[Fechar]

PageNavi Results No. (ex: 7)

7

Últimas notícias

Mandioca é 'ouro' no agronegócio paranaense

Redução drástica na oferta do produto no País, graças a uma quebra de produção no Nordeste, fez com que os preços do tubérculo disparassem no Estado
Fotos: Celso Pacheco
No Paraná, ainda falta mão de obra especializada na colheita da raiz
O agricultor vive de oportunidades. Mais do que produzir com qualidade, existem diversos fatores externos que fazem com que sua lucratividade dispare de uma hora para outra. O tomate foi um exemplo recente. Agora, baseado nos preços de mercado e na expectativa para a safra 2013/14, chegou a vez da mandioca industrial, voltada para a produção de farinha e fécula (amido), ver seu valor crescer. Sem dúvida alguma, atualmente, o produto é uma das "joias" do agronegócio brasileiro. 

Os produtores do Paraná - principal produtor de fécula do Brasil – estão extremamente satisfeitos com os preços de comercialização (veja mais no box). Como o ciclo do produtovaria entre oito meses e um ano e meio, está ganhando dinheiro quem plantou há a um, dois ou até três anos. É claro que neste momento de "oba-oba" da cultura, muitos oportunistas estão arriscando na atividade, o que acabou inflacionando os preços do arrendamento de terras, principalmente na região Noroeste do Estado, onde está alocada 54,6% da produção paranaense projetada. 

De acordo com números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab), a área de plantio do tubérculo sofrerá um incremento de 13%, de 161,5 mil hectares (ha) da safra 2012/13 para 182,1 mil ha para a safra 2013/14. Na região Norte, que possui produção pequena comparada a outras localidades do Paraná, acontece o principal incremento, de 12,4 mil ha para 17,3 mil ha, elevação de 40%. No Noroeste, onde a cultura impera, a alta é de 88,6 mil ha para 99,4 mil ha, incremento de 12%. 

Em relação à produção, a elevação é mais tímida. A expectativa é que se atinja nesta safra 4,03 milhões de toneladas, alta de 5% comparado aos 3,86 milhões da safra 2012/13. O número não é tão significativo porque houve uma retração na produtividade, que deve cair de 23,9 mil quilos/hectare (kg/ha) para 22,1 mil kg/ha (-7%). Na verdade, o número por hectare desta safra não está ruim. O fato, explicam os pesquisadores do Deral, é que, noano passado, o índice de produtividade foi um pouco anormal devido à colheita de muitas áreas com ciclo de um ano e meio. 

Para o técnico do Deral especializado na cultura, Metódio Groxko, a mandioca "tomou o lugar do tomate e hoje é o ouro do agronegócio". A justificativa para esse "boom" está na redução drástica na oferta do produto graças a uma quebra de produção no Nordeste, ocorrida em 2011. Só na Bahia, a quebra foi de 45%. 

"A produção nordestina ainda não está recuperada, o que fez com que a produção paranaense ganhasse espaço. Estamos vendendo toda nossa produção de farinha para lá. A disputa pela matéria-prima também é enorme. Tem gente viajando mais de 2 mil quilômetros para vim buscar raiz aqui no Paraná. No varejo nordestino, o quilo da mandioca está saindo a R$ 10", salienta ele. 

A ótima movimentação da cultura, segundo Groxko, tem acontecido de quatro anos para cá. No ano passado, porém, os preços dispararam a chegaram ao patamar de R$ 600 a tonelada em alguns pontos do Estado, um recorde absoluto. "Me lembro quando ingressei no Deral em 1978. Havia tanta mandioca que não compensava colher. Os produtores chegaram a soltar o gado no plantio para dizimar a cultura. Hoje, a área é bem menor, mas a situação é completamente favorável. Sem dúvida, é uma grande oportunidade para os pequenos produtores, apesar da dificuldade de encontrar mão de obra para a colheita." 


Victor Lopes
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
UA-102978914-2