RECADO DO CHEIDA - UM COPO DE VENENO
Secretário do Meio Ambiente-PR - Dr. Luiz Eduardo Cheida
Publicado em: 18/10/2013
O homem das cavernas, quando muito, tinha no corpo o produto biológico de algum microorganismo externo, traduzido em toxinas.
Graças
ao modelo de desenvolvimento, lastreado na química moderna, hoje ele
acumula substâncias nunca dantes retiradas da natureza e outras que
compõem uma natureza própria, extraída na unha de sua tecnologia.
A leitura laboratorial do sangue, demais tecidos, e da urina de uma pessoa, são de uma clareza enervante.
Ali podem ser encontradas, tijolo por tijolo, como em um grande edifício:
Ali podem ser encontradas, tijolo por tijolo, como em um grande edifício:
Ftalatos,
usados em plásticos que embalam alimentos, esmaltes, xampu,
desodorante, loção, laquê, cortina de banheiro, brinquedos plásticos
para água, colchões, travesseiros, carpetes, tapetes, telefones, secador
de cabelo. PBDE ou éteres difenil polibromados, em móveis e tecidos,
torradeiras, cafeteiras, microondas, TV, aparelho de som, computador.
Ftalatos e PBDE provocam distúrbios de crescimento.
Ftalatos e PBDE provocam distúrbios de crescimento.
Pesticidas,
desde os mata-insetos domésticos, coleiras antipulgas, sabonetes
antimicrobianos, até aqueles usados contra possantes pragas da
agricultura. Muitos associam-se à asma.
PFA,
que são o sulfonato de perfluoroctanoíla e o ácido perfluoctanóico,
usados em panelas antiaderentes, tecidos, tira-manchas, saco de pipoca
para microondas. Em doses altas, levam ao câncer.
PCBs ou
bifenilas policloradas. Estão proibidos, mas se encontram em qualquer
lugar. Eram usados em sistemas de refrigeração e como isolantes
elétricos. Também causam câncer.
Bisfenóis. São hormônios sintéticos usados em garrafas plásticas rígidas como mamadeiras. Causam danos ao sistema reprodutor.
PAHs ou hidrocarbonetos poliaromáticos, resultantes da queima incompleta dos combustíveis. Agridem veias e artérias.
Dioxinas, subproduto de queima industrial, queima de gorduras, queima de lixo. Causam câncer e anomalias congênitas.
Metais pesados.
O chumbo, presente em tintas antigas (ainda nas paredes de muitas
casas). O mercúrio, acumulado em peixes como o atum. O cromo e o
arsênico, resultantes do tratamento de móveis de madeira. Conseqüências:
de simples atrasos no desenvolvimento até a morte.
Crianças que engatinham, expõem-se mais. Pessoas próximas a locais com elevada concentração, contaminam-se mais.
O resultado desta sopa de letras, dentro do corpo de cada um, ainda é mistério.
Os possíveis malefícios parecem ser a soma das concentrações e misturas e a conformação genética de cada um. Por isso, alguns adoecem, outros não.
Entretanto, crianças nascem deformadas, homens ficam estéreis, mulheres amamentam com leite carregado de pesticidas.
O custo humano que banca esse tipo de progresso é muito alto.
Os possíveis malefícios parecem ser a soma das concentrações e misturas e a conformação genética de cada um. Por isso, alguns adoecem, outros não.
Entretanto, crianças nascem deformadas, homens ficam estéreis, mulheres amamentam com leite carregado de pesticidas.
O custo humano que banca esse tipo de progresso é muito alto.
A
cada ano, mais de 100.000 moléculas novas são sintetizadas e mais de
2.000 novas substâncias, comercializadas em grande escala.
A química põe na praça um número cada vez maior de compostos artificiais. O resultado é a circulação, na biosfera, de compostos minerais ou orgânicos, altamente tóxicos. Cedo ou tarde, eles estarão dentro de nós.
A química põe na praça um número cada vez maior de compostos artificiais. O resultado é a circulação, na biosfera, de compostos minerais ou orgânicos, altamente tóxicos. Cedo ou tarde, eles estarão dentro de nós.
Lá em cima do piano tem um copo de veneno
Quem bebeu, morreu
O culpado não fui eu
Foi aquele quem bebeu.
Quem bebeu, morreu
O culpado não fui eu
Foi aquele quem bebeu.
Nesta
inocente brincadeira de criança, ganha quem ficar por último. Os
perdedores são eliminados quando a última frase cai em sua mão.
A vida não pode ser um mero jogo de azar.
Um forte abraço e até sexta que vem.
Luiz Eduardo Cheida é
médico, Deputado Estadual e Secretário do Meio Ambiente e Recursos
Hídricos do Paraná. Premiado pela ONU por seus projetos ambientais é
membro titular do CONAMA ( Conselho Nacional do Meio Ambiente) e do
Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Foi prefeito de Londrina e
presidente da Comissão de Ecologia da Assembleia Legislativa do Paraná.
Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos Rua Desembargador Motta, 3384 - 80430-200 - Curitiba - PR Fone (41) 3304-7700. |


