Representantes do setor produtivo defendem nova licitação para pedágios



O longo e polêmico contrato de 24 anos com as concessionárias de pedágio vence dentro de quatro anos: entidades defendem nova licitação e gestão pela iniciativa privada


Curitiba – Representantes do chamado setor produtivo do Paraná defendem a realização de uma nova licitação nas rodovias do Anel de Integração a partir de 2021, quando os atuais contratos com as seis concessionárias vencem, após 24 anos. As opiniões vão ao encontro do que pensam os pré-candidatos ao governo Cida Borghetti (PP), Osmar Dias (PDT) e Ratinho Jr. (PSD). Já Dr. Rosinha (PT) e Roberto Requião (PMDB) se posicionaram a favor da administração das estradas pelo Estado, conforme mostrou reportagem da edição de fim de semana da FOLHA.

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) publicou um documento, no qual propõe os passos para a construção de um modelo de concessão que gere equilíbrio na relação entre empresas e usuários. Eles incluem articulação com os diferentes atores envolvidos na questão, o que começaria ainda em 2017, realização de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental, audiências públicas nas 40 principais cidades do Estado e avaliação, com posterior publicação, dos editais, a tempo de eventuais recursos.

Para a entidade, as duas décadas de cobrança de pedágio foram marcadas por uma série de ingerências políticas e disputas judiciais, que resultaram em altos custos e adiamento de boa parte das obras prevista. "Defendemos a tese de que o modelo tem de ser privado; não pode ser público. Já existe falta de transparência no atual. Então, o Estado fazer a gestão das rodovias é inconcebível. Não tem nem condições de fazer daquilo que o compete - saúde, segurança e educação", opinou o presidente da Fiep, Edson Campagnolo.

Ele contou que já se reuniu com alguns postulantes ao Palácio Iguaçu e que tem a disposição de dialogar com todos. "A gente espera que essa questão não seja tratada de foma demagógica, nem traga problemas aos consumidores, por serem utilizados politicamente. Queremos uma solução definitiva". Ainda conforme Campagnolo, hoje, além de polêmica, a situação das estradas, em comparação com outras unidades da federação, é "vergonhosa", tanto em relação aos serviços – "raramente as pistas são duplas ou com terceiras faixas" - como quanto às tarifas.

Presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrinal), Cláudio Sérgio Tedeschi tem opinião semelhante. "O atual modelo foi implantado numa época onde você tinha a economia combalida, com inflação alta. Agora, há mais estabilidade. Antes não era possível prever como seriam os anos seguintes, ainda mais 20 ou 25 anos. Por isso que os pedágios têm preços astronômicos. Não tem como dar continuidade a uma coisa que primeiro foi uma colcha de retalhos – cortaram obras, tentaram rebaixar e mesmo assim a tarifa é absolutamente fora de mercado. Não existe outra maneira a não ser suportar isso e em 2021 criar um novo modelo", afirmou.

Tanto ele como o presidente do Setcepar (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná ), Marcos Battistella, são favoráveis à gestão pela iniciativa privada. "O que precisa haver é um modelo onde você consiga preços compatíveis, sem um cartel que distribua os trechos. E limitar os custos. Não fazer nenhum acordo com o pessoal que está aí – terminou e acabou -, nem estatizar. Você acha que é mais barato criar uma empresa estatal, mas vira cabide de emprego e os custos finais aumentam", comentou Tedeschi.

"Na época de eleição, todo mundo promete que vai acabar com o pedágio. É o que todos gostariam que acontecesse, mas a gente sabe que não vai, coisa nenhuma. Os contratos são muito bem feitos. Quando vencerem, que se faça nova licitação. O Estado não tem dinheiro para tocar essas obras necessárias de infraestrutura. Não tem nem para hospital e escola, imagine para estradas. O pedágio vai continuar, mas vamos fazer nova concorrência. De repente, as mesmas empresas que estão operando até podem ganhar, mas com preço mais justo e entrega de obras", disse Battistella.

A FOLHA também procurou a ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), que informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria se pronunciar sobre questões de cunho político e/ou eleitoral.
Mariana Franco Ramos
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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