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Discurso armamentista elege mais votados no PR

Dos 54 deputados estaduais eleitos nesse domingo (7) no Paraná, ao menos nove são ligados a setores militares, o que representa 16,66% do total. De acordo com o Delegado Recalcatti (PSD), reconduzido a um segundo mandato, com mais de 35 mil votos, o resultado das urnas deve levar à criação de uma "bancada da bala" na AL (Assembleia Legislativa), nos moldes da que existe no Congresso Nacional. A frente em Brasília é apoiada pela indústria de armas e por associações de atiradores civis.

Além de Recalcatti e de Marcio Pacheco (PPL), que é policial federal e também foi reeleito, estarão na Casa a partir do ano que vem: Delegado Francischini (PSL), Coronel Lee (PSL), Delegado Fernando (PSL), Subtenente Everton (PSL), Delegado Jacovos (PR), Soldado Fruet (PROS) e Soldado Adriano José (PV). "Bancada da bala, com certeza. Tem que ser; uma bancada forte, que vai lutar por uma segurança mais eficaz, mais eficiente para o nosso Estado, que vem sofrendo muito", comemorou o parlamentar do PSD.

Recalcatti ficou como suplente no pleito passado, mas assumiu a vaga há dois anos, no lugar de Chico Brasileiro (PSD), que foi eleito prefeito de Foz do Iguaçu (Oeste). Acusado de envolvimento no assassinato de Ricardo Geffer, em 2015, ele sempre negou as acusações, dizendo não ser bandido. Geffer era suspeito de ter participado da morte do ex-prefeito de Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), João Dirceu Nazzari. O político era casado com uma prima do delegado.

FORÇA DO PSL
Como em todo o País, a criação do bloco se deve ao crescimento exponencial do PSL, sigla do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Francischini, que é um dos principais cabos eleitorais do capitão da reserva, chegou a se lançar ao Senado, entretanto, na última hora acabou aceitando o pedido de Bolsonaro para disputar a AL. A estratégia deu certo. Ele obteve apoio de mais de 427 mil eleitores. A legenda, que hoje tem apenas dois representantes - Felipe Francischini, eleito deputado federal, e Missionário Ricardo Arruda -, passará a contar com oito.

Alguns deputados já sinalizaram que deverão fechar com Bolsonaro. São os casos do presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), e do 1º vice-presidente, Guto Silva (PSD). "O partido não se posicionou, mas eu manifesto aqui que sou anti-PT; sou Bolsonaro", disse o tucano. "Foi um verdadeiro tsunami. Houve uma mudança radical em relação aos atuais deputados. A presença de Bolsonaro no Paraná influenciou muito o processo político. É um quadro totalmente diferente e temos de dar tempo ao tempo para avaliar como será o comportamento dentro do plenário", completou.

"Temos uma boa relação com o PSL e um diálogo adiantado. Estamos em conversa, até porque o Ratinho apoiará o Bolsonaro no segundo turno. Isso faz com que esse processo de aglutinação de bancadas aqui seja natural", contou Silva. Ele falou que o PSD ainda está avaliando o processo eleitoral, antes de pensar na formação do próximo governo. "O que queremos é calibrar bem, para que o novo governo esteja conectado à sociedade".

Terceiro deputado mais bem votado, com 84,8 mil votos, Professor Lemos (PT) adiantou que seguirá na oposição. O PT aumentou sua bancada de três para quatro parlamentares. Péricles de Mello não se reelegeu, contudo, entraram Luciana Rafagnin e Arilson Chiorato. "A população escolhe quem vai ficar na oposição e no governo. A gente não pode desrespeitar a decisão do eleitor. Isso não são significa que projetos que não sejam bons não terão o nosso apoio. Fazemos uma oposição muito consciente, respeitando a população do Paraná".


Mariana Franco Ramos/Reportagem Local(FOLHA DE LONDRINA)


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