Profissionais investem em intercâmbio voluntário
Além de conhecer outras culturas, os viajantes colocam a mão na massa para ajudar comunidades locais
"Antes meu sonho era fazer residência. Hoje eu estaria disposta a abrir mão para adotar uma criança", comenta a médica Adna Ferelli Reis
"É uma experiência inexplicável. Pena que não temos esse hábito de participar de projetos voluntários", aponta a dentista Carla Zortea (à direita)
Londrina – Trinta dias. Este foi o tempo necessário para que a médica Adna Ferelli Reis, de 27 anos, se apaixonasse pelas crianças internadas no Hospital Sarah Fox, na África do Sul. O instituto fica na Cidade do Cabo e atende pacientes com até 6 anos vítimas de violência. Da experiência intensa nasceu o desejo profundo de adotar uma das crianças. O olhar do menino Thando, de apenas 2 anos, conquistou a médica. "Infelizmente, por causa da burocracia, eu não consegui trazê-lo para cá, mas eu ainda quero adotar uma das crianças", garante.
Em julho do ano passado, Adna optou pelo intercâmbio voluntário após a conclusão do curso de Medicina. Ela pediu demissão, coletou doações da família e dos amigos e seguiu viagem. Na África do Sul, a receptividade foi calorosa. A médica recebeu orientações sobre a cultura local e conheceu a cidade e o hospital onde iria atuar. Lá, Adna não exerceu a medicina. "A gente se revezava nos trabalhos básicos do dia a dia do hospital como lavar a roupa das crianças, cozinhar, organizar o espaço e, principalmente, cuidar delas, no sentido de dar atenção mesmo", explica.
As diferenças culturais chamaram a atenção da londrinense. "Quem trabalha no hospital lá não tem o costume de pegar as crianças no colo e transmitir carinho. Como os bebês não eram retirados do berço todos os dias, eles não tinham cabelo na região da nuca", contou espantada. Da viagem, Adna não esquece o barulho que as crianças faziam todos os dias para demonstrar a alegria com a chegada do grupo de voluntárias ao hospital.
O convívio com as diferenças fez com que a médica repensasse as prioridades nos âmbitos profissional e pessoal. "Antes meu sonho era fazer residência. Hoje eu estaria disposta a abrir mão da minha especialização para adotar uma criança. Você muda o seu foco. As crianças que estão lá precisaram ser retiradas das famílias. Muitas nem recebem visitas. O que é uma especialização perto de um futuro para aquela criança que hoje não tem perspectiva nenhuma?", questiona.
Assim como Adna, a dentista Carla Zortea, de 33 anos, escolheu o intercâmbio voluntário para viajar para o exterior. A londrinense permaneceu na Índia durante um mês e relatou a experiência por e-mail durante a viagem. "É um país muito complexo. Aqui é um misto de sentimentos, emoções... Um país muito pobre, mas muito bonito e com pessoas muito doces", destacou. Carla participa de projetos com crianças e auxilia os professores em sala de aula. A jovem lamentou a falta de interesse dos brasileiros em executar trabalhos voluntários. "É uma experiência inexplicável, muito positiva. Pena que não temos esse hábito de participar de projetos voluntários, assim como os europeus", aponta. Após a viagem à India, Carla seguiu para a Inglaterra.
Em julho do ano passado, Adna optou pelo intercâmbio voluntário após a conclusão do curso de Medicina. Ela pediu demissão, coletou doações da família e dos amigos e seguiu viagem. Na África do Sul, a receptividade foi calorosa. A médica recebeu orientações sobre a cultura local e conheceu a cidade e o hospital onde iria atuar. Lá, Adna não exerceu a medicina. "A gente se revezava nos trabalhos básicos do dia a dia do hospital como lavar a roupa das crianças, cozinhar, organizar o espaço e, principalmente, cuidar delas, no sentido de dar atenção mesmo", explica.
As diferenças culturais chamaram a atenção da londrinense. "Quem trabalha no hospital lá não tem o costume de pegar as crianças no colo e transmitir carinho. Como os bebês não eram retirados do berço todos os dias, eles não tinham cabelo na região da nuca", contou espantada. Da viagem, Adna não esquece o barulho que as crianças faziam todos os dias para demonstrar a alegria com a chegada do grupo de voluntárias ao hospital.
O convívio com as diferenças fez com que a médica repensasse as prioridades nos âmbitos profissional e pessoal. "Antes meu sonho era fazer residência. Hoje eu estaria disposta a abrir mão da minha especialização para adotar uma criança. Você muda o seu foco. As crianças que estão lá precisaram ser retiradas das famílias. Muitas nem recebem visitas. O que é uma especialização perto de um futuro para aquela criança que hoje não tem perspectiva nenhuma?", questiona.
Assim como Adna, a dentista Carla Zortea, de 33 anos, escolheu o intercâmbio voluntário para viajar para o exterior. A londrinense permaneceu na Índia durante um mês e relatou a experiência por e-mail durante a viagem. "É um país muito complexo. Aqui é um misto de sentimentos, emoções... Um país muito pobre, mas muito bonito e com pessoas muito doces", destacou. Carla participa de projetos com crianças e auxilia os professores em sala de aula. A jovem lamentou a falta de interesse dos brasileiros em executar trabalhos voluntários. "É uma experiência inexplicável, muito positiva. Pena que não temos esse hábito de participar de projetos voluntários, assim como os europeus", aponta. Após a viagem à India, Carla seguiu para a Inglaterra.
Viviani Costa
Reportagem Local-folha de londrina
Reportagem Local-folha de londrina

