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MP pede que aluno que esfaqueou professor fique apreendido

A delegada de Formosa do Oeste, Amanda Macedo Ribeiro, pediu a internação provisória do adolescente que teria esfaqueado um professor dentro da escola em Formosa do Oeste (Oeste). O ato infracional ocorreu nesta terça-feira (23), após uma discussão na aula de português. O menino foi apreendido depois que atingiu o professor com uma facada na perna e resistiu à ação policial. Nesta quarta (24), o autor do crime, de 15 anos, foi ouvido pelo MP (Ministério Público). A promotora Nathalie Murillo Floroschk ofereceu denúncia e a decisão sobre a internação agora cabe ao Poder Judiciário.

Segundo a delegada Amanda Macedo Ribeiro, a internação de um adolescente é a última coisa que deve ser feita, mas a situação foi grave, já que o menino atingiu o professor com uma facada na perna. Além da tentativa de homicídio, o adolescente responderá por outros crimes. “Ele agiu com violência contra o investigador e o agente de cadeia, irá responder por novas infrações, como desacato e resistência”, afirmou.

A faca usada no ato infracional foi levada na mochila do adolescente e não foi encontrada pela polícia. “O ideal é que ele volte à convivência, só que o crime é muito grave. Se ele ficar só cinco dias retido não é o suficiente”, argumentou a delegada. De acordo com Ribeiro, o menino alegou que tinha divergências com o professor.

O conselho tutelar de Formosa do Oeste afirmou que não é a primeira vez que o menino se envolve em problemas. O órgão foi chamado diversas vezes por “indisciplina escolar” e por “fatos ocorridos na cidade”, conforme relatado à reportagem. Uma conselheira tutelar da cidade contou que esta foi a primeira vez que o menino partiu para agressão e que ele já é assistido pela rede de proteção estadual e pelo Sim Paraná, entidade que cuida de dependentes químicos.

Ainda de acordo com o conselho tutelar, o adolescente já havia apresentado comportamento agressivo dentro de casa, com a mãe. A internação no Cense (Centro de Socioeducação) tem prazo de 45 dias, mas pode ser prorrogada.

INSEGURANÇA NAS ESCOLAS

Questionários da Prova Brasil, do Ministério da Educação, aplicados em 2015, mostraram que 23 mil professores contaram que já foram agredidos por algum aluno da escola. A Polícia Civil do Paraná não tem números especificados de agressão a professores. Os inquéritos de lesão corporal só são abertos quando a vítima vai até a delegacia e deseja representar contra o autor do crime.

O presidente da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná), Hermes Leão, disse que está acompanhando a situação ocorrida em Formosa do Oeste, e que já entrou em contato com a família do professor. “Procuramos cobrar do governo mais trabalho na questão do estudante e das escolas na rede de proteção social, que é importante para prevenir situações como esta de Formosa do Oeste”, pontuou. 

Vesco está hospitalizado e não corre risco de morte, mas teve de se submeter a uma cirurgia por conta dos ferimentos. Leão lembra que ocorrências graves não são maioria nas escolas estaduais. O que é corriqueiro, tido como comum, são as agressões verbais, colocadas como “indisciplina”.

A Seed (Secretaria Estadual de Educação) afirmou, por meio de nota, que “desde que tomou conhecimento do ocorrido, o secretário da Educação, Renato Feder, está em contato direto com o professor e a diretora da escola, prestando solidariedade e oferecendo o suporte necessário”.

A pasta garantiu que acompanha o caso e que tem prestado apoio e acolhimento, além de reforçar programas como o Escola Segura, que estabelece que policiais militares da reserva façam a segurança no interior das escolas.

Leão, no entanto, não vê o programa como solução para esses casos. “A presença de mais repressão não tem sido um método adequado para evitar que violências ocorram. O que deve ser trabalhado é a formação.”

FONTE - FOLHA DE LONDRINA

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