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Terremoto na Bolívia causa susto em cidades do Paraná

Em São Paulo, prédios na Avenida Paulista foram esvaziados: tremores foram sentidos em cinco Estados e no Distrito Federal


O terremoto de magnitude de 6,8 na Escala Richter registrado em Carandayti, na Bolívia, no final da manhã desta segunda-feira (2) repercutiu no Sudeste e Sul do Brasil, com tremores em São Paulo, em Minas Gerais, no Paraná, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e no Distrito Federal. Em São Paulo, ao menos cinco prédios comerciais na avenida Paulista foram evacuados por causa de tremores sentidos nos andares mais altos. Em Brasília, no Setor Comercial Sul, área de escritórios e comércio, prédios foram esvaziados após o tremor.

No Paraná, cidades do Norte, Oeste e Noroeste sentiram os abalos. Em Londrina, a Defesa Civil recebeu apenas um comunicado. O chamado veio de um edifício localizado na rua São Salvador, na área central. Os moradores relataram que sentiram alguns tremores, mas a sensação foi rápida. O prédio não chegou a ser evacuado.

Segundo o professor de geologia da UEL (Universidade Estadual de Londrina) José Paulo Pinese as demonstrações da natureza reverberam em níveis distintos da região atingida. "É claro que a cidade boliviana apresentou grandes danos geográficos, mas os efeitos são menores na medida em que os abalos se propagam", pontuou.

O mapa do Centro de Sismologia da USP (Universidade de São Paulo) também registrou o fenômeno natural em outras cidades paranaenses. Em Centenário do Sul, município com pouco mais de 10 mil e distante 91 km de Londrina, um internauta descreveu o medo que sentiu. "Moro no prédio da cidade. Aqui já tivemos outros tremores, mas este foi mais intenso. Nós balançamos como se a estrutura estivesse instável!", relatou ao órgão de monitoramento.
Segundo o mesmo sistema, a intensidade do abalo em Londrina foi considerada fraca. Já em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro), o grau foi moderado.

Em janeiro deste ano, estrondos foram ouvidos de madrugada por moradores de bairros da zona sul de Londrina, como o Jardim Terra Bonita. Na ocasião, o setor de Sismologia da USP identificou um abalo de 1,1, índice considerado de baixo potencial pelos técnicos. No dia seguinte, o aparelho oscilou entre 0,7 e 1,4. Apesar do susto, a Defesa Civil não encontrou rachaduras em residências ou apartamentos.

ABALOS EM MARINGÁ 
A Defesa Civil de Maringá registrou 20 chamados por fissuras ou rachaduras que supostamente teriam sido provocados por esses tremores. "Cinco prédios foram evacuados por cerca de uma hora e meia para vistoria, mas não constatamos nada grave. O importante é que não tivemos feridos", disse o diretor da Defesa Civil, Adilson Porta.

Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Alexandre Bettiol Ferelli, o Fórum Municipal e o Centro Empresarial Benedito Corrêa de Oliveira foram liberados, após a vistoria. "As pessoas que estavam nos pavimentos superiores sentiram os tremores com maior intensidade", disse o tenente.

A assistente de marketing da PAM Saúde, Milena Maieski, relatou que foi um tremor bem forte. "Não foi a primeira vez. Já houve tremores outras vezes. Em fevereiro do ano passado já havia sentido isso, mas desta vez foi mais forte. Parece uma tontura. Os móveis mexeram. Senti medo de que poderia acontecer algo mais grave, mas graças a Deus deu tudo certo", disse aliviada.

Perto dali, a advogada Ramadis Miranda Luiz Guerra, que reside na Avenida Santos Dumont com a Avenida São Paulo, região central de Maringá, estava sentada estudando com a filha quando sentiu a cadeira tremer. "Foi como se fosse um telefone celular vibrando. Achei estranho e no início pensei que era a minha cachorrinha passando por baixo da cadeira", relatou. Ele destacou que o tremor teve uma duração bem pequena. "Foi bem rápido. Foi uma coisa de cinco segundos", destacou.

Outro local em que o tremor foi bastante sentido foi no Fórum de Maringá. A promotora Michele Nader, da 21ª Promotoria Criminal, sentiu uma sensação de tontura. "A cadeira tremeu. Como o prédio está em reforma, achamos que poderia ter sido um problema decorrente disso. Uma vez houve um vazamento de água no prédio e isso poderia ter danificado a estrutura", afirmou. Ela revelou que sua estagiária que estava na sala também sentiu e logo comunicou o outro prédio do Ministério Público que estava evacuando o prédio. "O tremor foi mais forte que um caminhão pesado passando a seu lado", comparou.

Seu colega, o promotor Antonio Eures Boton Junior, da 22ª Promotoria Criminal descreveu o tremor como se estivesse em cima de uma mesa e ela se movimentasse um centímetro para frente e um centímetro para trás. "A chave pendurada no armário do escritório chacoalhou. Como já um histórico do prédio ter balançado há quatro ou cinco anos imaginei que fosse um abalo estrutural do prédio", expôs.

O diretor da Defesa Civil de Maringá, Adilson Porta, recomendou que, em caso de novos tremores, as pessoas saiam tranquilamente de onde estão, pois podem acontecer mais acidentes na saída do que no tremor propriamente dito. "Quando tem aglomeração há crianças ou idosos e se as pessoas correrem podem acabar tendo problema", afirmou. (Com agências)

Países andinos estão mais sujeitos aos abalos

O professor aposentado de geologia da UEM (Universidade Estadual de Maringá) Sérgio Luiz Thomaz explicou que os países andinos estão mais sujeitos a serem focos de abalos sísmicos e que o Brasil está distante da área propícia para ocorrência desses fatos. "As ondas vibratórias provocadas por um falhamento na crosta terrestre se comportam de maneira diferente à medida que encontra obstáculo diferente. Alguns tipos de rocha facilitam a passagem dessas ondas vibratórias e outras dificultam. Toda nossa região é formada por basalto, que dificulta a passagem vibratória", apontou.
Ele explicou que o basalto não é homogêneo. "Existe basalto com furos e há o basalto sólido, que pode se formar em colunas verticais ou horizontais. As cidades que sentiram os tremores estão localizadas em regiões de basalto, como Passo Fundo (RS). Não tive notícia de registro desses abalos fora da faixa do basalto", apontou.
Embora esse tipo de tremor tenha sido registrado com mais frequência no Brasil, Thomaz afirmou que não há necessidade de redimensionar os projetos de engenharia das edificações. "A engenharia brasileira está muito bem desenvolvida. As construções são bem resistentes", garantiu.
Rafael Machado e Vítor Ogawa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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