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Paixão de pai para filho

Herança mais estimada, o Fusca alviverde de Almir Bernardes já carregou maior ídolo da história do Palmeiras; carro será reformado no ano do centenário do clube

Arquivo Pessoal
O Fusca, que carregou Ademir da Guia, não tem preço; a família já recusou várias propostas
Fotos:Gustavo Carneiro
Almir Bernardes mostra com orgulho os adereços do Palmeiras também colecionados por seu falecido pai
Os funcionários da funerária ajudam a cuidar do veículo. "É uma forma de lembrar do Seu Oswaldo", diz José Antonio Pereira
Cornélio Procópio – Se esse Fusca falasse, certamente engrossaria o coro na torcida pelo Palmeiras, que comemora o centenário este ano. O Volkswagen modelo 1961 é a herança de maior valor sentimental deixada pelo empresário Oswaldo Bernardes para o filho Almir. A fama do carro adesivado com símbolos do alviverde paulistano ultrapassou as barreiras de Cornélio Procópio. Entre os passageiros ilustres que já deram uma volta no fusquinha, está Ademir da Guia, maior ídolo da história do time.

Almir se recorda das viagens que fazia com o pai, mais de 400 quilômetros rodados para assistir os jogos do Palmeiras, em São Paulo, no Parque Antártica. "O trecho da Avenida Francisco Matarazzo ao lado do estádio parava. Todos queriam fazer uma foto, tocar no nosso Fusca", lembrou. Segundo Almir, até torcedores de outros times perdiam alguns minutos para admirar o carro com placas de Cornélio Procópio. "Às vezes eu ligava para o meu pai no domingo para ele passar no mercado, ou algo parecido, e ele respondia que estava na Castelo Branco (rodovia) a caminho de São Paulo", contou.

No entanto, desde a morte de Oswaldo Bernardes, em setembro de 2010, o veículo teve suas viagens praticamente reduzidas a zero. Sem o mesmo espírito aventureiro do pai, Almir conserva o carro estacionado nos fundos da funerária da família, no centro da cidade. Os adesivos dos distintivos do Palmeiras, do Palestra Itália e dos mascotes periquito e porco, já começam a apresentar sinais de desgaste. Almir planeja trocar os adesivos por uma pintura definitiva. "A intenção é eternizar essa paixão que passa de pai para filho", ressaltou.

A transformação do Fusca começou em 2006. Oswaldo Bernardes pagou R$ 1 mil pelo veículo quase em condição de sucata e investiu cerca de R$ 18 mil com mecânicos, funileiros, tapeceiros e adesivagem. Almir é taxativo ao dizer que o carro não tem preço. Já recusou várias propostas de compras. "Esse aqui vai ficar comigo até o fim", garantiu. Os funcionários da funerária ajudam a cuidar do veículo. Sempre que sobra um tempo, eles lavam, passam uma cera. "É uma forma de lembrar do Seu Oswaldo", dizem.

Almir Bernardes conta com orgulho que a filha de 15 anos também é palmeirense. "Ainda bem, porque a mãe é corintiana. Essa disputa eu ganhei", brincou. "Olha que eu nem sou tão fanático como meu pai", disse Almir, que tem todos os distintivos do clube tatuados no braço, desde o primeiro, do Palestra Itália, de 1914, até o atual. A fachada da funerária também tem as cores do Palmeiras. "É uma tradição que mantém viva a memória dele".
Celso Felizardo
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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