço estágio durante o dia e estudo à noite, mas está valendo a pena porque é um curso muito bem estruturado, com muito bons professores", elogia. Ciente de que o esforço vem antes de qualquer recompensa, ela acredita que sua trajetória comprova a máxima de que tudo tem o tempo certo de acontecer. "Era para ser agora. Concluindo o curso ao final deste ano, o objetivo é trabalhar bastante com a certeza de que o retorno não é imediato, mas é construído todos os dias", ensina.

Magaléa Mazziotti
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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