Temporada de caça aos fungos



Ocorrência da doença deve ser informada pelo site ao Consórcio Antiferrugem


O Paraná teve os dois primeiros focos de ferrugem asiática em lavouras comerciais de soja registrados na última sexta-feira, 24, pelo Consórcio Antiferrugem. O primeiro foi identificado em Itaipulândia e o segundo, em São Miguel do Iguaçu, em áreas semeadas em 16 e 17 de setembro, respectivamente. As duas cidades ficam no sudoeste do Estado, o que exige maior atenção de produtores vizinhos no monitoramento de plantas e no manejo de fungicidas, já que a doença se alastra pelo ar.

Um terceiro foco havia sido comunicado no último dia 20, em Itaberá (SP), próximo ao Norte Pioneiro paranaense. Os pesquisadores da Fundação ABC que monitoram a área afirmam que a incidência é baixa nas lavouras da região, semeadas após o fim do vazio sanitário e que estavam em estádio fenológico R3, de formação da vagem.
A ocorrência de ferrugem é mais comum a partir de novembro e quando há incidência de chuvas constantes, mas pesquisadores afirmam que não há motivo para alarde. No Paraná, os sintomas também são iniciais e foram identificados em lavouras com plantas em desenvolvimento mais avançado, no estádio R5, de enchimento do grão. De acordo com o Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento), 96% dos 5,45 milhões de hectares já foram semeados no Paraná.
A coordenadora da área de sanidade de grandes culturas da Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná), Maria Celeste Marcondes, afirma que a maioria dos produtores já sabe como agir nesses momentos. "A ferrugem é uma doença com a qual aprendemos a conviver e somente não podemos permitir que se instale e prejudique a produção."



CONTROLE
Cabe aos agricultores intensificarem o monitoramento de lavouras em pré fechamento e que estejam próximas aos focos da doença, com assistência técnica para a definição do melhor tipo de fungicidas para controle. "O fungo se espalha pelo vento e não adianta olhar apenas para a própria produção, mas para a região onde se está inserido", diz a pesquisadora Claudia Godoy, da Embrapa Soja.
Com condições climáticas menos apropriadas neste ano, ela lembra que muitas áreas estão com plantio atrasado. Porém, diz que as que estão em pré fechamento já podem começar a usar fungicidas, desde que com assistência de especialistas. Isso porque a ferrugem asiática tem ganhado resistência rapidamente a novos produtos, o que torna necessário usar fungicidas multissítios aliados à rotação dos tipos de sítio específico.
Dados da Embrapa apontam que a repetição de fungicidas, mesmo os recém-lançados, pode levar à perda de eficácia de 90% para 60% no controle da ferrugem em apenas um ano. Ainda, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) suspendeu no fim do ano passado a recomendação de uso no controle da doença para 63 produtos do mercado, por perda de eficiência.
Para o gerente da área técnica da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Irineu Baptista, o produtor precisa ficar atento ao serviço de monitoramento do Consórcio Antiferrugem e da Embrapa, para notificar eventuais focos ou para iniciar o controle em caso de problemas na região em que atua. "É preciso ter o acompanhamento da assistência técnica sempre, que vai recomendar qual o melhor fungicida para cada caso", diz.
Baptista lembra que a incidência de mutações da ferrugem criou um novo cenário de controle e que não se pode relaxar no acompanhamento da doença.

Custo do controle é baixo frente risco de perdas


As perdas causadas pela ferrugem asiática no País giram em torno dos US$ 2 bilhões anuais, quando somados os gastos com as aplicações de fungicidas para controle e com as perdas de produção causadas pela doença, segundo a Embrapa Soja. No entanto, os custos para uso dos produtos é bem menor do que o tamanho do prejuízo que a falta de manejo pode causar ao setor. "São duas ou três aplicações de fungicidas que evitam perdas muito maiores", diz a pesquisadora Claudia Godoy, da Embrapa Soja.
Ela afirma que cada produtor deve começar a fazer o monitoramento da forma mais abrangente possível, principalmente para primeiras semeaduras e locais com acúmulo de umidade. E orienta a coleta dos terços médio e inferior das plantas, cujas folhas devem ser observadas contra a luz em busca de pontuações escuras ou da presença de semelhantes a pequenas feridas ou bolhas no verso das folhas.
Os produtores podem acompanhar e colaborar para os relatos de ocorrência da doença pelo site do Consórcio Antiferrugem (www.consorcioantiferrugem.net). O órgão também tem um aplicativo para smartphones IOs e Android. A Embrapa Soja também mantém um site com informações detalhadas sobre a doença, pelo endereço www.embrapa.br/soja/ferrugem. (F.G.)
Fábio Galiotto
Reportagem Local - FOLHA DE LONDRINA
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