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Presidentes de grandes empreiteiras são presos por corrupção

Polícia Federal realizou ontem buscas e apreensões em nove empresas que celebraram contratos com a Petrobras que chegam a R$ 59 bilhões. Operação em cinco estados e no Distrito Federal resultou na prisão de 18 pessoas entre elas executivos da Camargo Correa, OAS, UTC, Engevix, IESA, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e Galvão Engenharia. Somente a Odebrecht não teve ninguém detido por falta de provas

Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão, além de 25 mandados de prisão
 
Curitiba - Cerca de 300 policiais federais e 50 servidores da Receita Federal deflagraram ontem a sétima e mais importante fase da Operação Lava Jato, que investiga organizações criminosas responsáveis por desvio de recursos de obras da Petrobras para lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos e políticos. Foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão, além de 19 de prisão temporária e seis de prisão preventiva.

Entre os envolvidos estão o ex-diretor da área de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque; o lobista Fernando Antônio Falcão Soares, conhecido como "Fernando Baiano", e apontado pelas investigações como operador do PMDB no esquema de corrupção na estatal petrolífera; além de 14 executivos (entre eles cinco presidentes) e funcionários do alto escalão de grandes empreiteiras. Também foram detidos um advogado que atuava para as empreiteiras e outras duas pessoas identificadas como subordinados do doleiro Alberto Youssef. Até o início da noite de ontem, a Polícia Federal (PF) confirmou a prisão de 18 pessoas. Aquelas que não foram encontradas estão com o nome incluído no sistema nacional de procurados da PF. Um executivo estaria em viagem ao exterior.

Buscas e apreensões foram realizadas nas empresas - nove ao todo, pertencentes a sete grupos - que têm contratos que chegam a R$ 59 bilhões com a Petrobras. São elas: Construtora Camargo Correa, OAS, UTC, Engevix, IESA, Queiroz Galvão, Mendes Júnior, Odebrechet e Galvão Engenharia. Apenas a Odebrecht não teve nenhum executivo ou funcionário preso porque a Justiça considerou que não tinha provas suficientes que fundamentassem a expedição dos mandados. A maioria das empreiteiras já financiou boa parte de campanhas eleitorais dos principais partidos do País.

A Justiça ainda decretou o bloqueio de aproximadamente R$ 720 milhões em bens pertencentes aos investigados (estima-se um limite de R$ 20 milhões por pessoa). Não houve bloqueio das contas das empresas, para não prejudicar a saúde financeira delas.

A operação foi desencadeada no Distrito Federal e nos Estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco. Todos os presos foram encaminhados para a Superintendência da PF em Curitiba.

As investigações apontam Renato Duque, indicado ao cargo pelo ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, como o principal operador do PT nos desvios da Petrobras. Ele ocupou o cargo na estatal entre os anos de 2003 e 2014. O volume de provas levantadas pelo MPF e PF reforçaram as declarações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, em seu interrogatório à Justiça, em que ele aponta que a diretoria de Duque repassava 3% dos contratos que assinava para o PT. Ele foi preso na tarde de ontem em sua residência, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.

De acordo com Igor Romário de Paula, delegado regional de Combate ao Crime Organizado da PF e coordenador da Lava Jato, os pedidos de prisão foram feitos em decorrência da análise de todo o material recolhido desde o início da operação, além dos depoimentos colhidos ao longo dos oito meses de trabalho. "Todos os envolvidos tinham condições de deixar o País. Identificamos nos últimos meses que alguns deles tinham o hábito de dormir fora de casa, em hotéis na mesma cidade ou até mesmo em outras cidades, nitidamente com medo que a operação pudesse ocorrer a qualquer momento", disse.

Segundo o delegado ainda há muito trabalho pela frente e uma centena de contratos a serem analisados pelos investigadores. Ele explicou que a investigação partiu da tentativa de delimitar o caminho do "dinheiro sujo" movimentado pelos doleiros. "Boa parte destes recursos tinha origem em atos de corrupção. Aí você tem duas pontas, tem que apurar os corruptores e os corrompidos. Hoje o ciclo avançou na identificação dos corruptores, mas estamos falando apenas de uma fatia do setor público, que são os contratos com a Petrobras. A Lava Jato provavelmente vai expandir suas investigações para outras áreas dos serviços públicos", completou.

Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador regional da República e integrante da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), completou que as provas levantadas pelos investigadores também foram baseadas nos testemunhos de não colaboradores e de colaboradores que não são Paulo Roberto Costa ou Alberto Youssef. "Temos um conjunto de provas que já nos dão uma boa medida dos fatos criminosos e devemos produzir algumas denúncias até o recesso judiciário. Não há rosto, nem bolso, todos nós somos iguais e todos que cometem algum tipo de ilícito deverão responder igualmente", ressaltou o procurador.
Rubens Chueire Jr.
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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