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Tabela de frete deixa cargas represadas em todo o País

As idas e vindas do governo em torno da tabela com o preço mínimo do frete rodoviário desencadearam mais um capítulo da paralisação dos caminhoneiros (de 21 a 31 de maio). Embora não haja mais bloqueio nas estradas, a indefinição do custo dos transportes está fazendo com que empresas adiem os embarques de mercadorias, com reflexos na exportação e na produção.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) publicou a primeira tabela dia 30 de maio. Devido à pressão feita pelo agronegócio e pela indústria, foi apresentada uma nova na quinta-feira (7), com valores menores. Foi a vez de os caminhoneiros pressionarem e o governo a revogou no mesmo dia. Hoje, está valendo a primeira, mas a qualquer hora pode sair uma terceira tabela que está sendo discutida entre os motoristas e os empresários. 

Gerente de Logística da Cooperativa Integrada em Londrina, Celso Otani diz que o mercado está em "compasso de espera, embarcando somente o que é urgente". Segundo ele, o problema maior não é o aumento nos valores cobrados para levar as mercadorias ao destino, mas aquilo que o setor chama de frete de retorno. Para não voltarem com os veículos vazios, os caminhoneiros costumam carregar qualquer produto por preços menores. No transporte de grãos, é comum retornarem com fertilizantes para o mesmo embarcador. "O frete de retorno aumentou muito", afirma Otani.
O presidente do Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos) em Londrina, Carlos Roberto Dellarosa, confirma que a bronca dos donos das cargas é maior com o retorno. Segundo ele, antes da greve, um frete de grãos de Londrina a Rondonópolis (MT) custava R$ 190 a tonelada. Já a volta, com fertilizantes, saía a R$ 70 a tonelada.
Com a tabela mínima da ANTT, a viagem de ida subiu pouco. Um bitrem que leva 37 toneladas líquidas, carregado de soja, teria um frete total de R$ 7.030 até a cidade de Mato Grosso, antes da greve. A tabela estabelece um custo por quilômetro/eixo de acordo com a distância percorrida. Na faixa entre 1.001 a 1.100 quilômetros, caso de Rondonópolis, a tarifa é de R$ 0,93. Multiplicando-se esse valor por sete (quantidades de eixos do bitrem) e os 1.100 quilômetros, obtém-se um frete total de R$ 7.161. O aumento não chega a 2% do valor já pago pelo mercado.
A volta com fertilizantes, sem o tabelamento, saía a R$ 2.590. Agora, vai custar os mesmos R$ 7.161 da ida – aumento de 176%. A segunda tabela, suspensa pelo governo, não seria aplicada nos fretes de retorno, o que revoltou os caminhoneiros.
"Além disso, os valores tabelados são os do pico da safra. Na entressafra, a gente paga valores menores", afirma Otani.



EXPORTAÇÃO
"Deixamos de exportar 450 mil toneladas por dia", disse ao jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Segundo ele, quantidade suficiente para carregar 60 navios. "Mas, sem carga, eles ficam parados no porto, sujeitos a uma cobrança diária de US$ 25 mil."
"É uma balbúrdia danada", disse o presidente executivo da Anut (Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga), Luis Henrique Baldez. Ele confirmou que há represamento da carga "Não é represália aos caminhoneiros. É por causa da indefinição de preços."

NA JUSTIÇA
A CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) entrou, nesta terça-feira (12), com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a tabela de fretes. É a segunda ação do mesmo tipo - em 8 de junho, a ATR (Associação do Transporte Rodoviário de Cargas do Brasil) já entrou com um pedido para declarar inconstitucional a Medida Provisória 832, que estabelece a tabela.
Uma ação movida pela Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) na Justiça Federal de Brasília contra a medida do governo foi arquivada na última sexta-feira (8) devido a uma questão técnica.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) pretende apresentar sua ação nesta semana. Outras entidades, como a Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) e a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) também procuraram a Justiça. (Com agências).


Nelson Bortolin
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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