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Propina foi paga em 'doações oficiais' ao PT, diz executivo

Augusto Mendonça Neto, da Toyo-Setal, afirma que repassou R$ 4 milhões entre 2008 e 2011; Partido dos Trabalhadores rebate acusação

Paulo Lisboa/Brazil Photopress/Estadão C
O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que seria o intermediário da propina, deixou ontem a carceragem da PF em Curitiba
Curitiba – O executivo da empresa Toyo-Setal, Augusto Mendonça Neto, afirmou, em um de seus depoimentos dentro do acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal (MPF), que parte do pagamento de propina feito ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque virou doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores (PT). O "repasse", segundo o depoente, de aproximadamente R$ 4 milhões, ocorreu ao longo dos anos de 2008 e 2011.

Essas doações ocorreram por meio das empresas Setec Tecnologia, PEM Engenharia e SOC Óleo e Gás. Ele ainda ressaltou que se encontrou pessoalmente com João Vaccari Neto (tesoureiro do partido) no ano de 2008, no diretório do PT em São Paulo. Na ocasião, o executivo lembra que disse que "gostaria de fazer contribuições ao PT, perguntando como poderiam ser feitas". Na mesma ocasião o declarante afirmou, entretanto, não ter mencionado a Vaccari que as doações seriam feitas a pedido de Renato Duque.

Mendonça Neto confirmou as doações ao PT ao detalhar o pagamento de propina de aproximadamente R$ 80 milhões em propina para que a Toyo-Setal participasse das obras da refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar),em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Os ex-diretores de Serviço Renato Duque e de Abastecimento Paulo Roberto Costa seriam os beneficiários do dinheiro. Conforme o executivo, somente com Duque foram negociados entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões referentes a obras da refinaria no Paraná.

Além das doações, o pagamento da vantagem indevida, segundo o depoente, ocorria também por meio de parcelas de dinheiro em espécie entregues a emissários ou remessas em contas indicadas no exterior. O conteúdo das delações premiadas de Mendonça Neto e de Julio Camargo (executivos da Toyo-Setal), foram disponibilizados pela Justiça Federal do Paraná na tarde de ontem.

Segundo Mendonça Neto, ele normalmente tratava dos "repasses" da propina diretamente com o gerente da Petrobras, Pedro Barusco, que agia em nome de Duque. Entretanto, "os recursos em espécie foram entregues algumas vezes a um emissário de Renato Duque, conhecido como "Tigrão", ressaltou o executivo em seu depoimento. Para justificar a saída do dinheiro na contabilidade do consórcio responsável pela obra na Repar, foram feitos contratos de falsas prestações de serviços com cinco empresas de fachada.

Em nota oficial à imprensa, o PT afirmou que só recebe doações "em conformidade com a legislação eleitoral vigente".

folha de londrina
Rubens Chueire Jr.
Reportagem Local
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