Meu filho nunca teve inimizades’, diz pai de garoto morto em escola



O adolescente de 14 anos que atirou e matou dois alunos e feriu outros quatro no Colégio Goyases, em Goiânia, era estudioso, segundo colegas. Mas, de acordo com eles, o menino tem comportamento estranho e perde a paciência com provocações. João Pedro, um dos dois mortos, era o que mais irritava o atirador. “Essa informação que estão dando sobre meu filho ser o desafeto dele é falsa”, disse o publicitário Leonardo Calembo, pai de João Pedro, seu primogênito. “Acordei, fiz um carinho nele e fiz uma oração antes dele descer e disse que o amava. Eu falei isso pra ele hoje, costumava falar todos os dias. Ele me mandou um beijo e disse que me amava. Tenho certeza que ele se foi sabendo que o pai o amava.” Segundo o pai da vítima, o adolescente era alegre e não tinha inimizades. “As notas eram excelentes e ele queria fazer engenharia.”
Na avaliação de Calembo, houve falha dos pais do autor do crime, que eram policiais militares e tinham armas guardadas em casa. “Cabe ver com os pais [do atirador] porque ele teve esse acesso [a uma arma]. Isso foi uma falha dos pais. A arma deveria estar em um cofre.”
O atirador era constantemente chamado de “fedorento”, e colegas chegaram até a levar um desodorante à escola para provocá-lo. Procurado nesta sexta-feira, 20, por telefone, um diretor da escola, abalado, preferiu não se manifestar.
“Numa prova de ética, ele desenhou o símbolo nazista e, em uma roda literária, levou um livro satânico”, relatou uma menina da turma. O episódio, disse, foi em 2016. O rapaz era “estranho e frio”, contou outra estudante. “Se você fizesse uma brincadeira, ele falava que ia te levar para o inferno, que ia matar sua família e te matar.”
Segundo a Polícia Civil, o crime foi premeditado. “Ele pensava em se vingar há aproximadamente dois meses”, disse o delegado Luiz Gonzaga, da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais, para onde o garoto foi levado. A motivação principal foi um garoto que o “amolava muito”, que seria João Pedro.
O atirador admitiu ter feito pesquisas no Google e no YouTube para aprender a carregar a arma da mãe, que estava em um móvel da casa da família. Ele não pediu desculpas, disse a polícia, mas se mostrou arrependido.
Uma coordenadora do colégio foi responsável por convencer o atirador a parar, quando ele recarregava a pistola .40 da mãe. Diante dela, com quem o adolescente tem um bom relacionamento, ele reagiu apontando a arma para a própria cabeça, em sinal de ameaça de suicídio.
Em seguida, baixou a pistola, deu um tiro no chão e gritou: “Chamem a polícia”. Nesta hora, ele travou a arma e aceitou ir com a coordenadora à biblioteca. De lá, foi conduzido para a delegacia. A coordenadora, que teve o nome preservado na investigação, prestou depoimento.
Havia buracos de tiros, segundo a polícia, pelas paredes e manchas de sangue desde o terceiro andar, onde fica a sala em que aconteceu o tiroteio, até o térreo. A perícia identificou preliminarmente ao menos 11 cápsulas de balas.

FACE DO ANTONIO BELINATI II
Meu filho nunca teve inimizades’, diz pai de garoto morto em escola Meu filho nunca teve inimizades’, diz pai de garoto morto em escola Revisado por Blog do Chaguinhas on 11:56:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Anúncios