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Parceria com clube espanhol dá novo fôlego a projeto de Assaí

Solenidade de parceria entre o Ceforc com La Fundacion de Escuela Del Futbol Del Mareo e CL2 Soccer Assessoria Esportiva foi prestigiada pela comunidade local

O Projeto Ceforc (Cultura e Esporte Formando Cidadãos) foi criado em Assaí há onze anos e neste tempo comemora sua contribuição para a mudança na realidade de quase 2 mil jovens que passaram pelo projeto, e hoje, possuem vida digna, com trabalho, profissão e família. A iniciativa do policial militar José Roberto Negri, para tirar das ruas crianças e adolescentes, ganha um novo e promissor aliado.

No último dia 24 de maio foi firmada oficialmente a parceria entre o Ceforc com La Fundacion de Escuela Del Futbol Del Mareo – Real Sporting de Gijón – Espanha e CL2 Soccer Assessoria Esportiva. A cerimônia foi realizada no anfiteatro do Colégio CEEP de Assaí. "Os dirigentes espanhóis estiveram na cidade e falaram que estão felizes com a parceria. Eles visitaram o projeto e elogiaram a receptividade na cidade. Um deles ressaltou que o trabalho social é importante para valorizar a criança e formar o cidadão", apontou.

O clube espanhol possui parceria semelhante em outros países e em Assaí auxiliará na sustentação do projeto. "Hoje o Ceforc é mantido com o apoio da comunidade, mas nesses mais de dez anos passou por muitas dificuldades. Essa parceria vem para dar uma blindada nessa parte. A parceria tem ajudado no fornecimento de material esportivo. Eles já trouxeram um uniforme vermelho de treino da Espanha", destacou Negri.

"A gente ficou muito feliz porque nunca tivemos no decorrer desse projeto a visita de diretores de um clube espanhol. De certa maneira esses dirigentes espanhóis são celebridades. Os alunos ficaram maravilhados com a visita deles. Conseguir a visita de uma delegação espanhola é uma coisa rara em uma cidade pequena como a nossa", destacou.

As aulas de futebol estão entre as atividades do projeto
As aulas de futebol estão entre as atividades do projeto


Negri conta que o trabalho voluntário é dirigido a crianças e adolescentes em situação de risco, isto é, com envolvimento nas drogas ou outros ilícitos. Por meio de atuação preventiva, o projeto começou como recreação e ganhou uma grande dimensão. "Foi uma iniciativa minha mesmo. O colégio possui quadras que a molecada vivia pulando o muro para utilizá-las. Eu via que o índice de criminalidade estava aumentando cada vez mais entre esse público e a gente fica muito triste de ver uma situação dessas. A criança que entra no mundo das drogas vira um tormento para a família e para a sociedade, porque não consegue sair disso", apontou.

Por sua formação cristã, Negri diz que "não adianta jogar a responsabilidade nas costas dos outros". "A gente acabou cedendo uma parte do tempo da folga para fazer esse trabalho social. Ganhei o apoio dos pais na sociedade porque prego muito a religião, a fé, o companheirismo e o respeito entre todos", destacou.

Muitos dos jovens que participaram do início do projeto já estão na faculdade e outros estão se formando. É o caso de Bruno Leonardo Vicente, 21, estudante de direito. "Eu me formo no ano que vem. De certa forma o Ceforc me ajudou a conquistar isso, porque sempre me ensinou a ter disciplina e me orientou a ajudar o próximo", declarou. Ele relembra que na época que ingressou no projeto tinham muitos garotos que ficavam na rua. "O projeto foi um incentivo para tirar o pessoal da rua. No projeto as crianças têm um lar, uma família. Ele abraça cada um que participa."

Do ponto de vista esportivo, o projeto chegou a revelar talentos. "Pelo projeto cheguei a fazer um teste no time profissional de futebol do Avaí (SC). Fiquei uma semana sendo testado por lá, mas passei no vestibular e optei por estudar", disse vicente.

O filho de Negri, Leonardo Del Agnol Negri,20, também é outro egresso do projeto que está se formando em direito. "Fiz parte da turma que iniciou o projeto. Estou lá desde o começo. Eu vejo que é uma ação fundamental para Assaí, e que está beneficiando principalmente crianças carentes." O projeto, destacou ele, tira o jovem do caminho das drogas e do crime e apresenta um caminho melhor. "São passados valores e ensinadas práticas de cidadania, algo que é fundamental para o convívio em sociedade."

José Roberto Negri ressalta que o fato de ser policial militar contribui para o sucesso do projeto. "A partir do momento em que estou fardado, isso marca a representatividade como policial militar no projeto, que representa muito para essas crianças", apontou.


Vítor Ogawa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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