Irmão de Beto Richa, alvo de prisão, usou R$ 500 mil de propinas para comprar terreno, diz Lava Jato
José
Carlos Richa, o Pepe Richa, preso no dia 11 pela Operação
Radiopatrulha, do Ministério Público do Paraná, é alvo de novo mandado
de prisão, agora da fase 55 da Operação Lava Jato*
A Operação Lava Jato afirma que o ex-secretário de Infraestrutura e
Logística do Paraná José Carlos Richa, o Pepe Richa, irmão do
ex-governador Beto Richa (PSDB) – candidato ao Senado nas eleições 2018 –
, usou R$ 500 mil de propina para a aquisição de um terreno em
Balneário Camboriú (SC). Segundo o Ministério Público Federal, a
escritura foi subfaturada e a diferença paga em espécie “por fora”.
“A utilização de dinheiro em espécie para pagar por imóveis que são
registrados por um valor inferior ao negociado configura uma forma
clássica de lavagem de dinheiro utilizando o mercado imobiliário, e já
foi vista inclusive em outros casos na Operação Lava Jato”, aponta o
procurador da República Diogo Castor de Mattos.
Pepe Richa é alvo de mandado de prisão da fase 55 da Operação Lava Jato, denominada Integração II, deflagrada nesta quarta, 26.
Ele já havia sido preso no dia 11 pela Operação Radiopatrulha, do
Ministério Público do Paraná, que apura desvios de recursos públicos no
Programa Patrulhas do Campo. Três dias depois, Pepe foi solto por ordem
do ministro Gilmar Mendes, do Supremo.
O irmão de Pepe, o ex-governador Beto Richa, também foi alvo da
Radiopatrulha e ficou preso. Nesta terça, 25, eles foram denunciados
criminalmente pela Promotoria por corrupção e fraude a licitação.
A Lava Jato abriu nesta quarta-feira, 26, sua fase 55. A investigação
mira casos de corrupção ligados aos procedimentos de concessão de
rodovias federais no Estado do Paraná que fazem parte do chamado Anel da
Integração.
Policiais federais, auditores da Receita e procuradores do Ministério
Público Federal participam da ação realizada simultaneamente nos estados
do Paraná, Santa Catarina, Rio e São Paulo. Aproximadamente 400
servidores agentes participam das ações.
Estão sendo cumpridos 73 mandados de busca e apreensão, 3 mandados de prisão preventiva e 16 mandados de prisão temporária.
A partir da deflagração da primeira fase da Operação Integração, com o
avanço das investigação, a análise de todas as provas reunidas, os dados
reunidos e acordos de colaboração premiada firmados por alguns
investigados foi possível identificar a existências de núcleos
específicos e organizados que atuavam de forma criminosa para explorar e
obter benefícios indevidos a partir dos contratos de concessão de
rodovias federais no Paraná.
Os investigados responderão pelos crimes de corrupção ativa, corrupção
passiva, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e associação
criminosa, dentre outros.
Todos os presos serão conduzidos à Superintendência da Polícia Federal
em Curitiba onde permanecerão à disposição do Juízo da 23.ª Vara
Federal.
*Matéria Jornal O Estado de S.Paulo*