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'Nenhum político fica o tempo todo no topo', diz Richa após derrota histórica

Sexto colocado na corrida ao Senado, o ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), convocou coletiva de imprensa nesta segunda-feira (8), na sede do PSDB em Curitiba, para avaliar o resultado das urnas na qual obteve apenas 3,73% dos votos válidos (377.872 votos). O tucano culpou as recentes investigações do Ministério Público, o ajuste fiscal, o abandono de políticos aliados e o desgaste do partido como responsáveis pelo resultado adverso. Derrotado pela primeira vez em uma eleição desde que foi eleito vice-prefeito de Curitiba em 2000 na chapa com o então prefeito reeleito Cássio Taniguchi, ele disse que seu futuro político é incerto e será avaliado. "Eu estou muito tranquilo, preparei meu espírito para esse momento. Nenhum político fica o tempo todo no topo. Eu futuramente vou avaliar se me retiro da vida pública ou se fico ao lado da minha família".

A queda nas intenções de voto já era apontada pelas pesquisas após a prisão temporária de Richa, da sua esposa Fernanda Richa e aliados ao ser deflagrada a operação Radiopatrulha, a poucas semanas do primeiro turno. "Aquilo foi a pá de cal na minha candidatura. Isso me causa uma indignação. Foi uma tentativa desesperada da assassinar minha reputação," disse, ao classificar a Operação do Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado) de política, ilegal e que teria violado a Constituição.

Ao elencar a liberação de investimentos e obras aos prefeitos do Estado, o tucano, presidente do PSDB no Paraná, disse que não tem mágoas dos prefeitos, vereadores e deputados estaduais que o teriam abandonado nesta reta final. "Os prefeitos foram muito beneficiados pelo meu governo. Culminou com o atual governo (Cida Borghetti) pedindo para não me apoiar. Mas eu não tenho mágoas, muito menos do eleitor. Como é que eu vou reclamar se eu tive quatro eleições muito bem sucedidas? Tive na prefeitura de Curitiba 77% dos votos. E fui avaliado como melhor prefeito do Brasil e duas eleições vencidas no primeiro turno para o governo."

Ele também disse que o ajuste fiscal realizado em 2015 e que chegou ao ápice da batalha do Centro Cívico em 29 de abril foi incompreendido pelos eleitores. "Todos os nossos resultados são positivos, mas isso nos causou desgaste." Ele também admitiu que o PSDB obteve um "péssimo desempenho no Brasil inteiro, até pelo desgaste de estar no governo dos estados por muitos anos e a onda de mudança em todo País."

RESULTADOS

O ex-governador também refutou que o resultado da urna esteja ligado à avaliação da sua gestão e enumerou investimentos feitos nos últimos oito anos. "Deixei um Estado sem dívidas com 16% de superavit. Um gestor que não zela pelos recursos não deixa o Estado nas condições que deixei, com R$ 6,7 bilhões em caixa." Ele citou o pagamento de precatórios e ressaltou a participação do Paraná no PIB (Produto Interno Bruto) de 6,3%, que foi ampliada na sua gestão. Também elencou investimentos na saúde como compra de ambulâncias, transporte escolar, merenda e informatização de escolas.

Em relação ao segundo turno das eleições presidenciais, o tucano tende a apoiar o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Já ao governador eleito, Ratinho Junior (PSD), desejou boa sorte e descartou a hipótese de pedir para assumir secretaria no Palácio Iguaçu como retribuição. "Espero que tenha um grande desempenho, que coloque em prática todos os compromissos assumidos. Ele tem condições para isso, é jovem, tem vigor, é trabalhador e tem uma grande equipe que o acompanha."


Guilherme Marconi/Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA


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