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Chuva castiga paranaenses em 2014

Do início do ano até a primeira semana deste mês, mais de 1 milhão de paranaenses tiveram algum prejuízo significativo em decorrência do mau tempo. Simepar aponta como culpadas a ocorrência de fenômenos intensos em áreas densamente povoadas e as temperaturas mais altas

Arnaldo Alves/ANPr
União da Vitória, no Sul do Estado, é tomada pelas águas do Rio Iguaçu em junho: final do outono concentrou grande parte dos estragos de 2014 no Estado
Nestes dias secos, quando as nuvens começam a se formar, muita gente comemora porque a chuva vai "aliviar o calor" e "limpar o ar". Entretanto, para muitos paranaenses, o tempo nublado gera apreensão. De acordo com estatísticas da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, o número de pessoas que sofreram com transtornos provocados por chuvas fortes no Estado entre o início do ano e a primeira semana de setembro quase dobrou em relação ao mesmo período em 2013.

As tempestades, inundações, enxurradas e alagamentos decorrentes geraram 337 ocorrências dignas de registro no Sistema Informatizado de Defesa Civil, em 207 municípios diferentes.

A variação nas quantias de registros e de cidades atingidas, de respectivamente 11,96% e de 18,29% na comparação com o ano passado, não foi tão expressiva. Entretanto, quando se leva em conta o número de pessoas afetadas, fica claro que as chuvas fortes foram muito mais expressivas no cotidiano do Paraná em 2014. No ano passado, entre janeiro e o começo de setembro, foram 572.351 paranaenses atingidos; este ano, no mesmo período, foram pouco mais de 1 milhão de pessoas, quase 10% da população do Estado. O aumento foi de 85,93%.

A Defesa Civil define pessoas afetadas como as populações que tiveram desde pequenos transtornos provocados por desastres naturais, como interrupção temporária no fornecimento de energia elétrica, até as que tiveram que deixar suas casas. O último grande registro foi no dia 2, quando tempestades, vendavais e/ou chuvas de granizo atingiram 25 municípios, danificaram 6 mil imóveis e afetaram 24 mil pessoas, das quais 1,8 mil foram obrigadas a sair das suas casas.

O Instituto Tecnológico Simepar, que monitora as condições meteorológicas do Estado, aponta que a principal responsável pelo aumento do número de pessoas afetadas por chuvas fortes é a ocorrência desses fenômenos em áreas mais povoadas. As temperaturas mais altas na comparação com 2013 também interferiram (veja texto nesta página).

Segundo os dados da Defesa Civil, das 10 cidades mais populosas do Paraná, cinco aparecem entre as que tiveram mais pessoas afetadas por transtornos significativos gerados por esses fenômenos em 2014: Guarapuava (167.990 vítimas), Cascavel (150.150), Maringá (125.671), Foz do Iguaçu (22.328) e Curitiba (17.159). As outras cinco são Irati (56.207 pessoas afetadas), União da Vitória (53.388), Prudentópolis (42.072), Quedas do Iguaçu (33.015) e Palmeira (20 mil).

O capitão Eduardo Gomes Pinheiro, da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Paraná, lembra que o principal responsável pelo grande aumento de afetados pelas chuvas fortes do ano passado para 2014 foi o período de temporais no início de junho. Naquela ocasião, segundo dados da Defesa Civil, foram 155 municípios atingidos e quase 830 mil pessoas afetadas. "Foi um dos maiores desastres naturais da história do Paraná", afirma.

Pinheiro diz que, como aproximadamente 40% dos municípios paranaenses foram afetados, os estragos atingiram muitas áreas urbanizadas, o que aumentou o número de pessoas que sofreram os efeitos de chuvas fortes. "Este ano, houve um período de dois dias em que houve uma grande precipitação, de 380 mm, em Guaraqueçaba (Litoral). Entretanto, não é uma região de grande densidade populacional, então não houve maiores problemas. Quando acontece uma concentração de chuvas em bacias hidrográficas que atravessam cidades já construídas e estabelecidas ao longo do tempo, nós temos problemas", justifica.

Ele acredita que, "após anos de estagnação", o Brasil e o Paraná estão despertando para ações relacionadas à prevenção de desastres. Uma parte dessa estratégia passa pela remoção de populações que moram em áreas de risco, mas em razão de limitações orçamentárias dos municípios há dificuldade para promover esse deslocamento. Dessa forma, outra parte do planejamento diz respeito a fazer com que as populações locais sejam mais resistentes a esses eventos – o chamado "risco aceitável".

"A etapa que estamos enfrentando é a integração entre planejamentos setoriais. Pensava-se o planejamento urbano sem levar em conta a prevenção de desastres. Isso está mudando", diz Pinheiro. Ele ressalta, entretanto, que como essa mudança é recente, os resultados serão percebidos apenas dentro de alguns anos.

FONTE - FOLHA DE LONDRINA
Fábio Galão
Reportagem Local
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