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Em busca de boas políticas de educação e reconhecimento

Maioria dos professores considera formação continuada e participação na formulação de políticas educacionais muito importantes para a valorização da carreira

O Brasil tem cerca de 2,2 milhões de professores. Embora a docência seja a profissão mais numerosa do País, é uma das mais desvalorizadas. A falta de investimentos expressivos no setor, além de comprometer a qualidade do ensino e a educação dos alunos, gera insatisfação aos profissionais. Uma pesquisa de iniciativa do movimento Todos Pela Educação e do Itaú Social ouviu professores sobre a sua formação, condições de trabalho e o que consideram mais importante para a valorização da carreira. O resultado mostrou que mais do que aumento salarial, a categoria prioriza boas políticas e alinhamento dos programas educacionais com a sala de aula como medidas essenciais para o reconhecimento da profissão.

Segundo a pesquisa, 69% dos professores citam a formação continuada e 67% a escuta dos docentes para a formulação de políticas educacionais como as medidas mais importantes para a valorização da carreira. Em seguida, apontam a restauração da autoridade e do respeito à figura do professor (64%). O aumento salarial aparece apenas em quarto lugar, citado por 62%.

As dificuldades para o exercício da profissão, afirmam os professores, começam logo no início da carreira. A maioria deles (71%) reconhece que a formação inicial não capacita para as atividades em classe. Para 22%, faltam conhecimentos sobre gestão de sala de aula e outros 29% citam a ausência de fundamentos e métodos de alfabetização.


Os professores querem mais recursos digitais (77%) e materiais de apoio para implementar o currículo (73%). Mas a realidade é outra: apenas 17% afirmaram que seus alunos receberam o material didático no primeiro dia de aula.

"É importante levarmos em consideração que o professor é o elo final da corrente de implementação de políticas para melhoria da educação no Brasil. Então, se você quer implementar políticas que sejam efetivas para a melhoria da aprendizagem, é preciso ter em mente que quem vai aplicar isso dentro da sala de aula são os professores", destacou a gerente de Projetos do Todos Pela Educação, Caroline Tavares.

A pesquisa Profissão Docente foi realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com a Conhecimento Social e ouviu 2.160 professores da educação básica das redes públicas municipais e estaduais e da rede privada de todo o Brasil. A amostra respeitou a proporção de docentes em cada rede, etapa de ensino e região do País, conforme os dados do Censo Escolar da Educação Básica desenvolvido pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação.

SEM SURPRESAS
Ouvir o que os professores pensam sobre a própria carreira, sobre a sua formação e suas necessidades para que se sintam mais valorizados é essencial para que as políticas educacionais elaboradas pelo governo federal ou nas secretarias estaduais de Educação tenham resultados efetivos, opina Tavares. Foi esse o intuito da pesquisa e a gerente afirma que embora os resultados apurados sejam "alarmantes", estão longe de ser surpreendentes. "Ninguém imaginava que os professores estavam superfelizes, mas foi alarmante a ideia de que não só estão insatisfeitos, como 49% deles não recomendariam a carreira para outras pessoas. Em média, os professores entrevistados estão há 17 anos na docência."

O ponto positivo, ressalta Tavares, é o fato de que os próprios professores são capazes de apontar os caminhos que conduzam a mudanças positivas na educação e no exercício da docência. "Eles querem o aumento salarial, é óbvio, mas o mais importante é a formação e a escuta pelo poder público e pelos seus empregadores quando forem feitas mudanças muito drásticas ou implementados programas nas escolas", disse a gerente. "Está muito claro na pesquisa que eles não confiam nas pessoas que deveriam ser os gestores deles."


Simoni Saris
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA


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