Últimas notícias

CARNE BOVINA - Exportações nada abatidas

Apesar da Carne Fraca, exportações foram beneficiadas pelo apetite comprador dos principais parceiros, principalmente a China e Hong Kong


O ano turbulento para o mercado de carne bovina terminou com boas notícias em relação às exportações, com crescimento de 9,5% em volume e de 14% em faturamento na comparação com 2016, segundo divulgado na última sexta-feira, 12, pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina). O crescimento da demanda e a abertura de novos mercados fazem com que as projeções para 2018 mirem um recorde de embarques ao exterior no setor, com alta estimada em 10%.

Para os produtores, por outro lado, o ano não foi tão benéfico. Além dos reflexos da crise econômica sobre o consumo interno, a Polícia Federal promoveu em março a Operação Carne Fraca, que investiga corrupção e adulteração de produtos em indústrias do setor, e executivos do principal grupo empresarial nacional, a JBS, fizeram uma delação premiada na qual denunciam pagamento de propina para obter vantagens de políticos e do governo federal. O resultado foi uma queda expressiva na cotação da arroba do boi.

Depois de entrar em 2017 na casa dos R$ 149 por arroba, o preço chegou à mínima de R$ 123 em julho, com os desdobramentos do primeiro semestre. A cotação recuperou a estabilidade somente no último trimestre do ano, para fechar em R$ 146, conforme dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). "Para o produtor, o que ocorreu foi uma recuperação de preço depois da Carne Fraca e da delação da JBS", diz o diretor de pecuária da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Ricardo Rezende, que também integra o GPB (Grupo Pecuária Brasil).

Houve redução no consumo interno de 40 kg para cerca de 30 kg per capita, segundo a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos). A medida fez com que a indústria buscasse levar a produção para fora do País, para minimizar perdas. No entanto, os pecuaristas não dispõem do mesmo expediente e sofreram mais.

As margens no campo não foram mais apertadas porque o preço do bezerro acompanhou a baixa e diminuiu os custos de produção, que foram pressionados para cima pela alta de combustíveis e de frete. "Os exportadores aumentaram o volume e o faturamento, sem que chegasse um repasse ao produtor, que só recuperou o preço da arroba porque a oferta foi retardada quando isso era possível", cita Rezende.



Mais mercados
Somente em dezembro houve aumento de 20% no volume dos embarques, de 113,8 mil em 2016 para 136,5 mil toneladas (t) em 2017. Em valores, a diferença foi de 26%, de US$ 455,2 milhões para US$ 573,5 milhões no mesmo comparativo.

Assim, o setor fechou com alta de 9,5% no acumulado em 12 meses, dos quase 1,4 milhão de t em 2016 para 1,5 milhão em 2017. No mesmo comparativo, o faturamento foi de US$ 5,5 bilhões para US$ 6,3 bilhões, ou 14% a mais.

Por meio da assessoria de imprensa, a Abrafrigo informou que, apesar de alguns mercados usarem a Carne Fraca como meio de negociar preços e benefícios nas relações comerciais, as exportações foram beneficiadas pelo apetite comprador dos principais parceiros, principalmente a China, que também faz a triangulação de parte das compras de Hong Kong. Além de ficarem com quase 40% dos embarques de carne bovina brasileira, os chineses projetam um aumento de 300 mil toneladas ao ano de todos os tipos de proteína animal em demanda interna, cita a nota.

A entidade ressalta ainda que 22 novos frigoríficos nacionais estão em processo de habilitação para exportar e somente uma marca reativou nove unidades industriais, o que embasa a pretensão de elevar em 10% os embarques no ano. Para os produtores, os diretores da Abrafrigo também enxergam um 2018 melhor, já que houve menor abate de fêmeas de olho nas vendas. Já o diretor de pecuária da SRP enxerga uma chance de elevar lucros, mas sem exageros. "Depende da economia do País melhorar para aumentar o consumo interno, mas vai continuar a queda de braço e não existe outro jeito de balizar o mercado que não seja segurando a oferta", completa Rezende.

Em alta no campo e em baixa no varejo
Os preços do boi gordo cresceram no início deste ano, ainda que tenham ficado estabilizados em R$ 148 por arroba nos últimos sete dias, conforme levantamento da Scot Consultoria sobre a semana encerrada na última sexta-feira, 12. Isso porque há pouca folga na escala dos abates, com alguns frigoríficos com programação para apenas dois dias, o que força as empresas a ofertarem valores mais altos.

As cotações são para São Paulo, ainda que o diretor de pecuária da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Ricardo Rezende, afirme que a tendência é de desdobramentos para outros estados.

Por outro lado, os preços da carne bovina caíram no varejo pelas baixas vendas do período, conforme a Scot. A desvalorização é menos acentuada no atacado, com exceção de Minas Gerais, onde o mercado ficou estável. O ajuste foi negativo em 0,1% em São Paulo e no Rio de Janeiro e de queda de 0,2% no Paraná.
Fábio Galiotto
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

Nenhum comentário