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Luto no futsal londrinense

Comunidade esportiva lamenta o falecimento de Edmílson Estigarribia, apontado como principal incentivador da modalidade na cidade

Marcos Zanutto
Joãozinho (à esq.) e Nelson Zaminelli: parceiros de Edmílson na promoção do futsal londrinense
Arquivo Pessoal
Edmílson Estigarribia iniciou sua trajetória no esporte como mesário, no começo dos anos 70
"O futsal de Londrina perdeu seu maior incentivador, perdeu seu pai". A frase do técnico Nelson Zaminelli, de 59 anos, define bem o sentimento da comunidade do futsal amador da cidade com a perda de Edmílson Estigarribia, falecido no último dia 5 de setembro, vítima de um infarto fulminante durante uma cirurgia para retirada de um tumor, aos 66 anos.

Estigarribia é considerado um dos maiores nomes do futsal da cidade e um dos responsáveis pela fase áurea do esporte. Em mais 40 anos de dedicação à modalidade, ajudou a fomentar torneios e fortalecer a modalidade na região. Colecionou amigos e era uma pessoa muito querida no meio esportivo. "O Edmílson saiu sem deixar nada para trás, sem dever nada para ninguém, o que é muito difícil no meio do esporte. Era um cara que gostava de ajudar a todos", ressalta Zaminelli, velho companheiro de trabalho e parceiro de tantas horas.

Natural de Corumbá (MS), Estigarribia veio para Londrina ainda menino, no início da década de 60. Apaixonado por futsal, iniciou sua trajetória no esporte como mesário, no começo dos anos 70. Depois passou a secretário da Liga Londrinense de Futebol de Salão, cargo que ocupava até o dia de seu falecimento. Neste intervalo atuou como árbitro em algumas oportunidades.

Entre seus feitos mais importantes está a condução do projeto de construção do Palácio do Futsal, reconhecido até hoje como o primeiro ginásio particular pertencente a uma entidade dirigente – a Liga Londrinense de Futebol de Salão – na época dirigida por Ilson Bussadori. O acanhado ginásio na esquina das ruas Uruguai e Colômbia, na Vila Brasil, era a casa de Estigarribia. "Moro ali perto, então passava por lá todos os dias e ele sempre estava lá. Agora é estranho passar por ali e não vê-lo mais", diz, emocionada, a coordenadora e ex-técnica do time de futsal feminino de Londrina, Vanda Sanches.

Amigos, como Zaminelli, que participaram ativamente da vida do futsal amador londrinense, contam que Estigarribia vivia para o esporte e o consideram o principal incentivador da modalidade na cidade. "Ele estava no futsal desde 1972. Foi secretário da Liga em todas as gestões até hoje e durante todo esse tempo foi ele quem ditou o trabalho e fez a coisa acontecer de verdade. Se o futsal de Londrina tem a história que tem, muito é por conta do trabalho dele", exalta o técnico.

Segundo Vanda, foi assim também com o futsal feminino, uma das poucas modalidades de alto rendimento que segue viva em Londrina. "Quando começamos o futsal feminino em Londrina, no início da década de 80, ele nos ajudou muito. Como a gente estava começando, ele cedia o Palácio para nós e isso foi um grande incentivo. Depois, em 93, quando montamos o time, mandamos muitos jogos lá também. Então, ele ajudou a impulsionar muito a modalidade", diz a diretora.

Atualmente, Estigarribia trabalhava com um grande objetivo em mente: reerguer a modalidade que ajudou a desenvolver, que vinha perdendo força desde o início dos anos 2000. Com a ajuda de Zaminelli e do ex-jogador João Fernandes, o Joãozinho, ele reativou o tradicional Campeonato Metropolitano e o Citadino Menores, e preparava agora a edição do Citadino Adulto Livre. "É até uma ironia, pois o nome do campeonato ia ser Gumercindo Marcantonio (outro grande nome da modalidade da cidade, ex-técnico e presidente da Liga), mas aí aconteceu isso e agora será Taça Edmílson Estigarribia, para homenageá-lo", revela. O início do torneio está previsto para o próximo dia 23.

E nem só de boas ações na quadra era feita a vida de Estigarribia. Era ele quem mantinha há muitos anos o "sopão" para moradores de rua, no próprio Palácio do Futsal. "Ele estava muito animado porque tinha ganhado da irmã um perua (carro) para levar o sopão, que ele fazia na própria casa", conta Zaminelli.

"Com certeza é uma pessoa que vai fazer muita falta. Um cara simples, que motivava a todos e que viveu para o esporte. Vai ficar o exemplo, de alguém que nos ensinou a nunca desacreditar", exaltou Vanda.
Rafael Souza-FOLHA DE LONDRINA
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