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Moradores protestam por solução em lixão

Terreno na zona oeste que deveria receber apenas resíduos de pequenos geradores se transformou em montanhas de todo tipo de lixo; vizinhança idealiza um espaço de lazer

Rei Santos
Representantes da Associação de Moradores do Santa Rita V atearam fogo em sofás nos trilhos da linha férrea
Londrina - O sonho de ver o terreno que abriga um grande lixão na zona oeste, em um espaço de lazer, com pista de caminhada e árvores em todo o redor é compartilhado pela maioria dos moradores do Conjunto Residencial Santa Rita V.

Mas enquanto o "projeto" se mantém apenas no imaginário, a maneira que eles encontraram para chamar atenção para o tema foi por meio de uma manifestação ontem pela manhã. Apesar da presença de poucas pessoas, representantes da Associação de Moradores do Conjunto Residencial Santa Rita V atearam fogo em sofás, nos trilhos da linha férrea.

"Nosso desejo é que esse lixão acabe, mas chegamos ao ponto de aceitar que isso está longe de acontecer. Resolvemos nos reunir para cobrar que esse lugar tenha pelo menos uma manutenção, seja organizado. Sabemos que 15 metros acima e abaixo da linha férrea é de responsabilidade da América Latina Logística (ALL). Queremos uma resposta", diz José Aparecido de Santana, conselheiro da Associação de Moradores.

Moradora há mais de 30 anos no bairro, Elenice de Marqui conta que diariamente presencia dezenas de carroceiros e caminhões despejando todo o tipo de material no local. "Tenho vergonha de morar aqui porque moro em um lixão. Estou tentando vender minha casa há tempos, mas não consigo porque essa região está desvalorizada por isso aqui", desabafa, apontando para as montanhas de lixo.

O fato é que o problema revelado pelos moradores do Santa Rita V não é novo. Há muito tempo o local é um desafio a ser encarado. Com a interdição dos ecopontos no primeiro semestre, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) liberou que três locais (Santa Rita V, Nova Conquista e Primavera) continuassem recebendo resíduos de pequenos geradores (até um metro cúbico).

Porém, o cenário que há tempos vem incomodando a vizinhança é bem diferente. No terreno é possível encontrar desde móveis a animais mortos. "Tudo o que não presta está aqui", comenta Antônio Coutinho Mariano, morador no bairro há 15 anos.

A diretoria de Operações da CMTU esteve na manifestação e estima que o terreno abriga hoje, mais de 700 caminhões de lixo. O diretor, que pediu para não ter o nome citado, informou que o local é uma área de estudo para implantação de um Ponto de Entrega Voluntária (PEVs), mas não revelou um prazo e nem os trâmites financeiros.

Ainda de acordo com a diretoria, a limpeza do terreno é realizada de forma paliativa, com ações de contenção, ou seja, com a retirada de pequenas quantidades de resíduos para evitar uma piora. Por nota, a assessoria da ALL informou que "é de responsabilidade do município disponibilizar um local adequado para descarte de lixo e afirma que a empresa mantém equipes de limpeza constantes em torno da linha férrea, mas devido ao grande volume de lixo depositado no local, tomará as medidas cabíveis para impedir essa prática".

Segundo Santana, da Associação de Moradores, um novo protesto está programado na manhã do próximo dia 11 de outubro.
Micaela Orikasa
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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