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Paranaense concorre ao 'Oscar dos professores'

Criado inicialmente para o ensino de matemática, o projeto hoje é usado no aprendizado de várias disciplinas


O professor paranaense Rubens Ferronato é um dos 50 finalistas do "Global Teacher Prize 2018", premiação considerada o "Oscar dos Professores". A cerimônia que anunciará o vencedor será realizada em Dubai, no dia 18 de março de 2018. A premiação é de US$ 100 mil por ano durante uma década. Os indicados se comprometeram a doar parte do valor para investir em projetos educacionais em suas unidades escolares. Ferronato é voluntário na Escola estadual Dom Pedro II, em Curitiba.

Ferronato, que nasceu em Cascavel (Oeste), foi selecionado por ter desenvolvido o projeto Multiplano - um aparelho didático destinado a auxiliar o aprendizado da matemática e estatística por meio da visão e/ou do tato. O kit consiste em um tabuleiro retangular e um disco, ambos com vários furos, nos quais são encaixados pinos, fixados elásticos e hastes que ajudam a visualizar ou sentir (por meio do tato) os gráficos, as funções matemáticas e as formas trigonométricas.

A ideia surgiu no ano 2000, quando um estudante cego manifestou a intenção de desistir das aulas de matemática, alegando que a aula não era compreensível. "Eu tinha que criar meios de estabelecer comunicação com ele e transformar o que estava pensando em imagem para quem não enxerga. A linguagem oral não era suficiente", relatou o professor. "Fiz a promessa de fazer um material para ele entender matemática. Em uma loja de material de construção vi uma placa perfurada e com rebites, argolas e elásticos e pude montar um plano cartesiano", acrescentou.

O docente relata que esse estudante começou a tocar a placa, localizar pontos e montar gráficos e logo disse que aquele material não era só para ele, mas para todos os cegos. "Antes de levar essa placa para a sala de aula, ninguém conversava com ele. Depois que ele mostrou ser capaz de entender as aulas, pôde interagir com outros estudantes. Isso é a verdadeira inclusão", apontou Ferronato. "Aquele entusiasmo me mostrou que deveria haver um meio pelo qual todos pudessem aprender juntos, não só os cegos. Naquele ano chegamos a 60 temas que podiam ser ensinados usando o método. Hoje temos 108 temas que podem ser ensinados dessa maneira nas áreas de matemática, estatística e física. Isso sem contar geografia e arte."

Ferronato relata que o trabalho começou com oito alunos deficientes visuais e hoje todos eles estão bem. "Todos têm seu trabalho, vivem de seu salário e estão ganhando muito bem", resumiu. "Os resultados são fantásticos. Hoje existem dez dissertações de mestrado concluídas falando sobre o método, comprovando os resultados. Há uma dissertação de mestrado defendida em Portugal sobre o assunto e outro país que está buscando a Multiplano é a Itália", enumerou.

'Não tinha a noção da grandeza desse trabalho'

O projeto Multiplano, desenvolvido pelo paranaense Rubens Ferronato, já recebeu vários prêmios. "Em 2003 ganhamos o prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. Isso nos motivou a dar uma alavancada no projeto e logo ele começou a ser divulgado em nível nacional. Depois recebemos o Prêmio Top Educacional Mário Palmério", expôs. Outro prêmio foi o Finep de Tecnologia Assistiva, pelo qual foi o vencedor da região Sul em 2012. "Também fomos convidados a participar da exposição Inovanças – Criações à Brasileira, no Museu do Amanhã, pelo qual foram selecionados 40 projetos de inovações", relembrou. Essa exposição deu destaque para as tecnologias sociais – que transformam e beneficiam indivíduos e grupos em todas as regiões do Brasil e do exterior. Em março de 2017 também participou do prêmio Viva Idea, cujo objetivo é inspirar e fortalecer ações de líderes comprometidos com a sustentabilidade na América Latina.

"Agora fui selecionado como um dos 50 finalistas do prêmio Global Teachers Prize 2018. Olha, é uma emoção grande. São 40 mil participantes. Não tinha a noção da grandeza desse trabalho", afirmou.

Caso vença, sua proposta é traduzir o Multiplano para as dez línguas mais faladas no mundo e visitar 30 países que são polos de região, assim poderá atingir a maior quantidade de países possíveis. "O número de pessoas de baixa visão é grande. E os que não entendem matemática chegam a 80% da população", destacou.

Hoje o Multiplano é aplicado em mais de 200 escolas do país. "A mudança no ensino da matemática no Brasil é necessária. É preciso fazer algo que transforme. Se a gente pensar em custo do material, o Multiplano é barato pelo resultado que proporciona."
Vítor Ogawa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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