Perícia digital desponta como profissão em ascensão
Demanda por profissional que saiba rastrear crimes cibernéticos cresce frente ao uso exponencial de computadores pessoais, smartphones e tablets
Entre as vantagens da profissão, Maurício Yorinori ressalta a inexistência da rotina: "Não existem dois casos iguais"
O sucesso de seriados norte-americanos como o C.S.I. (conhecido no Brasil como C.S.I. - Investigação Criminal) enaltece o trabalho de peritos da vida real, já que retrata, ainda que de maneira ficcional, parte do trabalho desses profissionais pelo qual muitos crimes são elucidados. Isso tem despertado o interesse por essa área de atuação. Diante das várias áreas possíveis pela qual um perito pode atuar, a demanda por profissionais de perícia digital têm crescido frente ao uso exponencial de tecnologias de transmissão de dados utilizadas tanto em computadores pessoais, smartphones ou tablets e aumento de crimes cibernéticos.
Ainda existem muitas dúvidas relacionadas a esse tipo de trabalho, a começar pela diferenciação entre a perícia oficial e a forense. A oficial é aquela exercida por profissionais concursados das polícias federal ou civil. Já a forense é exercida por autônomos especialistas em determinada área do conhecimento, que podem atuar como peritos judiciais ou como auxiliares técnicos da perícia oficial, mediante a solicitação de um juiz.
O delegado do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), Demétrius Gonzaga de Oliveira, faz questão de diferenciar esses dois profissionais. Ele enfatiza que um processo que tenha condenado um criminoso perigoso, como um pedófilo, pode ser questionado ou anulado se a decisão judicial for tomada com base em parecer técnico de especialista e não em laudo técnico emitido por um perito oficial. "Um juiz pode até nomear um especialista como perito judicial ou como assistente técnico, mas essa condição é temporária e, assim que terminar o julgamento, ele perde essa condição", argumenta.
Mesmo assim o trabalho dos dois é muito semelhante, principalmente em relação a formação do profissional, que deve ser aprofundada em tecnologia e legislação básica brasileira como o Código Civil, Código Penal, Consolidação das Leis do Trabalho e, principalmente, normas processuais e procedimentais que regulamentam a produção da prova pericial no Brasil, para que a evidência não seja inutilizada pelo manuseio inadequado. Um exemplo disso é a exigência para que os discos rígidos sejam duplicados para que os peritos trabalhem em cima de uma cópia da prova e não com o equipamento original, já que há a possibilidade de adulteração dos dados mediante a manipulação das informações contidas.
A profissão por vezes exige sacrifícios. O perito do Instituto de Criminalística do Paraná, Maurício Nakao Yorinori, destaca que nos últimos quatro anos pôde tirar apenas 10 dias de férias. Mesmo assim ele se declara apaixonado pelo que faz. "Eu amo o que faço, embora eu ache que haja distorções na carreira que deveriam ser corrigidas", frisa. Ele explica que um perito do Instituto de Criminalística do Paraná só pode atingir a plenitude de sua carreira depois de 60 anos. Formado em Ciências da Computação em 2007, ele revela que no início achou que trabalharia mais no laboratório de informática, mas relata que já teve de acompanhar vários casos em campo. Entre as vantagens da profissão, ele ressalta a inexistência da rotina. "Não existem dois casos iguais", argumenta.
Os ganhos salariais de um perito são variáveis e a Polícia Federal é a que melhor remunera quem está nessa profissão. O salário divulgado no edital de último concurso é de R$ 14.037,11 para quem está iniciando a carreira. Tamanho rendimento é justificado pelos casos que são resolvidos graças à atuação do perito. Há dois anos a PF atuou em um caso em que a perícia digital foi fundamental para a elucidação do caso. Na época, um funcionário que trabalhava dentro de uma companhia telefônica foi preso em flagrante em Londrina por desviar o fluxo de clientes para uma página clonada de um banco. O pedido de investigação foi feito pela própria companhia telefônica que desconfiava do funcionário e, mediante as provas obtidas pelos peritos, ele já foi condenado em segunda instância. "Além dele, vários casos de pornografia infantil foram constatados", enfatiza o perito da Polícia Federal, Antônio José dos Santos Brandão.
