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Acordo com Europa vai beneficiar economia do Paraná

Além de alimentos, europeus podem comprar vestuário, eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos produzidos no Estado


Com quase 20 anos de negociação, o acordo entre Mercosul e União Europeia parece estar próximo de ser concluído. As negociações começaram em 1999 e se intensificaram nos últimos meses devido à tendência protecionista em vários países, principalmente nos EUA. Nesta quinta-feira (8), o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou que vai sobretaxar a entrada de aço e ferro no país (leia mais nesta página).

O acordo com a Europa ajuda a compensar as perdas que o Brasil terá com as barreiras de Trump. A Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) espera um aumento de 10% nas exportações para a União Europeia no primeiro ano de acordo.
"Para o Paraná é extremamente interessante, porque uma série de produtos ficariam mais adequados para competir em termos de preço. Com o benefício tributário, passaríamos a ter maior competitividade com o mercado europeu", vê com otimismo Reinaldo Tockus, superintendente da entidade.
Ele aposta em uma ampliação na participação da indústria. "A gente espera que a exportação para a Europa, especificamente, tenha um crescimento de 10% no primeiro ano. Esta fase é emblemática, pois é a hora de adaptação. Espera-se um crescimento evolutivo, que o mercado fique cada vez mais atraente."
Ao mesmo tempo, é necessário olhar por outro ângulo. Com o acordo, produtos europeus também terão livre acesso no Brasil. As empresas paranaenses competirão com novos concorrentes e o consumidor vai passar a ter maior opção de compra e consumo. "Isso coloca uma dose de adrenalina no nosso setor produtivo. A empresa vai precisar se manter atualizada, não só tecnologicamente, como em seu modelo de negócios também", afirma.
Para a exportação, serão necessárias adaptações, de acordo com as características técnicas da Europa, mas o superintendente informa que são questões "perfeitamente ajustáveis". No Estado, alimentos, alimentos processados, carnes processadas, produtos derivados do frango, vestuário, eletroeletrônicos, máquina e equipamentos foram citados como áreas que poderão ser contempladas quando o acordo começar.

AGROPECUÁRIA
O Paraná é o quarto maior exportador do País, somando US$ 18,08 bilhões em vendas externas. O principal produto da pauta é a soja, representando 22,9% das receitas de embarque do Estado no ano passado. A agropecuária é o setor em que a Europa tem maior dificuldade em abrir mercado, segundo avaliação de Eugênio Stefanelo, professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e da FAE Business School.
Ele acredita em entraves que podem tornar o acordo menos vantajoso. "A União Europeia vai estabelecer cotas de importação no setor de carnes, açúcar, com certeza. Resta saber se vai render minimamente ou se vai ampliar o nosso mercado", questiona.
Como os números ainda não foram divulgados, o professor acredita que a única estratégia aberta que é possível prever é que haverá este estabelecimento de cotas para cada produto. "Meu temor é que essas cotas não sejam tão significativamente maiores do que nós já exportamos."

BOVINOS
Na exportação de carne bovina, a assessoria da Abrafrigo (Asssociação Brasileira de Frigoríficos) afirma que o acordo não resultaria em grandes movimentações no Paraná. Hoje há apenas dois frigoríficos exportando no Estado e nenhum habilitado para vender para a União Europeia. "O rebanho paranaense vem diminuindo desde 2008 e a participação de exportação vem caindo. A nossa média em participação no Brasil está entre 2,1% e 2,3%", afirma.
Neste setor, Stefanelo destaca que é preciso haver avanços. Vários países estão ampliando sua produção de carnes de modo geral, tornando a concorrência acirrada. Além disso, a questão sanitária é uma dificuldade enfrentada pelo Brasil, conforme mostrou a Operação Carne Fraca. "É preciso dar um basta nisso, a qualidade deve estar compatível aos padrões internacionais. É fundamental para manter a presença da carne no mercado internacional, uma vez que muitos países vão tentar usar barreiras sociais, ambientais e de bem-estar animal para barrar nossas exportações", destaca.

APOSTAS PARANAENSES
O professor aposta em alguns setores do Paraná que ampliariam suas vendas com o fechamento do acordo. Segundo ele, não só o Estado como o País todo poderia investir em frutas, setor em que a presença brasileira é baixa. O pescado de água doce também foi apontado. "O Paraná é o primeiro produtor de tilápia do Brasil, que tem ótima aceitação. A cadeia produtiva do pescado no Estado está se organizando cada vez mais. É um mercado que tem grande potencial", destaca.
Sobre outros setores, o especialista afirma que a soja está chegando ao limite de área e que já há uma boa presença no mercado. Assim, cita o setor madeireiro, de papel e celulose, além do hortigranjeiro, especiarias, palmito, mel, sucos, fumo e amido de mandioca. "Nós não conseguimos falar de números ainda, mas conseguimos falar sobre essas estratégias, tendências. E me parece que vai prevalecer a cota para o agronegócio", finaliza. (Com agências)
Lais Taine/FOLHA DE LONDRINA

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