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NORTE PIONEIRO - O trabalho como destino

Apenas 39% da população economicamente ativa tem emprego formal nos pequenos municípios da região; muitos trabalhadores vivem na informalidade ou buscam vagas em outras cidades

Fotos: Anderson Coelho
A rodovia integra a rotina de grupo de moradores de Ribeirão do Pinhal e Nova Fátima que trabalham em frigorífico de aves em Rolândia
Pedro Justino Vieira trocou as lavouras de cana em busca de um "serviço melhor"
Fernanda Carlos Perole aceita o sacrifício do deslocamento em função do salário fixo, da cesta básica e do registro em carteira
Ribeirão do Pinhal - A falta de empregos nos municípios do Norte Pioneiro está obrigando parte da população economicamente ativa a buscar trabalho em outros municípios, distantes quase 200 quilômetros de suas casas. Na região, apenas 39% das pessoas aptas ao trabalho têm emprego formal. O restante vive na informalidade ou em situações características de subemprego.

Em Ribeirão do Pinhal e Nova Fátima grupos de trabalhadores enfrentam semanalmente até 160 quilômetros para chegar em Rolândia, para uma jornada em um frigorífico de frangos, que começa às 16 horas e vai até as 2 da madrugada. O tempo gasto no percurso de ida e volta é de quase seis horas. A partida ocorre por volta do meio-dia, com retorno às 4h30.

Esta rotina é compartilhada por quase 50 trabalhadores que embarcam todos os dias para o mesmo destino. Elisângela Domingues trabalhou cinco anos como boia-fria e dependia sempre do tempo e da disponibilidade de serviço para ir ao campo. Ela é mãe de dois meninos, de 9 e 6 anos, que ficam com a avó enquanto trabalha. Pedro Justino Vieira era cortador de cana e estava à procura de um "serviço melhor". E Fernanda Carlos Perole era empregada doméstica na cidade. Ela é casada e tem uma filha de 9 anos.

Os três trabalhadores partilham da opinião de a rotina de viajar para Rolândia todo dia é muito cansativa e não escondem o desejo de ter um emprego mais perto de casa. Entretanto, aceitam o sacrifício em função do salário fixo, da cesta básica e do registro em carteira, o que lhes garante também alguns benefícios como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), férias e a contagem de tempo para a aposentadoria. O salário médio chega a R$ 1.100 mil por mês.

A REALIDADE EM NÚMEROS
Ribeirão do Pinhal tem 13.740 habitantes, segundo estimativas do IBGE para 2013. A população economicamente ativa do município é de 6.714 pessoas, das quais apenas 1.528 têm empregos formais, o que corresponde a 23% da população.

Elisângela, Pedro e Fernanda fazem parte dos outros 77% que trabalham em outras cidades ou, como a maioria, na informalidade.

O baixo nível de emprego reflete também na renda per capita da população local, que era de R$ 8.682,00 em 2011, o que dá uma média mensal de R$ 720,00, segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

A maioria dos municípios do Norte Pioneiro tem uma situação idêntica a de Ribeirão do Pinhal, com menos da metade da população economicamente ativa trabalhando em empregos formais. Nos municípios de Cornélio Procópio, Jacarezinho, Jaguariaíva, Joaquim Távora, Sengés e Siqueira Campos o número de empregos formais está um pouco acima de 50%. O índice chega a 84,9% em Nova América da Colina, onde apenas uma usina emprega boa parte da população.

Só para se ter uma ideia do contraste, em Curitiba o índice de empregos formais chega a quase 100% da população economicamente ativa.


Eli Araujo
Reportagem local-FOLHA DE LONDRINA
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