Mortes por arma de fogo crescem 43% no PR
Segundo o Mapa da Violência, taxa de assassinatos por 100 mil habitantes em 11 anos no Estado é a maior das regiões Sul e Sudeste
Em números absolutos, 25,9 mil pessoas morreram entre 2002 e 2012 no Paraná, o que representa um assassinato por arma de fogo a cada quatro horas
Londrina – O Mapa da Violência 2015, divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), aponta que 25,9 mil pessoas morreram entre 2002 e 2012 no Paraná. Isso representa que, a cada quatro horas, uma pessoa é assassinada por arma de fogo no Estado. O estudo que tem como tema "Mortes Matadas por Armas de Fogo" mostra o Paraná com aumento de 43,8% na taxa de assassinatos por 100 mil habitantes em 11 anos, o maior das regiões Sul e Sudeste e o 13º lugar no ranking nacional.
Os estados do Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de crescimento. Maranhão é o primeiro da lista com aumento de 273,2%, seguido pelo Ceará (245%), Amazonas (228%), e Rio Grande do Norte (171%). Com exceção dos estados das duas regiões, apenas Goiás supera o Paraná, com alta de 75,7% na violência. Na Região Sul, a taxa do Paraná é maior que a soma do Rio Grande do Sul (11,1%) e Santa Catarina (16,2%).
Na contramão, apenas oito estados tiveram queda da violência. São Paulo (-62,2%) e Rio de Janeiro (-54,9%), centros tradicionais de violência, tiveram as maiores reduções de assassinatos por arma de fogo no período. O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, elaborador da pesquisa, vê uma migração do crime estimulada pelo crescimento da renda de cidades longe dos grandes centros. "A migração do crime não é uma migração física, de bandidos mudando de Estado, mas a da criação de novas estruturas criminais fora dos eixos centrais", analisa o estudioso.
A transferência, em 2003, de Fernandinho Beira-Mar para um presídio em Alagoas, é citada por Waiselfisz como exemplo. "Com pouca segurança, o traficante carioca ajudou a montar uma estrutura criminosa do tráfico que atua hoje no Estado. Foi ali que iniciou o crescimento do crime na região", diz. Em cenário parecido, o Paraná também vê facções criminosas ganhando força e coordenando rebeliões em presídios. No ano passado, foram 23 motins nas prisões paranaenses. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) aponta o Paraná como o segundo estado com mais integrantes da principal facção criminosa paulista.
MIGRAÇÃO
O estudo mostra também que as mortes migraram das capitais para as regiões metropolitanas. Dentre as 20 cidades com maiores taxas de assassinatos por armas de fogo, 14 estão em zonas metropolitanas das capitais. Dessas, apenas duas não estão em Estados do Norte ou Nordeste - Serra, no Espírito Santo, que se mantém na lista desde 2007, e Campina Grande do Sul, no Paraná. "Onde aparecem novos atrativos aparece a criminalidade, mas não aparece o Estado para enfrentá-la. Esses municípios enfrentam uma onda de crime organizado totalmente desaparelhados", explicou Waiselfisz.
Apenas cinco capitais estão entre as cem com maiores taxas de assassinatos por armas de fogo. São elas: Maceió, João Pessoa e Fortaleza, capitais de estados marcados pelas dificuldades econômicas, e Vitória (ES) e Recife (PE), que são historicamente regiões com altos índices de criminalidade. O levantamento de dados foi feito com base em dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.
Os estados do Norte e Nordeste apresentam os maiores índices de crescimento. Maranhão é o primeiro da lista com aumento de 273,2%, seguido pelo Ceará (245%), Amazonas (228%), e Rio Grande do Norte (171%). Com exceção dos estados das duas regiões, apenas Goiás supera o Paraná, com alta de 75,7% na violência. Na Região Sul, a taxa do Paraná é maior que a soma do Rio Grande do Sul (11,1%) e Santa Catarina (16,2%).
Na contramão, apenas oito estados tiveram queda da violência. São Paulo (-62,2%) e Rio de Janeiro (-54,9%), centros tradicionais de violência, tiveram as maiores reduções de assassinatos por arma de fogo no período. O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, elaborador da pesquisa, vê uma migração do crime estimulada pelo crescimento da renda de cidades longe dos grandes centros. "A migração do crime não é uma migração física, de bandidos mudando de Estado, mas a da criação de novas estruturas criminais fora dos eixos centrais", analisa o estudioso.
A transferência, em 2003, de Fernandinho Beira-Mar para um presídio em Alagoas, é citada por Waiselfisz como exemplo. "Com pouca segurança, o traficante carioca ajudou a montar uma estrutura criminosa do tráfico que atua hoje no Estado. Foi ali que iniciou o crescimento do crime na região", diz. Em cenário parecido, o Paraná também vê facções criminosas ganhando força e coordenando rebeliões em presídios. No ano passado, foram 23 motins nas prisões paranaenses. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) aponta o Paraná como o segundo estado com mais integrantes da principal facção criminosa paulista.
MIGRAÇÃO
O estudo mostra também que as mortes migraram das capitais para as regiões metropolitanas. Dentre as 20 cidades com maiores taxas de assassinatos por armas de fogo, 14 estão em zonas metropolitanas das capitais. Dessas, apenas duas não estão em Estados do Norte ou Nordeste - Serra, no Espírito Santo, que se mantém na lista desde 2007, e Campina Grande do Sul, no Paraná. "Onde aparecem novos atrativos aparece a criminalidade, mas não aparece o Estado para enfrentá-la. Esses municípios enfrentam uma onda de crime organizado totalmente desaparelhados", explicou Waiselfisz.
Apenas cinco capitais estão entre as cem com maiores taxas de assassinatos por armas de fogo. São elas: Maceió, João Pessoa e Fortaleza, capitais de estados marcados pelas dificuldades econômicas, e Vitória (ES) e Recife (PE), que são historicamente regiões com altos índices de criminalidade. O levantamento de dados foi feito com base em dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.
Celso Felizardo-FOLHA DE LONDRINA

