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Governo apresenta reajuste, servidores reprovam índice e greve continua


Após anúncio de 5% de reajuste, governo encerra negociações e determina retorno das aulas; funcionalismo organiza ato público para a próxima segunda-feira

Rei Santos
Professores e servidores organizaram novo protesto ontem em Londrina e Curitiba
Curitiba – Após duas reuniões frustradas com o Fórum das Entidades Sindicais (FES), em que não apresentou propostas, o governo do Paraná anunciou ontem um reajuste de 5%, parcelado em duas vezes, aos servidores públicos do Estado. O índice, abaixo da inflação dos últimos 12 meses, de 8,17%, será oficializado por meio de um projeto de lei, a ser enviado na próxima segunda-feira à Assembleia Legislativa (AL). Na mesma data, às 9 horas, os 21 sindicatos do FES devem promover um ato unificado na Praça Nossa Senhora de Salete, em Curitiba, que foi palco da batalha desencadeada durante a votação do projeto da Paranaprevidência, no dia 29 de abril. Por ora, a APP-Sindicato, que representa os trabalhadores da rede estadual, repudia a proposta e diz que a greve continua.

Segundo o chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, os números apresentados estão dentro da capacidade orçamentária e financeira do Executivo. Ele também diz ter encerrado as negociações com os professores da rede estadual, paralisados há 19 dias. "Começou-se a colocar sobre a mesa discussão, por exemplo, 50% de hora-atividade. Chega a ser uma imoralidade os professores ficarem metade do tempo que recebem preparando aulas ou corrigindo provas. Nós temos que pensar na sociedade como um todo. E a sociedade não iria admitir propostas desta natureza", afirmou.

A administração alega que, de 2011 a 2014, concedeu aumentos acima da inflação para quase todas as categorias, mas que, no cenário atual, isso não será mais possível. Também ontem, a gestão do governo Beto Richa (PSDB) informou que registrará as faltas dos grevistas e que fará descontos nos salários. Caso os docentes não voltem às salas de aula, serão contratados temporários, a partir de um novo Processo Seletivo Simplificado (PSS). "Temos mais de 11 milhões de habitantes e 270 mil servidores, entre ativos e inativos. Se nós deixarmos de fazer as reformas e obras necessárias nas escolas, não adianta nada ter uma situação de salário resolvida", disse o secretário.

Sciarra também contou que a Secretaria da Educação abrirá processos para apurar casos de insubordinação de diretores que, durante a paralisação, mantiveram as escolas fechadas ou dificultaram o acesso de estudantes e docentes. Aqueles que "comprovadamente se omitiram ou atuaram contra o interesse da comunidade" serão punidos. Ainda de acordo com o chefe da pasta, o reajuste não será maior justamente para permitir que promessas feitas anteriormente aos docentes sejam cumpridas. Entre elas estão o pagamento, até o fim de 2014, de benefícios atrasados, como promoções e progressões, que totalizam R$ 260 milhões. Ele garantiu que não mexerá nos anuênios e quinquênios.

ATAQUE

Para a professora Teresa Lemos, da coordenação estadual da APP-Sindicato, a notícia representa mais ataque violento do governador aos servidores. "Ele se confirma como um grande ditador. Nós vamos continuar em greve por tempo indeterminado". Na manhã de ontem, os docentes realizaram um protesto em frente à Receita Estadual, na capital paranaense em Londrina. Em Curitiba, seguiram para a sede da Secretaria da Fazenda, onde fizeram um "ato simbólico de sepultamento do Estado". Hoje, às 8h30, a entidade tem novo encontro marcado, com o objetivo de avaliar os próximos passos do movimento.
Mariana Franco Ramos
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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