Ele afirma que o trabalho é gratificante, mas ressalta que está cada vez mais difícil analisar os dados diante do aumento da capacidade dos equipamentos, que passaram a armazenar de 1 a 1,5 terabyte de informação e, em alguns casos, os dados são armazenados em servidores externos, conhecidos como nuvem. "Os criminosos se atualizam tecnologicamente constantemente e nós precisamos acompanhar essa evolução", conclui.
Ainda existem muitas dúvidas relacionadas a esse tipo de trabalho, a começar pela diferenciação entre a perícia oficial e a forense. A oficial é aquela exercida por profissionais concursados das polícias federal ou civil. Já a forense é exercida por autônomos especialistas em determinada área do conhecimento, que podem atuar como peritos judiciais ou como auxiliares técnicos da perícia oficial, mediante a solicitação de um juiz.
O delegado do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), Demétrius Gonzaga de Oliveira, faz questão de diferenciar esses dois profissionais. Ele enfatiza que um processo que tenha condenado um criminoso perigoso, como um pedófilo, pode ser questionado ou anulado se a decisão judicial for tomada com base em parecer técnico de especialista e não em laudo técnico emitido por um perito oficial. "Um juiz pode até nomear um especialista como perito judicial ou como assistente técnico, mas essa condição é temporária e, assim que terminar o julgamento, ele perde essa condição", argumenta.
Mesmo assim o trabalho dos dois é muito semelhante, principalmente em relação a formação do profissional, que deve ser aprofundada em tecnologia e legislação básica brasileira como o Código Civil, Código Penal, Consolidação das Leis do Trabalho e, principalmente, normas processuais e procedimentais que regulamentam a produção da prova pericial no Brasil, para que a evidência não seja inutilizada pelo manuseio inadequado. Um exemplo disso é a exigência para que os discos rígidos sejam duplicados para que os peritos trabalhem em cima de uma cópia da prova e não com o equipamento original, já que há a possibilidade de adulteração dos dados mediante a manipulação das informações contidas.
Carreira
A profissão por vezes exige sacrifícios. O perito do Instituto de Criminalística do Paraná, Maurício Nakao Yorinori, destaca que nos últimos quatro anos pôde tirar apenas 10 dias de férias. Mesmo assim ele se declara apaixonado pelo que faz. "Eu amo o que faço, embora eu ache que haja distorções na carreira que deveriam ser corrigidas", frisa. Ele explica que um perito do Instituto de Criminalística do Paraná só pode atingir a plenitude de sua carreira depois de 60 anos. Formado em Ciências da Computação em 2007, ele revela que no início achou que trabalharia mais no laboratório de informática, mas relata que já teve de acompanhar vários casos em campo. Entre as vantagens da profissão, ele ressalta a inexistência da rotina. "Não existem dois casos iguais", argumenta.
Os ganhos salariais de um perito são variáveis e a Polícia Federal é a que melhor remunera quem está nessa profissão. O salário divulgado no edital de último concurso é de R$ 14.037,11 para quem está iniciando a carreira. Tamanho rendimento é justificado pelos casos que são resolvidos graças à atuação do perito. Há dois anos a PF atuou em um caso em que a perícia digital foi fundamental para a elucidação do caso. Na época, um funcionário que trabalhava dentro de uma companhia telefônica foi preso em flagrante em Londrina por desviar o fluxo de clientes para uma página clonada de um banco. O pedido de investigação foi feito pela própria companhia telefônica que desconfiava do funcionário e, mediante as provas obtidas pelos peritos, ele já foi condenado em segunda instância. "Além dele, vários casos de pornografia infantil foram constatados", enfatiza o perito da Polícia Federal, Antônio José dos Santos Brandão.
Ele afirma que o trabalho é gratificante, mas ressalta que está cada vez mais difícil analisar os dados diante do aumento da capacidade dos equipamentos, que passaram a armazenar de 1 a 1,5 terabyte de informação e, em alguns casos, os dados são armazenados em servidores externos, conhecidos como nuvem. "Os criminosos se atualizam tecnologicamente constantemente e nós precisamos acompanhar essa evolução", conclui.
Vítor Ogawa
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA

