Em depoimento a CPI, Youssef reforça que Planalto sabia de esquema
Doleiro reafirma a parlamentares que ex-ministros de Dilma tinham conhecimento da corrupção na Petrobras
Alberto Youssef repetiu ontem o que havia dito à Justiça Federal do Paraná: esquema de propina servia aos interesses de políticos ligados ao PT, PP e PMDB
Curitiba - Num depoimento de quase quatro horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, ontem, no auditório da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, o doleiro Alberto Youssef, uma das peças-chave da Operação Lava Jato, voltou a afirmar que o Palácio do Planalto sabia de todo o esquema de pagamento de propina a agentes públicos por meio de desvios de recursos de obras da estatal.
"Confirmo e digo que isso é do meu entendimento", afirmou. A resposta veio em questionamento feito pelo deputado Bruno Covas (PSDB-SP), sobre a ciência tanto da presidência da Petrobras quanto o Palácio do Planalto da estrutura que envolvia a distribuição de repasse no âmbito da estatal. Indagado se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff e os ex-ministros Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, José Dirceu, Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho e Edison Lobão tinham conhecimento do esquema, o doleiro disse que "na opinião dele, sim". "Não digo que havia uma coordenação, mas acredito que eles tinham conhecimento do que acontecia. Agora, provas eu não tenho", reforçou.
O londrinense afirmou que o esquema servia aos interesses do partido (PT) e, automaticamente dos partidos da base aliada (PP e PMDB). Youssef detalhou que, entre 2011 e 2012, ocorreu um racha na liderança do Partido Progressista (PP), e que isso foi motivo de discussão entre os líderes da legenda com a Casa Civil e com a Secretaria da Presidência.
"A situação foi parar no Palácio do Planalto e isso foi discutido com Gilberto Carvalho (ex-secretário da Presidência) e Ideli Salvati (ex-ministra da Casa Civil). Isso foi dito pelo Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da estatal) várias vezes. Ele deixou claro que esse assunto teria que chegar através do Palácio, a quem ele iria se reportar", disse o doleiro.
Youssef destacou que a interlocução com o Palácio sempre foi feita por José Janene, depois passou a ser "trabalho" de Mário Negromonte (ex-ministro das Cidades); e depois do deputado paranaense Nelson Meurer que, posteriormente, perdeu a liderança do partido para Arthur Lira (PP-AL). "O dr. Paulo (Costa) disse que ele ia falar com o interlocutor do PP quando tivesse um sinal do Planalto", disse.
CONTA EM LUXEMBURGO
Durante seu depoimento, Alberto Youssef também foi questionado sobre a existência de uma suposta conta em um banco em Luxemburgo, na Europa, no valor de 185 milhões de euros (cerca de R$ 600 milhões). Segundo o deputado Altineu Cortês (PR-RJ), tal suspeita surgiu a partir de uma revelação que teria sido feita por Stael Fernanda Janene, ex-mulher do deputado morto José Janene.
Cortês inclusive informou que Fernanda deve ser convocada para ser ouvida na CPI da Petrobras. "Tem algum banco que o sr. operou em Luxemburgo diretamente ou através de alguém ligado à sua família?", perguntou o parlamentar. "As contas que eu tinha a revelar já passei para a Justiça Federal", afirmou o doleiro. "Para mim, ele (Janene) nunca falou sobre isso. Não tenho conhecimento sobre isso", completou ele.
DEPOENTES
Além de Youssef, Iara Galdino da Silva, "braço-direito" da doleira Nelma Kodama, e que foi condenada a 12 anos de prisão em regime fechado, respondeu aos questionamentos da CPI. Ela não deu muitos detalhes referentes ao envolvimento de políticos no esquema, e afirmou que está colaborando em outros inquéritos abertos pela PF. Outros depoentes do dia, como o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró; e o lobista e operador do PMDB no esquema, Fernando Soares, o "Baiano", ficaram em silêncio. Os outros três operadores: Mário Góes, Adir Assad e Guilherme Esteves, todos presos no Complexo Médio Penal (CMP), em Pinhais, também não responderam aos questionamentos.
"Confirmo e digo que isso é do meu entendimento", afirmou. A resposta veio em questionamento feito pelo deputado Bruno Covas (PSDB-SP), sobre a ciência tanto da presidência da Petrobras quanto o Palácio do Planalto da estrutura que envolvia a distribuição de repasse no âmbito da estatal. Indagado se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff e os ex-ministros Antonio Palocci, Gleisi Hoffmann, José Dirceu, Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho e Edison Lobão tinham conhecimento do esquema, o doleiro disse que "na opinião dele, sim". "Não digo que havia uma coordenação, mas acredito que eles tinham conhecimento do que acontecia. Agora, provas eu não tenho", reforçou.
O londrinense afirmou que o esquema servia aos interesses do partido (PT) e, automaticamente dos partidos da base aliada (PP e PMDB). Youssef detalhou que, entre 2011 e 2012, ocorreu um racha na liderança do Partido Progressista (PP), e que isso foi motivo de discussão entre os líderes da legenda com a Casa Civil e com a Secretaria da Presidência.
"A situação foi parar no Palácio do Planalto e isso foi discutido com Gilberto Carvalho (ex-secretário da Presidência) e Ideli Salvati (ex-ministra da Casa Civil). Isso foi dito pelo Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento da estatal) várias vezes. Ele deixou claro que esse assunto teria que chegar através do Palácio, a quem ele iria se reportar", disse o doleiro.
Youssef destacou que a interlocução com o Palácio sempre foi feita por José Janene, depois passou a ser "trabalho" de Mário Negromonte (ex-ministro das Cidades); e depois do deputado paranaense Nelson Meurer que, posteriormente, perdeu a liderança do partido para Arthur Lira (PP-AL). "O dr. Paulo (Costa) disse que ele ia falar com o interlocutor do PP quando tivesse um sinal do Planalto", disse.
CONTA EM LUXEMBURGO
Durante seu depoimento, Alberto Youssef também foi questionado sobre a existência de uma suposta conta em um banco em Luxemburgo, na Europa, no valor de 185 milhões de euros (cerca de R$ 600 milhões). Segundo o deputado Altineu Cortês (PR-RJ), tal suspeita surgiu a partir de uma revelação que teria sido feita por Stael Fernanda Janene, ex-mulher do deputado morto José Janene.
Cortês inclusive informou que Fernanda deve ser convocada para ser ouvida na CPI da Petrobras. "Tem algum banco que o sr. operou em Luxemburgo diretamente ou através de alguém ligado à sua família?", perguntou o parlamentar. "As contas que eu tinha a revelar já passei para a Justiça Federal", afirmou o doleiro. "Para mim, ele (Janene) nunca falou sobre isso. Não tenho conhecimento sobre isso", completou ele.
DEPOENTES
Além de Youssef, Iara Galdino da Silva, "braço-direito" da doleira Nelma Kodama, e que foi condenada a 12 anos de prisão em regime fechado, respondeu aos questionamentos da CPI. Ela não deu muitos detalhes referentes ao envolvimento de políticos no esquema, e afirmou que está colaborando em outros inquéritos abertos pela PF. Outros depoentes do dia, como o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró; e o lobista e operador do PMDB no esquema, Fernando Soares, o "Baiano", ficaram em silêncio. Os outros três operadores: Mário Góes, Adir Assad e Guilherme Esteves, todos presos no Complexo Médio Penal (CMP), em Pinhais, também não responderam aos questionamentos.
Rubens Chueire Jr.
Reportagem Local-folha de londrina
Reportagem Local-folha de londrina

