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Em debate, a qualidade do leite

A cadeia leiteira paranaense tem números imponentes: 4,8 bilhões de litros de leite produzidos por anos por quase 120 mil produtores. São cases de sucesso por todos os cantos do Estado - mega complexos importantes como na cidade de Castro com cooperativas e empresas - mas por outro lado, ainda há muitos pontos que precisam evoluir, de dentro da porteira à indústria. Apesar dos volumes, o Paraná ainda precisa caminhar muito em relação à qualidade e produtividade de forma geral.

Entre os novos parâmetros sugerido pelo Ministério da Agricultura estão a contagem de células somáticas e bactérias do leite, monitoramento de temperatura nos silos da indústria e no transporte do pro.

O Mapa (Ministério da Agricultura) há alguns meses colocou em consulta pública as portarias 38 e 39, que tratam de parâmetros técnicos em relação à produção leiteira nacional, desde o produtor, transporte, processamento e recebimento do produto. A ideia do ministério é elevar de forma contundente o nível da cadeia nacional nos próximos anos, substituindo assim a Instrução Normativa n° 62 (IN 62), alterando parâmetros como contagem de células somáticas e bactérias do leite, monitoramento de temperatura nos silos da indústria e no transporte, focar na capacitação do produtor, técnico para acompanhamento de coleta de amostras, entre outras tantas exigências.

Muitas delas são complexas, exigem investimentos, novas legislações, não podem ser feitas de uma hora para outra, e por isso diversas entidades do setor no Estado se reuniram para contribuir com mudanças nas portarias, que ainda não têm data para entrar em vigência. Segundo a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), que encabeçou as ações, 17 sugestões técnicas foram acatadas total ou parcialmente pelo Mapa, do total de 36 enviadas. Tudo isso ainda está em análise pelo governo federal. A consulta pública já foi finalizada.

O coordenador da Aliança Láctea (que engloba os três Estados produtores de leite do Sul) e presidente da Comissão Técnica da Bovinocultura de Leite da Faep, Ronei Volpi, relata que toda a cadeia produtiva é amplamente favorável que se avance na qualidade e conformidade do leite, e para isso é preciso focar na legislação brasileira em sinergia com a internacional. "Pelas nossas projeções, os três Estados do Sul serão responsáveis por 50% da produção leiteira até 2025, é uma necessidade participamos mais ativamente do mercado internacional. Para isso, três pontos são vitais: qualidade, regularidade e preços", avalia.

 



Entretanto, essas mudanças na legislação não podem acontecer de forma brusca, afinal, a cadeia não daria conta de tantas exigências, como previa o texto inicial das portarias. Volpi cita que neste momento a atenção da nova legislação esta mais na indústria, principalmente no monitoramento de temperaturas em silos e no transporte, além da contagem bacteriana. "Nossa sugestão como cadeia, é que se faça essa iniciativa do monitoramento dos silos, que não existe hoje, mas sem a penalização (por estar fora dos parâmetros novos). A ideia seria ver efetivamente a realidade do nosso produto (antes as portarias punirem, de fato). Queremos definir os parâmetros técnicos, com base na nossa realidade. Queremos buscar um equilíbrio, com melhorias, sem inviabilizar pequenos produtores e a indústria de uma hora para outra."


De qualquer forma, as novas portarias serão fundamentais para, quem sabe, o produtor que foca em qualidade seja melhor remunerado, o que hoje ainda é pouco evoluído no Estado. "Se o leite que produzo tem melhor qualidade, tenho direito de receber um percentual diferente por isso. Se isso não acontecer, o produtor não é estimulado, porque qualidade custa dinheiro, esforço equipamentos, melhores insumos, tecnologia. Se não tenho esse diferencial, porque vou fazer isso? As melhores empresas do ramo já têm seus programas de qualidade, mas para chegar ao pequeno produtor, isso demanda tempo."




Victor Lopes
Reportagem Local
 

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